Arquivo da categoria Unidade Pastoral

Uma visão de crescimento

Em todo o Novo Testamento e particularmente nas parábolas de Jesus, a ideia de crescimento do reino é uma constante: a primeira parábola de domingo passado, a da semente do trigo, acentua a ideia do espanto do agricultor que vê a planta desenvolver-se, passando pelas várias etapas da sua maturação sem ele saber como. Ele sabe que semeou a semente, mas reconhece que o que fez é quase nada diante do mistério daquele desenvolvimento que começa por dar, primeiro, a planta, depois, a espiga e, por fim, o trigo maduro na espiga. O agricultor não nos dá a ideia de ser alguém ansioso e perturbado; pelo contrário, ele dorme descansado, pois levantando-se pela manhã, e olhando a planta, depara-se sempre com a alegria de ver a planta a crescer e a desenvolver-se. Este agricultor parece mais um contemplativo do poder daquela semente que traz consigo uma força misteriosa, uma graça de crescimento.

A segunda parábola, do grão de mostarda, acentua a ideia do crescimento. Começa por sublinhar a pequenez e a modéstia da semente: “Ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra”, para depois mostrar como a pequenez não é nenhum problema e que pode ser mesmo um bem. “Depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra”.

Na Carta aos Efésios, Paulo meditava sobre o mistério da Igreja que formamos e diz que «Em Cristo qualquer construção bem ajustada, cresce para formar um templo santo no Senhor.» E mais à frente diz: «É por Ele que o corpo inteiro, coordenado e unido, por meio de todas as junturas, opera o seu crescimento orgânico segundo a atividade de cada uma das partes, a fim de se edificar na caridade» (Ef 4,16): Quer dizer que o crescimento é de todo o corpo e não só de uma das partes.
S. Lucas diz-nos, nos Atos dos Apóstolos, que «O Senhor aumentava todos os dias os que entravam no caminho da salvação”. E podíamos continuar….

Jesus na sua ação de bom pastor e Mestre tinha uma visão de crescimento do reino a longo prazo. Durante os seus três anos de vida pública como Messias dedicou-se intensamente à formação do grupo dos doze discípulos. Ensinou-lhes tudo o que recebeu do Pai e, depois de ressuscitado, enviou-os por todo o mundo com a força do Espírito Santo, para que também eles fizessem discípulos em toda a parte. O crescimento tornou-se então exponencial e imparável gerando uma nova civilização.

E entre nós? O reino de Deus cresce? Se fossemos a julgar pelo número de pessoas que vêm à missa, diríamos que não, mas além de ainda estarmos em pandemia, esse não é o critério maior para nos darmos conta do crescimento do reino de Deus. Cresce quando alguém experimenta em si a novidade do encontro com Deus que a transforma e lhe dá uma nova vida e uma nova esperança no futuro. A partir desse encontro a pessoa reorganiza-se e reinventa-se para viver ao jeito de Jesus e ao estilo das bem-aventuranças que Ele pregou.

Com o coração agradecido ao semeador, parece-me que, durante este ano que estivemos em pandemia, o reino de Deus cresceu no meio de nós. Temos sido testemunhas de um grande crescimento na fé de muitas pessoas e na sua inserção na Igreja. A pandemia não foi um obstáculo, mas uma oportunidade de lançar a semente do Evangelho em muitos corações através dos percursos Alpha online de adultos e jovens. As células aumentaram muito com pessoas que sentiram vontade de fazer um caminho novo com Cristo e com os irmãos. Foram mais de 50 pessoas novas que decidiram inserir-se nas células, que são pequenos grupos de dimensão familiar que se encontram semanalmente para orarem juntos, partilharem a Palavra de Deus, viverem a dimensão fraterna e servirem os irmãos. Já são mais de 150 pessoas que nas nossas paróquias se reúnem, nas suas casas, uma vez por semana. Mas sonhamos em alcançar as 500, dentro de 3 anos, se for essa a vontade de Deus. Por isso começámos um fórum aberto a todos, online, ontem, segunda-feira, às 21:30.

