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Folha Paroquial nº 61 *Ano II* 20.1.2019 — DOMINGO II DO TEMPO COMUM

«Anunciai em todos os povos as maravilhas do Senhor.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Jo 2, 1-11)
Naquele tempo, realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora».
Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.»

S. João é um evangelista cujo modo de apresentar os acontecimentos precisa que nos habituemos. É que as coisas mais importantes estão nas entrelinhas, por isso precisamos de estar atentos e ir mais longe do que aquilo que conseguimos ler à primeira vista. Para ele, este primeiro «sinal», como lhe chama, das bodas de Caná é muito importante: encerra só por si o grande mistério do projeto de Deus sobre a humanidade, mistério de Criação, mistério de Aliança, mistério de Núpcias.
Aquilo a que se chama o Prólogo, quer dizer a abertura do seu evangelho, o início, já era uma grande meditação sobre este mistério. O texto das bodas de Caná é exatamente a mesma meditação mas agora em forma de narrativa, isto é, contando um acontecimento. Com estes dois textos, no início do seu evangelho, pretende introduzir-nos na compreensão de tudo o que ele nos vai dizer durante todo o seu evangelho. É como a «abertura» de uma ópera em que a orquestra toca todos os andamentos e as partes da ópera que depois se vão desenvolver.
O texto termina dizendo, «Foi assim que em Caná da Galileia Jesus “deu início”, (principiou) os seus milagres (sinais). Este dar início reenvia-nos ao prólogo, “no princípio, isto é, no início de tudo, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus.” S. João está a dizer-nos que Jesus está a dar início a numa nova criação, a recriar tudo e a fazer uma Nova Aliança. Se
vermos bem, nas bodas de Caná realmente Jesus não se contenta em multiplicar o vinho como vai fazer, mais tarde, com o pão: ele criou-o. Assim como no princípio de todasas coisas, O Verbo estava voltado para o Pai para criar o mundo, uma nova etapa se inaugura em Caná: a nova criação começou. E trata-se de um banquete de núpcias, de um casamento, de uma aliança esponsal. Na criação inicial Deus completa a sua obra com o casal humano, Adão e Eva, que criou à sua imagem e semelhança; agora, na nova criação, Jesus participa num banquete de núpcias, maneira de dizer que o projeto criador de Deus é um projeto de aliança, um projeto esponsal de amor.
Podemos compreender agora melhor porque é que a Igreja escolheu como primeira leitura deste dia o texto do terceiro Isaías no qual Deus diz ao seu povo: “Tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus.” ( Is 62) Os padres da Igreja (teólogos dos primeiros 6 séculos) sempre viram no sinal das bodas de Caná a realização da promessa de Deus: A festa das núpcias com a humanidade começa aqui. É por isso que a palavra «Hora» em S. João é tão importante: Trata-se da hora em que o projeto de Deus foi definitivamente realizado em Jesus Cristo. Por isso Jesus diz a Maria, sua Mãe: « Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». Mas na altura em que vai ser preso, no Jardim das Oliveiras, vai afirmar solenemente. «Chegou a Hora em que o Filho do homem vai ser entregue.» Aqui, nas bodas de Caná, começa a realizar-se esse projeto de Deus que vai realizar-se definitivamente na Hora da sua entrega na cruz. E por isso dirá antes de expirar: «Tudo está consumado». A obra do pai, o seu plano de salvação, foi plenamente realizado.
Para S. João é claro, o projeto de Deus para a humanidade é uma aliança esponsal de amor em que Deus se entrega purificando o seu povo, perdoando os seus pecados, atraindo-o a si com laços
de ternura e de amor. Diz S. Paulo na carta aos Efésios; “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para a santificar, purificando-a, no banho da água, pela palavra. Ele quis apresentá-la esplêndida, como Igreja sem mancha nem ruga, nem coisa alguma semelhante, mas santa e imaculada.” É grande este mistério, este sacramento. Esta união de Cristo com a Igreja. E Paulo serve-se deste modelo para dizer: “Assim devem também os maridos amar as suas mulheres, como o seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. De facto, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo; pelo contrário, alimenta-o e cuida dele, como Cristo faz à Igreja; porque nós somos membros do seu Corpo.” O matrimónio é sacramento, mistério, porque é sinal deste amor esponsal com
que Cristo ama a sua igreja e se entregou por ela.
Que missão bela recebem os casais cristãos ! Fazerem resplandecer no mundo o amor esponsal de Cristo pela Igreja.
O seu amor uno, fiel, indestrutível, paciente, resiliente, capaz de perdoar, participa do amor de Cristo, é fortalecido pela graça de Cristo mas é também sinal para o mundo do amor do Senhor
por cada um de nós.

