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Folha Paroquial nº 80 *Ano II* 09.06.2019 — DOMINGO DE PENTECOSTES

«Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra.»

A folha pode ser descarregada aqui (Pentecostes)

 

EVANGELHO (Jo 20, 19-23)

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

 

MEDITAÇÃO

Uma comunidade missionária na força do Espírito

Uma das tradições da criação do homem relatada no livro dos Génesis diz que «Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo.» Na Páscoa-  Pentecostes, acontece a nova criação, Jesus soprou de novo sobre a humanidade marcada pelo pecado e diz-lhes: «Recebei o Espírito Santo». O verbo utilizado é o mesmo no Génesis e em S. João, quando diz: “Jesus soprou sobre eles e disse: « Recebei o Espírito Santo» Dar a vida é obra do Espírito. Sobretudo dar-nos a vida de Deus, fazer-nos participar da sua intimidade, da comunhão com Ele. Mas esta intimidade de amor, a que Ele nos conduz, não se confunde com «intimismo», isto é, com ficarmos fechados em nós mesmos, voltados para a doce experiência que estamos a viver, indiferentes ao mundo. Uma verdadeira e autêntica experiência do Espírito volta-nos para os outros, para a missão para o serviço fraterno como tenho vindo a dizer nas últimas homilias. Ontem, como hoje, precisamos constantemente deste Espírito para não ficarmos fechados nas nossas belas igrejas ou sacristias. O Espírito impele-nos a «fazer-nos ao largo», a sairmos ao encontro do mundo, a irmos onde estão as pessoas, a proclamarmos, de todas as formas possíveis, que Jesus está vivo, que, quando lhe abrimos o coração, uma nova vida acontece. Deus ama os homens e quer o seu bem e a sua salvação. O Espírito leva-nos a não nos fecharmos nos nossos interesses pessoais, mas a acreditarmos que vale a pena sermos generosos e a entregarmo-nos ao serviço dos outros. Quando o decidimos fazer, O Espírito vem em nosso auxílio e desenvolve em nós capacidades espirituais e humanas que desconhecíamos a que chamamos dons ou carismas, como fala a segunda leitura. Esses dons são para o crescimento do Corpo que é a Igreja. E quanto precisamos do aparecimento desses dons na nossa comunidade!!! Dons para o canto e para a música, dons para a evangelização, dons de coordenação e liderança, dons para trabalhar com os adolescentes e os jovens, dons do Conselho e da Sabedoria, e nunca mais acabava. Mas é certo que os dons só se descobrem quando já estamos com as «mãos na massa». Cada membro da comunidade tem dons, o importante é que cada um esteja disponível para os pôr a render.

O que poderia ser uma comunidade cheia do Espírito? Seria uma comunidade missionária semelhante à que nos é apresentada nos Atos dos Apóstolos:

1.Seria uma comunidade de louvor voltada para Deus mostrando de onde vem a sua vida; «Louvavam a Deus e tinham a simpatia do povo.» (At 2,47) Por isso a celebração jubilosa da fé seria o seu ponto alto.

2. Mas ela seria também uma comunidade onde as relações de amor fraterno saltariam à vista, acolher-se-iam uns aos outros com alegria e respeitar-se-iam mutuamente inserindo aquele que é diferente. «Eram assíduos à comunhão fraterna, entre eles não havia necessitados pois iam em auxílio uns dos outros, partilhavam o pão nas suas casas com alegria e simplicidade de coração». (At 2,42)

3. Seria uma comunidade fortemente enraizada na fé e por isso sempre pronta a ser formada na Palavra de Deus e a assumir a cruz e as dificuldades da vida. «Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos…» (At 2,42)

4.Seria uma comunidade pronta para servir com alegria: “Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos”. (At 2,45 )

5.Seria uma comunidade evangelizadora porque, na força do Espírito, não poderiam calar o que viam e ouviam. E como consequência desta forma de viver, Seria uma comunidade em crescimento constante (At 2,47), pois o crescimento acontece sempre que um corpo está são e feliz, e a Igreja é um corpo vivo que quando está são, só pode crescer. «O Senhor aumentava todos os dias o número dos que entravam no caminho da salvação»