Há ainda outros irmãos que ingressaram no percurso de S. José que é um caminho de catequese de adultos. Também umas dezenas de irmãos aceitaram servir nas equipas de animação do percurso Alpha onde continuam o seu crescimento na fé e no serviço. Novos irmãos entraram como catequistas e outros sentiram o apelo a servir em equipas de acolhimento aos seus irmãos à entrada da igreja para que tudo fosse feito em segurança. E podíamos continuar a celebrar a graça operante de Deus que faz crescer entre nós o seu reino. O que interessa, em primeiro lugar, é o crescimento na vida da graça ou na santidade, mas se este crescimento interior existir, vai provocando, por atração, o crescimento numérico, a não ser que haja forças exteriores que o impeçam.

A visão que nos orienta e produz paixão em nós, é de crescimento e, em S. José, é descrita com o seguinte enunciado: Paróquia de S. José é uma comunidade que nasce do encontro pessoal com Cristo, cresce pela comunhão com Deus e com os irmãos, forma discípulos que evangelizam com ousadia e servem com amor.

Tudo começa com o encontro pessoal com Cristo que transforma a vida, mas depois vem o crescimento que se opera na união com o Senhor e na construção de relações fraternas, na formação de discípulos que evangelizam e servem.

A Visão de S. João Batista tem outro enunciado, mas baseia-se no mesmo, pois é o mesmo pároco que não pode ter duas visões. Paróquia de S. João Baptista é uma comunidade orante e acolhedora, enraizada em Cristo, que serve e anuncia o evangelho para a transformação do mundo. Estão presentes os mesmos 5 pontos essenciais que operam o crescimento; a evangelização como prioridade intencional, a vida orante e sacramental, a construção de laços fraternos para vivermos como irmãos, o crescimento ou enraizamento na vida de Cristo e o serviço na comunidade e aos pobres.

Que nós continuemos a preparar o campo e a lançar a semente e Ele faça germinar e crescer a planta sem sabermos bem como. Mas estamos-lhe muito gratos pela sua obra.

Folha Paroquial nº 177 *Ano IV* 20.06.2021 — DOMINGO XII DO TEMPO COMUM

Cantai ao Senhor, porque é eterno o seu amor.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mc 4, 35-41)
Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse aos seus discípulos: «Passemos à outra margem do lago». Eles deixaram a multidão e levaram Jesus consigo na barca em que estava sentado. Iam com Ele outras embarcações. Levantou-se então uma grande tormenta e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água. Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada. Eles acordaram-n’O e disseram: «Mestre, não Te importas que pereçamos?». Jesus levantou-Se, falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: «Cala-te e está quieto». O vento cessou e fez-se grande bonança. Depois disse aos discípulos: «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?». Eles ficaram cheios de temor e diziam uns para os outros: «Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

PASSEMOS PARA A OUTRA MARGEM

Jesus é quem tem a iniciativa de fazer embarcar os discípulos para atravessar o lago para a outra margem. Em Marcos, não se explica a razão daquela mudança de lugar mas, em Mateus, a narrativa explica que a partida é devida à presença de “numerosas multidões” (Mt 8,18). Depois de acalmar a tempestade, Jesus e os discípulos devem chegar à região dos Gadarenos ou dos Gerasenos, ou seja, uma região pagã da Decápole.

Há uma solução simples e eficaz para evitar a tempestade: ficar na margem onde se está. Ficar na mesma margem é mais seguro, não se assumem riscos. Na margem que conhecemos bem, os dias sucedem-se e assemelham-se. É verdade que há altos e baixos, mas ao menos dominamos os acontecimentos, sabemos como os enfrentar porque os fazemos desde sempre. Por isso tanta gente tem tanta dificuldade em aceitar as mudanças na Igreja. Mas aí, nessa barca, não estamos seguros de nada. O tempo muda rapidamente e não sabemos nunca o que vai acontecer, não podemos nada prever e programar e isso cria-nos desconforto e insegurança. O que é seguro e certo é que a vida não é a mesma na margem onde estou e na barca! E Cristo diz-nos: abandonemos o território familiar para nos dirigirmos a lugares que não conhecemos ou que não nos são habituais e nos fazem sentir inseguros. Mas não estaremos sós, iremos com Cristo que está na nossa barca.