Jornadas de Formação Permanente – Celebrar e acolher

JORNADAS DE FORMAÇÃO PERMANENTE
15 a 17 de Janeiro de 2019
Temática: Acolher e celebrar, lugares de encontro (com Deus e os homens)
15 de Janeiro de 2019 – 3ª feira
09:30 – Acolhimento
10:00 – Hora Intermédia
10:30 – O Acolhimento pastoral – Pe. Tiago Neto
11:15 – Intervalo
11:45 – O acolhimento pastoral II – Pe. Tiago Neto
13:00 – Almoço

14:30 – Mesa redonda – Lugares do Acolher:
Na paróquia – Filomena Cruz, S. João Baptista
No Hospital – irmã Inês Albuquerque
No Ensino Superior – P. Paulo Simões
A Familia – P. José Augusto, Leiria
17:00 – Vésperas
16 de Janeiro de 2019 – 4ª feira
09:45 – Acolhimento
10:00 – Hora Intermédia
10:30 – O encontro como categoria fundante da fé cristã – Pe. Nuno Santos
13:00 – Almoço
14:30 – A celebração da liturgia como lugar privilegiado do encontro – D. José Cordeiro (Bispo de Bragança-Miranda)
15:30: Intervalo
16:00: As diversas formas de oração cristã, pessoal e comunitária, como lugares do encontro com Deus.
17:00 – Adoração ao Santíssimo
17 de Janeiro de 2019 – 5ª feira
09:45 – Acolhimento
10:00 – Hora Intermédia
10:30 – A fragilidade como oportunidade para encontro com Deus – Prof. Dr. Henrique Vilaça Ramos
13:00 – Almoço
14:30 – O espaço litúrgico como ‘sacramento’ de encontro – Arq. João Alves Cunha
15:30: Intervalo
16:00: O espaço litúrgico como sacramento do encontro II: (Diálogo)
16:30: Palavra final do Sr. Bispo
17: 00: Vésperas

Início percurso Ela&Ele – 19 Jan 2019

Com base na pedagogia dos Percursos Alpha, o percurso “Ela & Ele” visa ajudar os casais a “construir uma relação duradoura”.

Em poucas palavras, trata-se de um percurso em “oito jantares românticos”, em que cada casal começa uma refeição a dois à luz das velas, passando depois por uma apresentação temática intervalada por tempos de diálogo em casal, porque não há discussões em grupo. No final de cada sessão, são propostos exercícios em casal para casa.

Embora seja um percurso promovido pela equipa de pastoral familiar da Paróquia de S. João Baptista, o tema da religião não é propriamente abordado, pelo que é aberto a casais não cristãos.

O preço por casal e por sessão é de 12€ e há serviço de babysitting.

Tem início a 13 de janeiro (2018) um novo percurso para casais «Ela e Ele: como construir uma relação duradoura».

Composto por 8 sessões, dedicadas a temas como a comunicação, a resolução de conflitos, o perdão, a família alargada ou a sexualidade, pretende ajudar qualquer casal que deseje construir uma relação sólida e duradoura, mesmo que não estejam casados católica ou civilmente.

Proporcionando a possibilidade de passar algum tempo juntos e refletir em casal, o PERCURSO ELA E ELE destina-se a qualquer casal que queira trabalhar a sua relação de casal investindo nela, seja para reforçar um casamento sólido, seja para ultrapassar dificuldades do casamento.

Cada sessão começa por uma refeição a dois. Um jantar à luz das velas permite passar tempo juntos em casal. Em cada sessão é apresentada uma exposição por um casal (com o apoio de vídeos, powerpoint, etc.). A exposição é interrompida para fazer exercícios em casal, acompanhados por café, chá e bolos. No final de cada sessão são propostos exercícios em casal para casa.