Poder-me-ão objetar: Mas isso seria uma igreja ideal e não a Igreja real que é feita por homens pecadores. Sim, haverá sempre problemas na vida da igreja por causa das nossas fraquezas e pecados. No entanto se não tivermos diante de nós o ideal do que deve ser a Igreja, como Cristo a sonhou, nunca daremos passos para lá chegarmos. Quando trabalhamos para isso poderemos nunca realizar totalmente o ideal perfeito, mas podemos chegar lá perto, e isso é possível. Muitas comunidades o conseguiram no passado e continuam a consegui-lo no presente. Que o Espírito Santo, vendo a nossa sede d’Ele, venha e nos inunde do seu Fogo Divino.

 

Oração

Espírito Santo, que és Senhor, e onde chegas tudo renovas e refrescas, vem sobre nós, sobre esta Diocese de Coimbra, sobre o seu Bispo e todo o seu povo e, de um modo especial, te pedimos um Pentecostes Novo sobre esta paróquia e seus fiéis. Lança-nos para o mar alto, para que não cedamos à tentação de ficar na segurança da praia. Dá ao pastor e aos fiéis ousadia e confiança. Inspira-nos e guia-nos, liberta-nos dos medos e do enclausuramento em nós mesmos. Pela tua inspiração, torna-nos criativos para sabermos encontrar soluções novas para problemas novos e a não nos deixarmos levar pela rotina daquilo que sempre fizemos, quando vemos que já não dá. Espírito Santo, dá-nos a humildade do Coração de Jesus e lembra-nos sempre a palavra da Escritura: «Não é pelo poder nem pela força, mas pelo Espírito de Deus». Dá-nos os carismas que precisamos para o serviço, sobretudo o da caridade uns pelos outros e dá-nos uma profunda alegria em servir o Senhor de todo o coração. Espírito Divino, faz com que a Tua Igreja Santa resplandeça o rosto bendito de Cristo ressuscitado e seja um Sinal de esperança para todos os homens. Que pela tua ação renovadora se possa dizer hoje, entre nós, como no princípio, que o Senhor aumenta todos os dias o número dos discípulos que entram no caminho da salvação. Vem, Espírito Santo, Vem. Vem. Amen.

 

 

 

Folha Paroquial nº 79 *Ano II* 2.06.2019 — ASCENSÃO DO SENHOR

«Ergue-Se Deus, o Senhor, em júbilo e ao som da trombeta.»

A folha pode ser descarregada aqui.

 

EVANGELHO (Lc 24, 46-53)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas disso. Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto». Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu. Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus.

 

MEDITAÇÃO

Sereis minhas testemunhas

A Ascensão de Jesus ao céu, completa uma etapa do plano divino da salvação. O Filho eterno fez-se carne e habitou entre nós realizando toda a obra para a qual o pai O tinha enviado. Jesus exprimiu-o assim: “Pai, Eu manifestei a tua glória na Terra, levando a cabo a obra que me deste a realizar. E agora Tu, ó Pai, manifesta a minha glória junto de ti, aquela glória que Eu tinha junto de ti, antes de o mundo existir.” Regressado ao Pai, foi coroado de glória e de honra e “sentou-se à direita do Pai”, como Cordeiro imolado a quem é devido a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos. (Ap). Ele abriu-nos as portas do céu. Foi à nossa frente preparando-nos o lugar para que “onde Ele estiver nós possamos estar também”. Como cabeça do corpo que é a Igreja, para aí nos chama como membros do seu corpo. Por isso, a Ascensão do Senhor é a nossa esperança imortal.