ELE DORME
Jesus durante o tempo da tempestade que faz? Dorme. Mas não está ausente. Ele é plenamente homem com os seus limites e necessidades humanas. Depois de um dia de pregação, logo que chegou a noite, Jesus quer afastar-se a multidão. Fatigado, procura repouso sobre uma almofada na parte de trás do barco. As vagas que sacodem o barco, e a tempestade que cresce, não são capazes de o acordar, de tal forma o seu sono é pesado e repousante. São os seus discípulos que têm de gritar-lhe aos ouvidos: “-Acorda.” Também para nós o silêncio de Deus não é nem um abandono nem uma rejeição, mas um mistério que conduz a contemplar Cristo para nos deixarmos transformar por Ele.

NÓS PERECEMOS
Desde sempre a tradição cristã viu nesta barca agitada pela tempestade uma imagem da Igreja. Quando Marcos escreve o seu evangelho, Pedro já tinha sido martirizado e a perseguição tinha dizimado a jovem comunidade romana. O «passemos para o outro lado» tinha sentido. Apesar da tempestade, a Igreja deve viver e crescer neste mundo pagão e deixar de pensar no mundo judeu-cristão tranquilizante. Século após século, depois de alguma bonança, a tempestade volta a exigir-lhe que passe para o outro lado. E este tempo que estamos a viver é um convite forte a abrirmo-nos a paisagens novas, sonharmos uma igreja a viver de forma muito diferente de há 50 anos atrás. E todo o nosso esforço está em que as comunidades cristãs se desinstalem e criem uma cultura missionária de serviço, de proximidade, de amor fraterno, de compromisso na transformação do mundo.

O AMOR DE CRISTO NOS IMPELE
Felizmente, desde há dois mil anos, são imensos os que deixam a margem da sua zona de conforto para embarcarem com Jesus. Não são aventureiros curiosos para descobrir o novo mundo. São discípulos que embarcam, não porque sejam corajosos e seguros de si mesmos, mas somente porque Jesus está na barca e lhes diz: «Ide por todo o mundo», para a outra margem. Mas também porque “o amor de Cristo os impele” quando contemplam o seu amor manifestado na sua morte na cruz. E nada nem ninguém os pode separar desse amor que Ele um dia lhes manifestou. Diz Paulo na segunda leitura: “Se alguém está em Cristo é uma nova criatura”. O mundo antigo passou, um mundo novo nasceu. Doravante já não estamos na primeira Criação. Falta-nos talvez compreender a medida da transformação que foi introduzida no mundo pela ressurreição de Cristo. O Cristão é alguém que diz: «Doravante»! Doravante nada é como antes. Há uma nova humanidade. Agora somos chamados a viver da vida do Ressuscitado, que é uma vida feita de solidariedade, de justiça e de partilha; doravante podemos viver como Cristo, tornar-nos uma imagem sua, vivendo uma vida ao serviço dos outros, como Ele fez. Somos capazes, doravante, de chorar com os que choram e de enfrentar os mesmos combates que Jesus e dominar todas as tempestades que nos assaltam, venham donde vierem, pois Ele está connosco tal como na manhã de Páscoa. Todo o cristão pode dizer como Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim.» Basta que, como diz a carta aos Hebreus, mantenhamos o nosso olhar fixo em Jesus, o autor da nossa fé.

A palavra “impossível” não é cristã, pois nada é impossível a Deus e a quem crê no seu amor poderoso.

Cultura do convite – O percurso Alpha

A (minha) Francisca Eiriz vê corações, e vê o meu. Sabia que Ele existia nele, entre os meus silêncios, nas palavras escritas, nas lágrimas derramadas, e nos sorrisos de esperança. Com a mensagem “é agora”, o convite chegou (uma vez mais) para embarcar no percurso Alpha. Com um percurso muito meu na fé, as reticências de quem não sabia o que ali poderia encontrar estavam presentes. Confiei. Confiei uma vez mais na “voz que não se impõe” e que “ouvia a segredar”. As noites de partilha, o coração quente e a transbordar, a generosidade de todos na mesa, a força transformadora da comunidade, o encontro com Ele. Cada palavra e momento partilhado pelos que comigo fizeram este caminho comigo, tornaram não só o percurso mais rico, como me tocaram, me revelaram o dom da amizade, da verdade, da vida. Tudo isto, e tanto mais fizeram parte de uma profunda experiência, transformadora e que me fizeram ouvir novamente a sua voz, e em avançar com Ele, que comigo sempre está. Com a paz no coração, que este percurso muito meu na fé, é assim mesmo, nosso. O Alpha foi e é ponte, abraço, comunhão com Ele.