A intimidade do casal é sempre respeitada. Não há discussões de grupo nem necessidade de dar a conhecer as discussões do casal a qualquer outro.

Esta nova edição vai realizar-se no Instituto Universitário Justiça e Paz (Couraça de Lisboa, nº30 – Coimbra). As sessões decorrem ao sábado à noite, a partir das 20.00 horas, nos dias 13, 20 e 27 de janeiro, 3 e 17 de fevereiro e 3, 17 e 24 de março.

Já muitas dezenas de casais experimentaram. Os seus testemunhos demonstram o quanto fazer o ELA E ELE foi importante: (…) perceber a importância de dedicar tempo ao casal e a importância de verbalizar o amor. (…) colocar-me no lugar do outro, tentar perceber o que o outro sente, pensa, quer. (…) conversar em casal sobre temas que normalmente não conversamos. (…) renovar a nossa relação de amor. (…) ter mais atenção às necessidades do meu cônjuge.

Inscreve-te e traz um casal amigo! curso.ela.e.ele@gmail.com tf 239405706  //  tm 968544141

Folha Paroquial nº 60 *Ano II* 13.1.2019 — DOMINGO DO BAPTISMO DO SENHOR

«O Senhor abençoará o seu povo na paz.»

«EVANGELHO (Lc 3, 15-16.21-22)
Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias. João tomou a palavra e disse-lhes: «Eu baptizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». Quando todo o povo recebeu o baptismo, Jesus também foi baptizado; e, enquanto orava, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E do céu fez-se ouvir uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».»

A Igreja começa o tempo comum, depois da celebração do batismo do Senhor que corresponde ao 1º Domingo do tempo comum. Na vida de Jesus como também na nossa vida de discípulos d’Ele, tudo começa com o batismo. Diz-nos a 2ª leitura de hoje tirada dos Actos dos Apóstolos: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele”.
O Batismo de Jesus no rio Jordão é um facto histórico, bem atestado por todos os evangelistas. Mas estes não nos dão só o facto, relatam-nos também a experiência interior que Jesus viveu neste momento. S. Lucas diz-nos que enquanto Jesus orava, durante o baptismo, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E ouviu-se então a voz do Pai: « Tu és o meu Filho muito amado: Em tu pus toda a minha complacência.»
Mas como é que S. Lucas, que não foi apóstolo, e portanto não estava lá com Jesus, pode ter acesso à experiência que Jesus viveu neste momento e que reorientou a sua atividade de, até aí escondida, para uma vida pública? S. Lucas tem um termo de comparação: É a experiência que a comunidade cristã do seu tempo fazia do batismo. Este sacramento era vivido na assembleia cristã em ambiente de profunda oração e louvor de Deus. Os batizados eram mergulhados na água de uma piscina, diante de toda a comunidade, sinal do seu mergulho no amor Trinitário do Pai , do Filho e do Espírito Santo, através do dom pascal de Jesus. O Espírito Santo, vinha e fazia-os sentir o amor do Pai testemunhando ao seu espírito humano que que eram filhos de Deus no Filho a cujo mistério de morte e ressurreiçaõ se uniam. O mesmo Espírito Santo derramado nos seus corações fazia-os dizer, à maneira de Jesus: « Abbá, Pai». Esta envolvência tão profunda no amor trinitário era o início da vida dos crentes que doravante são chamados a viverem como homens novos, “fazendo o bem” e anunciando as maravilhas de Deus.
S. Lucas não se refere portanto apenas a um saber teológico do que acontece no baptismo mas a uma experiência sensível, de tal forma que usa termos que revelam a dificudade em traduzir a experiência: Diz que o Espírito veio em forma corporal. Mas que quer isto dizer? Se é Espírito, como pode vir em forma corporal? E depois acrescenta, como uma pomba. Não diz que é uma pomba, mas “como uma pomba”. Parece-se com aqueles pintores ou artistas que representam o irrepresentável dando-lhes um estilo etéreo e estilizado. O que S. Lucas quer transmitir é que a experiência de Jesus foi profundamente sensível levando-o ao «estremecimento do coração» como mais tarde nos é contado pelo mesmo evangelista dizendo que “Jesus estremeceu sob a ação do Espírito Santo e rezou: « Bendigo-te ó Pai, Senhor do céu e da terra porque escondeste estas coisas aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos». O batismo terá sido um dos grandes momentos do estremecimento de alegria filial de Jesus. Por isso aqui começa a sua atividade messiânica, para anunciar a Boa nova aos pobres e a libertação aos oprimidos, como dirá na sinagoga de Nazaré.”
Com a cristianização do império, o baptismo começou a ser realizado cada vez mais na idade infantil desligando-o desta experiência sensível, pois a criança não tem consciência do que está a fazer. No baptismo das crianças testemunha-se que tudo é graça já que só Deus se dá sem que possa receber a adesão da fé do baptizado. Por agora esta adesão é dos pais que umas vezes é verdadeira e sincera outras nem tanto. Adia-se assim para mais tarde a experiência do encontro com Jesus que o batizado possa fazer quando aderir pela fé ao Senhor e receber o Espírito Santo.
No entanto também no crisma muitas vezes a preparação consiste mais em receber conhecimentos do que em abrir-se ao dom do Espírito e acontece frequentemente que os crismados também não fizeram nenhuma experiência sensível de encontro com Deus pela ação do Espírito. E por isso também aqui não é o início de nada. Por isso dou tanta importância ao percurso Alpha e a todos os grupos que ajudam o crente a fazer esta experiência sensível do amor de Deus, despertando neles o dom que já os habita desde o batismo mas que tem estado adormecido. Quando se faz, começa então a vida em Cristo e no Espírito. Relembro as palavras de Bento XVI: “Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e com ele, um novo rumo”.
Uma comunidade cristã missionária é uma comunidade que faz a experiência do dom da graça que recebeu e responde entregando-se na missão de anunciar o evangelho aos pobres. Por isso ajudar os cristãos a fazer este encontro com Deus. assumindo o dom do batismo é o grande desafio.