  1. Lucas, no seu relato do mandato missionário na Ascensão, tanto no Evangelho como no livro dos Atos, de que é também autor humano, apresenta-o de maneira diferente dos outros evangelistas. Enquanto em S. Mateus, S. Marcos e S. João, Jesus utiliza os verbos no imperativo, «Ide, e fazei discípulos, ide e proclamai, em S. Lucas os verbos estão no presente e no futuro. Ele não o apresenta sob a forma de mandato imperativo, mas sob a forma de promessa profética. Vejamos na 1ª leitura de hoje, dos Atos: “recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra”. E no Evangelho diz: «Vós sois testemunhas disso». Em ambos os casos, promete o Espírito Santo para que transforme os discípulos em testemunhas vivas da Sua ressurreição e da Sua salvação. O discípulo é convidado a deixar-se conquistar, habitar e transformar por este poder divino que o Pai nos envia no nome de Jesus.

Ser testemunha tem a ver com a coerência de vida entre o que se experimentou de Deus e a vida que se leva que tem de  estar de acordo com aquilo que dizemos crer . Escrevia Paulo VI na Evangelii Nuntiandi: …” Esta Boa Nova há- de ser proclamada, antes de mais, pelo testemunho. Suponhamos um cristão ou punhado de cristãos que, no seio da comunidade humana em que vivem, manifestam a sua capacidade de compreensão e de acolhimento, a sua comunhão de vida e de destino com os demais, a sua solidariedade nos esforços de todos para tudo aquilo que é nobre e bom. Assim, eles irradiam, de um modo absolutamente simples e espontâneo, a sua fé em valores que estão para além dos valores correntes, e a sua esperança em  qualquer coisa que se não vê e que não se seria capaz sequer de imaginar. Por força deste testemunho sem palavras, estes cristãos fazem aflorar no coração daqueles que os vêem viver, perguntas indeclináveis: Por que é que eles são assim? Por que é que eles vivem daquela maneira?

O que é, ou quem é, que os inspira? Por que é que eles estão connosco? Pois bem: um semelhante testemunho constitui já proclamação silenciosa, mas muito valiosa e eficaz da Boa Nova. Nisso há já um gesto inicial de evangelização.” Mas depois acrescenta: “Entretanto isto permanecerá sempre insuficiente, pois ainda o mais belo testemunho virá a demonstrar-se impotente com o andar do tempo, se ele não vier a ser esclarecido, justificado, aquilo que São Pedro chamava dar “a razão da própria esperança”, (52) explicitado por um anúncio claro e inelutável do Senhor Jesus. Por conseguinte, a Boa Nova proclamada pelo testemunho da vida deverá, mais tarde ou mais cedo, ser proclamada pela palavra da vida. Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados. “

Quando se fala no anúncio do Evangelho é frequente ouvir-se dizer: O que conta é o testemunho da vida, as palavras não são o mais importante. Embora a frase tenha um lado de verdade, é preciso, porém, não esquecer que também pode servir para uma boa desculpa para a nossa dificuldade em partilhar a nossa fé com outros. Como achamos que nunca somos testemunhas perfeitas o melhor é estarmos calados, e assim não evangelizamos. Se estivermos à espera do dia em que sejamos perfeitos para evangelizar nunca o faremos. Mas na medida em que formos falando de Deus, iremos sentindo o dever de sermos mais autênticos na nossa vida cristã. Porém, uma vida em total contradição com o Evangelho, descredibiliza a fé e torna-se escandalosa.

No entanto, o testemunho da vida não é algo que se faça num dia, é o fruto de ações diárias que vão criando hábitos na nossa vida e vão forjando o nosso carácter. Na vida vamos fazendo escolhas que são fruto da nossa forma de pensar; essas escolhas repetidas criam em nós hábitos, e estes repetidos, formam o nosso carácter, isto é, a nossa maneira de ser e agir. Quando não temos fé fazemos escolhas que não são conduzidas pela Palavra de Deus, mas quando nos convertemos a Deus começamos a sentir necessidade de mudar as nossas ações e pô-las de acordo com o Evangelho. Essa mudança de atitudes são reveladoras da obra de Deus em nós e são um testemunho sem palavras de que o Espírito de Deus vive em nós.