Rita de Almeida Neves

Vinha de Raquel – para mulheres feridas pelo aborto

À semelhança do que já fizemos no passado, emprestamos a nossa voz a esta bela iniciativa que em nome da Igreja acolhe mulheres que por alguma razão estiveram ou se deixaram envolver em atos de aborto. Eles promovem encontro de fim de semana em que tudo é sigiloso, desde as participantes até ao local onde decorre, e que conta com uma equipa multidisciplinar (médicos, psicólogos e padre, claro) num acompanhamento e terapia individual (não se trata de terapia de grupo) para trabalhar a dimensão psicológica que ajudará a lidar com a dor, a angústia e o desgosto que parece não ter lugar, e com a dimensão espiritual centrada na pessoa de Jesus Cristo e no acolhimento do perdão de Deus.

O próximo retiro será de 25 a 27 de Junho algures no distrito de Lisboa (como referimos, o local é sigiloso). Se pretender inscrever-se ou pedir mais informações, envie email para apoio@vinhaderaquel.org

Equipa sacerdotal foi de passeio

A equipa sacerdotal a residir na Casa Paroquial de S. José teve um dia de passeio e convívio na segunda feira, dia 14. Foram visitar as pinturas rupestres de Foz Coa. Com eles já foi o P. Fernando Santos que já está também a residir na casa dois dias por semana e que, para o próximo ano, estará a tempo inteiro. Na foto, da esquerda para a direita: P. Jorge, P. Francisco, P. Pedro e P. Fernando.

O nosso TóZé será ordenado diácono dia 27 de junho
Foi com muita alegria que recebemos a notícia fresquinha de que o TóZé (ou António José Sebastião), o seminarista que em 2018/2019 esteve a “estagiar” na nossa Unidade Pastoral e que passava grande parte dos seus fins de semana connosco, será muito em breve ordenado diácono pelo nosso bispo: é já no próximo dia 27 de junho.

Bem sabemos: ele é nosso e de mais uns quantos… O TóZé deixou marcas nas nossas comunidades e é sobretudo recordado pela sua simplicidade e humildade.

Resta-nos agora desejar-te as maiores felicidades e dar-te a certeza do nosso conforto na oração: que o Senhor te abençoe e te guarde, que Ele te proteja e abençoe o dom da tua vida!

Células Paroquiais de Evangelização dinamizam seminário online

“Crescer e renovar paróquias” – nas próximas duas semanas, a Unidade Pastoral de São João Baptista e São José, onde nasceram as Células Paroquiais de Evangelização em Portugal, vão promover um ciclo de sessões online para dar a conhecer a todo o país – leigos e párocos – como estes pequenos grupos enraizados nas paróquias transformam vidas e comunidades.

As sessões online, pelas 21h30, serão as que estão na imagem acima.
Todas são abertas à comunidade, apenas sendo necessário registo (https://forms.gle/BxAeGmZw5tsrqgiF6 ) para receberem o link.

As sessões serão as seguintes (as que já aconteceram ficaram gravadas e pode ser solicitado o acesso às mesmas):
14 Junho (seg) – O Espírito Santo que nos move – sessão introdutória com o Pde. Nuno Santos
15 Junho (ter) – O Mandato Missionário (oikos e rede)
17 Junho (qui) – O processo de evangelização: a importância da oração e do serviço
22 Junho (ter) – A vida em Célula: como vive e quais os objetivos das CPE
24 Junho (qui) – O convite e a integração na paróquia

Folha Paroquial nº 176 *Ano IV* 13.06.2021 — DOMINGO XI DO TEMPO COMUM

É bom louvar-Vos, Senhor.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mc 4, 26-34)

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra». Jesus pregava-lhes a palavra de Deus com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender. E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

UMA VISÃO DE CRESCIMENTO

Em todo o Novo Testamento e particularmente nas parábolas de Jesus, a ideia de crescimento do reino é uma constante: a primeira parábola de hoje, a da semente do trigo, acentua a ideia do espanto do agricultor que vê a planta desenvolver-se, passando pelas várias etapas da sua maturação sem ele saber como. Ele sabe que semeou a semente, mas reconhece que o que fez é quase nada diante do mistério daquele desenvolvimento que começa por dar, primeiro, a planta, depois, a espiga e, por fim, o trigo maduro na espiga. O agricultor não nos dá a ideia de ser alguém ansioso e perturbado; pelo contrário, ele dorme descansado, pois levantando-se pela manhã, e olhando a planta, depara-se sempre com a alegria de ver a planta a crescer e a desenvolver-se. Este agricultor parece mais um contemplativo do poder daquela semente que traz consigo uma força misteriosa, uma graça de crescimento.