Festa da Epifania – 13 janeiro 2019

Votos de um Ano de 2019 cheio de sucesso e das bênçãos do Senhor.
A Festa da Epifania da Catequese de Infância de São José terá lugar no domingo, dia 13 de janeiro, pelas 15 horas, no Salão Paroquial, a festa é realizada pelas crianças, catequistas e pais. Esta festa avançou uma semana para que houvesse tempo para a preparar com as crianças, após as férias do Natal.

Estão todos convidados a participar e solicitamos que se façam acompanhar de um doce e/ou salgado e uma bebida, para podermos celebrar à volta de um lanche partilhado.

Folha Paroquial nº 59 *Ano II* 6.1.2019 — DOMINGO DA EPIFANIA DO SENHOR

«Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Mt 2, 1-12)
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.»

Todos se reúnem e vêm ao teu encontro
Os profetas do Antigo Testamento foram essenciais para que um povo tão pequeno como Israel pudesse ao longo da história manter viva a sua esperança de povo messiânico e nunca desistir da terra que Deus lhe deu em herança. Os profetas eram homens de visão que iluminados pela fé e pelas promessas de Deus sabiam ler o presente e projetar-se no futuro. Vede como é bela a profecia de Isaías na 1ª leitura de hoje! Israel tinha acabado o seu exílio na Babilónia e ainda estava bem marcado pelo sofrimento e o desânimo, até porque o regresso foi uma desolação. Encontraram um país pobre e devastado e faltava o ânimo para começar a erguer a cidade e o país. Apesar disso sempre era melhor que estar exilado na Babilónia e o profeta lembra-lhes que ainda há pouco tempo a cidade estava vazia e em completa ruína num quadro de noite e de escuridão, mas agora uma luz de esperança se levanta sobre ela. E o profeta anuncia a chegada de uma luz salvadora «Sobre ti levanta-se o Senhor» E assim todos os que esperam a salvação de Deus virão a Jerusalém e inundá-la-ão de alegria e riquezas cantando os louvores de Deus.
Ontem como hoje, qualquer pessoa ou povo precisa de ter esperança e ter metas a alcançar para lutar. O livro dos Provérbios diz que “sem profecia o povo vive na corrupção” (proverbios29,18), mas outra tradução diz: «Sem visão o povo vive desorientado» o que quer dizer a mesma coisa. Por isso a promessa do profeta Joel para os tempos messiânicos é que «Naqueles dias os vossos filhos e filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos e os vossos jovens terão visões» (Joel 3,1)
Para muitos cristãos a situação da Igreja no Ocidente, retratada em muitas das nossas paróquias pode parecer também desanimadora. Há decréscimo do número de praticantes, há menos crianças na catequese e estas vão desaparecendo a partir do 3º ano da catequese e cada vez as referências da fé parecem estar mais ocultas da vida social e familiar. Vivemos numa cultura que não respeita a vida e se vai afastando cada vez mais das referências do evangelho inclusivamente nas famílias que se dizem cristãs. Mas nada está perdido; a Igreja já passou por estas situações mais vezes na sua história. Os homens e mulheres de hoje continuam a ter sede de Deus e de verdade