Quem dera que todos os cristãos que conhecem o Senhor, embora não sejam perfeitos, sentissem o dever de testemunhar uma vida marcada pelo Evangelho do Senhor.

Neste dia da Ascensão peçamos a graça de sermos testemunhas d’Ele pela palavra e pelas atitudes de vida. Ele estará sempre connosco até ao fim dos tempos.

 

 

Adolescentes do 5º ano de catequese celebram a esperança perante a comunidade paroquial

No passado dia 26 de maio, a igreja de S. José acolheu a habitual comunidade paroquial, na Eucaristia das 11h, e, de modo especial, as 46 crianças do 5º ano de catequese que, cumprindo o itinerário catequético, celebraram a Festa da Esperança. A igreja tornou-se pequena para todas as pessoas que quiseram testemunhar mais este passo na vida cristã destes adolescentes.

A celebração iniciou-se com a explicação do significado da palavra “Esperança”. Frente ao altar, nove crianças seguraram as letras da palavra, revelando o sentido de se fazer uma Eucaristia especial, tendo como foco o percurso da obra criadora de Deus para com o Seu Povo.

Inserida na Eucaristia dominical, esta celebração, conduzida pelo Padre Filipe Dinis, cumpriu todos os rituais habituais, contando com a participação dos adolescentes em quase todas as tarefas que integram o ritual atribuído aos leigos.

Coube ao Padre Filipe Dinis a presidência da celebração, que na homilia se focou no significado da palavra “Esperança”. Fez menção à génese da palavra, remetendo para a necessidade de viver em paz e no amor. “A palavra “Esperança” remete-nos para o verbo “esperar” e para esperar por algo ou por alguém é preciso ter paciência, que vem da palavra paz”, referiu o Pe. Filipe Dinis em resultado do diálogo estabelecido com as crianças.

Para além da necessidade de viver em paz, chamou a atenção para a importância do amor como alimento da esperança, conduzindo o olhar da assembleia para a imagem que ilustrou a homília deste domingo, da autoria de Fano. “Nesta imagem vemos duas pessoas que se estão a abraçar, que estão a ser bons companheiros”, afirmou o Pe. Filipe, lembrando que “se eu partilho, se eu abraço, se estou ao lado do outro, eu espero que também estejam ao meu lado”. Assim é a relação com Deus, desde a criação até à vida eterna.

Na reta final da homilia, o Pe. Filipe Dinis questionou os adolescentes: “vocês acreditam que Deus está na vossa vida?” Em uníssono a comunidade ouviu um sim convicto e, incentivados, foram dizendo onde O encontram: nas pessoas, na Missa, na escola, na catequese, na oração… Para concluir, o celebrante fez também menção aos pais “que nos dão o pão, o alimento”, mas também aos catequistas e aos professores, onde Deus também se revela.

“Temos esperança em Deus” afirmaram as crianças de forma convicta e audível no final da homilia.

Para além das dádivas da comunidade, recolhidas no ofertório, estiveram presentes três símbolos: as tábuas da lei, “onde estão as leis/mandamentos que orientam para o caminho do bem”, as alianças, “que representam o

compromisso com Deus”, e o catecismo, “onde se conhece e percebe qual o caminho a seguir”, explicaram. Neles, os adolescentes pretenderam dar sinal da intenção de “reforçar a esperança em Deus”, tal como afirmaram perante a comunidade.

A concluir a celebração, o Pe. Filipe Dinis dirigiu um “agradecimento aos pais pela presença e pelo testemunho” e convidou todas as crianças da catequese de infância da Igreja de S. José a integrar o coro infantil, assim como, a inscreverem-se nas aulas de religião e moral nas escolas, a serem acólitos, para que o compromisso assumido com Deus seja visível e efetivo.

Ana Carvalho

Folha Paroquial nº 78 *Ano II* 26.05.2019 — DOMINGO VI DA PÁSCOA

« Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.»

A folha pode ser descarregada aqui.

 

EVANGELHO ( 14, 23-29)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».