A segunda parábola, do grão de mostarda, acentua a ideia do crescimento. Começa por sublinhar a pequenez e a modéstia da semente: “Ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra”, para depois mostrar como a pequenez não é nenhum problema e que pode ser mesmo um bem. “Depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra”.

Na Carta aos Efésios, Paulo medita sobre o mistério da Igreja que formamos e diz que «Em Cristo qualquer construção bem ajustada, cresce para formar um templo santo no Senhor.» E mais à frente diz: «É por Ele que o corpo inteiro, coordenado e unido, por meio de todas as junturas, opera o seu crescimento orgânico segundo a atividade de cada uma das partes, a fim de se edificar na caridade» (Ef 4,16): Quer dizer que o crescimento é de todo o corpo e não só de uma das partes.

S. Lucas diz-nos, nos Atos dos Apóstolos, que «O Senhor aumentava todos os dias os que entravam no caminho da salvação”. E podíamos continuar….

Jesus na sua ação de bom pastor e Mestre tinha uma visão de crescimento do reino a longo prazo. Durante os seus três anos de vida pública como Messias dedicou-se intensamente à formação do grupo dos doze discípulos. Ensinou-lhes tudo o que recebeu do Pai e, depois de ressuscitado, enviou-os por todo o mundo com a força do Espírito Santo, para que também eles fizessem discípulos em toda a parte. O crescimento tornou-se então exponencial e imparável gerando uma nova civilização.

E entre nós? O reino de Deus cresce? Se fossemos a julgar pelo número de pessoas que vêm à missa, diríamos que não, mas além de ainda estarmos em pandemia, esse não é o critério maior para nos darmos conta do crescimento do reino de Deus. Cresce quando alguém experimenta em si a novidade do encontro com Deus que a transforma e lhe dá uma nova vida e uma nova esperança no futuro. A partir desse encontro a pessoa reorganiza-se e reinventa-se para viver ao jeito de Jesus e ao estilo das bem-aventuranças que Ele pregou.

Com o coração agradecido ao semeador, parece-me que, durante este ano que estivemos em pandemia, o reino de Deus cresceu no meio de nós. Temos sido testemunhas de um grande crescimento na fé de muitas pessoas e na sua inserção na Igreja. A pandemia não foi um obstáculo, mas uma oportunidade de lançar a semente do Evangelho em muitos corações através dos percursos Alpha online de adultos e jovens. As células aumentaram muito com pessoas que sentiram vontade de fazer um caminho novo com Cristo e com os irmãos. Foram mais de 50 pessoas novas que decidiram inserir-se nas células, que são pequenos grupos de dimensão familiar que se encontram semanalmente para orarem juntos, partilharem a Palavra de Deus, viverem a dimensão fraterna e servirem os irmãos. Já são mais de 150 pessoas que nas nossas paróquias se reúnem, nas suas casas, uma vez por semana. Mas sonhamos em alcançar as 500, dentro de 3 anos, se for essa a vontade de Deus. Por isso começamos um fórum aberto a todos, online, amanhã, segunda-feira, às 21:30.

Há ainda outros irmãos que ingressaram no percurso de S. José que é um caminho de catequese de adultos. Também umas dezenas de irmãos aceitaram servir nas equipas de animação do percurso Alpha onde continuam o seu crescimento na fé e no serviço. Novos irmãos entraram como catequistas e outros sentiram o apelo a servir em equipas de acolhimento aos seus irmãos à entrada da igreja para que tudo fosse feito em segurança. E podíamos continuar a celebrar a graça operante de Deus que faz crescer entre nós o seu reino. O que interessa, em primeiro lugar, é o crescimento na vida da graça ou na santidade, mas se este crescimento interior existir, vai provocando, por atração, o crescimento numérico, a não ser que haja forças exteriores que o impeçam.

A visão que nos orienta e produz paixão em nós, é de crescimento e, em S. José, é descrita com o seguinte enunciado: Paróquia de S. José é uma comunidade que nasce do encontro pessoal com Cristo, cresce pela comunhão com Deus e com os irmãos, forma discípulos que evangelizam com ousadia e servem com amor.