pois “foram criados por Ele o seu coração vive inquieto enquanto não o encontra.” Então o que precisamos ? De sonho e de visão. A visão é um sonho que produz paixão em nós pois vemos no presente o que será o futuro. É uma imagem do futuro que vemos antecipadamente. E de onde vem essa imagem? Vem de Deus quando a pedimos em conjunto. Senhor o que queres de nós? Para onde devemos concentrar o nosso olhar no futuro? A escuta dos destinatários da nossa missão e a escuta da voz de Deus através da Igreja, ajuda-nos a encontrar essa imagem do futuro à qual deveremos ser fieis até que se realize.
Mas ela não se realiza por si, é preciso que se trabalhe muito e seja cada vez maior o número dos que se envolvem na realização da profecia ou da visão.
O texto dos Magos hoje mostra-nos que os príncipes dos sacerdotes, os escribas do povo e o próprio povo de Jerusalém sabiam onde devia nascer o Messias e dão essa informação a Herodes: “Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Apesar de saberem isso tudo, não mexeram um pé para irem ao seu encontro e a luz da salvação brilhou para os que O procuraram e adoraram humildemente e deixou na escuridão aqueles que sabiam tudo acerca d’Ele. Não chega saber e pertencer ao grupo dos que sabem. É necessário mexer-se e ir ao seu encontro.
Há extintores do sonho e da visão tais como: “Nunca fizemos isso”, preconceitos, fadiga, pensamento a curto prazo.
Os magos são homens de visão e de sonho. Desde que souberam ler nos astros um sinal, puseram-se a caminho guiados pela estrela da esperança e não desanimaram até que chegaram à realização da promessa que mudou as suas vidas.
Eu pessoalmente vejo as paróquias de S. José e S. João Baptista com grande esperança de futuro. Vejo–as a viver a comunhão fraterna na vivência do mandamento novo, acolhendo a todos com amor e alegrando-se com os novos que chegam, vejo os irmãos a crescerem na identificação com Cristo através de muitos pequenos grupos onde cada um é escutado e amado e onde todos podem ter voz e serem acolhidos não como números mas como pessoas. Vejo uma comunidade fiel à Eucaristia dominical que vai para ela como se fosse para uma festa, uma comunidade fiel ao serviço dos irmãos com uma grande capacidade de partilha com os mais pobres. Vejo crianças felizes por conhecerem a Deus e famílias que são oásis de vida e de amor num mundo de cultura de morte. Vejo uma comunidade que resplandece e que atrai aqueles que se sentem insatisfeitos com o vazio e a escuridão do mundo e que procuram sentido para a existência. Vejo uma comunidade comprometida com a paz e a justiça e dela brota gente com um espírito novo para o serviço nas diversas áreas da construção de um mundo mais justo. Vejo jovens que comprometidos com a sua fé seguem a Cristo segundo diferentes vocações onde alguns vão para o sacerdócio e vida consagrada. Porque não havemos de poder profetizar tempos novos? Deus diz em Jeremias 29, 11: “Eu conheço bem os desígnios que tenho acerca de vós, desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro de esperança – oráculo do Senhor.”