MEDITAÇÃO

O dom do Espírito e o serviço fraterno
Estamos nas últimas horas da vida de Jesus, mesmo antes da Paixão: a hora era dramática… Podemos imaginar a angústia dos últimos momentos, apercebemo-nos dela através de algumas linhas, uma vez que, repetidamente, Jesus dá aos seus discípulos palavras de tranquilidade: «Não se perturbe nem se intimide o vosso coração». Mas Jesus permanece muito sereno: aqui, como ao longo de toda a paixão, é Ele quem tranquiliza os discípulos! Ele inclusive
anuncia o que vai acontecer: «Digo-vos estas coisas agora antes que elas aconteçam, para que, quando acontecerem possais acreditar». A chave deste texto é o termo «Palavra»: ele aparece várias vezes e se olhamos para o que está antes não há dúvida possível. «A Palavra que vós escutastes não vem de Mim mas do Pai que Me enviou». Dito de outro modo, Ele é o enviado do Pai, Ele é a Palavra do Pai. Doravante é o Espírito Santo que fará compreender esta palavra e a guardará na memória dos discípulos. E que Palavra é esta que é preciso absolutamente guardar? É o “mandamento novo do amor”: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei», o que é o mesmo que dizer: «Colocai-vos ao serviço uns dos outros», e, para se fazer compreender bem, Ele mesmo deu um exemplo muito concreto lavando os pés dos seus discípulos. Ser fiel à sua Palavra, é, pois, simplesmente colocar-se ao serviço dos outros. E, finalmente, no texto de hoje, «Quem Me ama guardará a minha Palavra», pode assim traduzir-se: «Quem me ama coloca-se ao serviço dos outros…». Inversamente, «Aquele que não me ama não se colocará ao serviço dos outros…», o que não se coloca ao serviço dos outros não guarda a palavra de Cristo! E assim compreendemos melhor o papel do Espírito Santo: é Ele quem nos ensina a amar de verdade, pois Ele nos lembra o mandamento do amor. Ele, o Espírito, é o Defensor porque nos defende de nós mesmos, dado que a nossa maior infelicidade é esquecer que o essencial consiste em nos amarmos uns aos outros, colocando-nos ao serviço uns dos outros. Quando vemos o Espírito em ação, Ele está sempre a enviar-nos ao serviço. Maria, cheia do Espírito, depois da Anunciação, vai ao encontro de Isabel para a servir; nos Atos dos Apóstolos, a primitiva comunidade cristã colocava os seus bens ao serviço da comunidade; no texto de hoje, dos Atos dos Apóstolos (1ª leitura) vemos o Espírito em ação no chamado 1º Concílio de Jerusalém onde surgem dificuldades de relação entre cristãos vindos do paganismo com cristãos vindos do judaísmo. O Espírito de Amor inspirou aos discípulos de Cristo a vontade de manter a unidade e não imporem fardos pesados aos cristãos de origem pagã.
Sempre que alguém está cheio do Espírito Santo torna-se um servidor dos irmãos. Por isso, S. Paulo, quando fala dos carismas que o Espírito faz brotar nos cristãos para o serviço da comunidade, dá-lhes um critério de discernimento, «um caminho que ultra passa tudo»… e depois apresenta o hino da caridade: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, ainda que eu tenha carismas de profecia e de línguas e de martírio, se não tiver amor de nada
me vale, pois, ainda que esses carismas possam ter brotado do Espírito, nós abusámos deles colocando-os ao nosso serviço e assim eles não servem de nada para o nosso bem”. O carisma ou dom só nos enriquecem se forem exercidos por amor e para o amor. Estamos a aproximar-nos do Pentecostes: peçamos todos o dom do Espírito que nos leve a formar uma comunidade de servidores que vivem o mandamento novo do serviço por amor.

Folha Paroquial nº 78 *Ano II* 19.05.2019 — DOMINGO V DE PÁSCOA

«Louvarei para sempre o vosso nome, Senhor, meu Deus e meu Rei. »

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EVANGELHO (Jo 13, 31-33a.34-35)
Quando Judas saiu do Cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora. Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros». 