Tudo começa com o encontro pessoal com Cristo que transforma a vida, mas depois vem o crescimento que se opera na união com o Senhor e na construção de relações fraternas, na formação de discípulos que evangelizam e servem.

A Visão de S. João Batista tem outro enunciado, mas baseia-se no mesmo, pois é o mesmo pároco que não pode ter duas visões. Paróquia de S. João Baptista é uma comunidade orante e acolhedora, enraizada em Cristo, que serve e anuncia o evangelho para a transformação do mundo. Estão presentes os mesmos 5 pontos essenciais que operam o crescimento; a evangelização como prioridade intencional, a vida orante e sacramental, a construção de laços fraternos para vivermos como irmãos, o crescimento ou enraizamento na vida de Cristo e o serviço na comunidade e aos pobres.

Que nós continuemos a preparar o campo e a lançar a semente e Ele faça germinar e crescer a planta sem sabermos bem como. Mas estamos-lhe muito gratos pela sua obra.

Retiro Vinha de Raquel

Não é a primeira vez que aproveitamos este espaço para dar voz a este retiro proposto a mulheres que se viram pelas mais diversas razões envolvidas nas malhas do aborto. O próximo é já de 25 a 27 de junho, em estrito e total sigilo (nem o local onde decorre é divulgado – as inscritas serão contactadas pessoalmente) e descrição.

Muitas mulheres sofrem por causa da dormência emocional e sigilo que muitas vezes envolve uma experiência de aborto, várias emoções em conflito podem ficar por resolver, durante e após a experiência.

Estes sentimentos enterrados podem surgir mais tarde e podem ser sintomas de um trauma pós-aborto.

A Vinha de Raquel é uma obra de Compaixão e Misericórdia que a Pastoral da Família oferece visando o acompanhamento e apoio espiritual e psicológico, individual ou em grupo, a quem sofre por ter passado pela dor do aborto. Tudo é realizado no máximo dos sigilos.
Inscrições: apoio@vinhaderaquel.org

Festa do Pai Nosso em SJBaptista

As crianças do 2º ano da catequese fizeram no passado fim de semana a festa do Pai Nosso durante a eucaristia paroquial das 11h00 de Domingo.

Neste ano que tem sido tão atípico em tantos aspetos, foi uma grande alegria para a nossa comunidade paroquial receber tantas crianças e famílias que raramente vemos – até porque, devido à escassez de salas e de espaços em geral na nossa paróquia, e porque o grupo é relativamente grande, eles estão a ter catequese ao Domingo de manhã em São José e muitos optam por ir lá à eucaristia dominical.

Foi uma festa muito bonita: compridita, mas muito bela. Durante a homilia o Pe Jorge ia fazendo perguntas e lançando algumas provocações e não teve grande dificuldade em obter feedback.

Festas de São João Baptista centradas no essencial

Em outros anos, por esta altura, estaríamos a ter reuniões a um ritmo semanal para ultimar todos os preparativos para os grandes festejos de  São João Baptista, o nosso santo padroeiro, que estão marcadas para daqui a menos de duas semanas.

Este ano, mais uma vez, vai ter de ser diferente. Ainda pusemos a hipótese de servir sardinha em modo takeaway – até porque as obras para o Centro Pastoral / Centro Comunitário estarão para arrancar em breve e todo o dinheiro é bem-vindo – mas optou-se por nem isso se fazer.

Centrar-nos-emos no essencial. Será com certeza uma oportunidade para dedicarmos algum tempo a compreender melhor a vocação que foi a deste mártir e que Deus escolheu para preparar os seus caminhos.

Pessoalmente, recordo com carinho uma das conferências que o padre que há uns três anos veio lançar a Adoração Eucarística em São José proferiu e durante a qual explorava a última parte do primeiro capítulo do Evangelho segundo S. João: “No dia seguinte, João encontrava-se de novo ali com dois dos seus discípulos. Então, pondo o olhar em Jesus, que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus!» Ouvindo-o falar desta maneira, os dois discípulos seguiram Jesus.” (Jo 1, 35-37). – uma bela e profunda conferência que continua disponível no nosso canal Youtube em https://youtu.be/Papf7EJFjrU