MEDITAÇÃO

1. Com Cristo ressuscitado e o envio do Espírito começaram os
novos céus e a nova terra.
O livro do Apocalipse que lemos como segunda leitura, fala-nos da visão de um novo céu e uma nova terra onde já não há lágrimas, não há morte, nem luto, nem dor. O que era antigo passou. Primeiro céu, primeira terra, reenvia-nos para o Génesis, o primeiro livro da Bíblia. Assim, para entendermos o último livro da Bíblia, temos de ir ao primeiro, já que o último é a consumação em plenitude do primeiro. No Génesis lemos: “Deus criou o céu e a
terra” e deu-se conta de que a Sua criação era boa, e no caso do homem e da mulher, era muito boa. E no entanto fazemos a experiência quotidiana de lágrimas, de luto, de tristezas, injustiça e dor. É também o Génesis que nos dá a explicação de que este mundo belo e bom, foi atingido gravemente na sua beleza, harmonia e felicidade pelo pecado dos nossos primeiros pais do qual todos fomos herdeiros e retransmissores. Ele diz-nos que a raiz de todos os sofrimentos está na falha que se cavou entre Deus e a humanidade. É esta desconfiança original que arruina a Aliança e que empurra a humanidade a tomar caminhos que só lhe reservam fracassos. Mas Deus, que sempre amou os homens, não desiste do Seu sonho de uma humanidade nova e vai-o fazendo saber ao longo da revelação bíblica. O profeta Isaías refere-se a esta nova humanidade com palavras muito parecidas com as do Apocalipse escutadas hoje: «Eis que eu vou criar um novo céu e uma a nova terra…já não mais se lembrarão do passado. Exultai de alegria, rejubilai pelo que vou criar (…) jamais se ouvirão gritos de dor e lágrimas de sofrimento» ( Is 65, 17-20).
Parece-nos ouvir ressoar nestes textos aquilo que Paulo diz: «Os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há-de manifestar em nós. A criação espera com impaciência a revelação dos filhos de Deus…ela aguarda na esperança a libertação da escravidão da corrupção, para participar na liberdade dos filhos e Deus. De facto, a criação inteira geme e sofre ainda as dores de parto» (Rom 8, 19-22).
Jesus utilizou mais a expressão «Reino de Deus» para falar dessa novidade que Ele veio trazer e se há-de consumar em plenitude. E esse Reino que esperamos e para o qual trabalhamos é, ao mesmo tempo, continuidade e rutura com esta terra que habitamos. O nosso trabalho de cristãos e de todos os homens de boa vontade contribui grandemente para a renovação da Criação, pois a intervenção de Deus transfigurará os nossos esforços.
Qual a nossa colaboração para que venham os novos céus e a novaterra?

2. Pela evangelização o mundo é transfigurado
Em primeiro lugar é necessário que Deus venha ao coração dos homens e da história. Sem a ação de Deus no coração dos homens não há Reino de Deus, não há novos céus e nova terra. Por isso, é necessária a evangelização, como fizeram os apóstolos depois da ressurreição e do envio do Espírito, como nos conta a primeira leitura de hoje. Todo aquele trabalho dos apóstolos em anunciarem o Reino de Deus é porque eles sabiam e acreditavam, que pela força do Evangelho, o mundo pode ser transformado em Reino de Deus e, ontem como hoje, nós vemos isso a acontecer. Aí onde o Evangelho entra, um pequeno pedaço do mundo novo começa a ver-se. O Evangelho muda o coração das pessoas e leva-as a agirem como Cristo, conduzidas pelo seu amor que as habita. Ah, se todos os cristãos percebessem quanto é necessária a evangelização e que esta não se trata tanto só de algo religioso, de um trabalho de transfiguração do mundo pois quando Deus deixa de habitar o nosso coração o mundo transforma-se em imundo, o cosmos transforma-se em caos.

3. A vivência do Mandamento Novo é sinal da presença do Espírito Santo no coração dos homens a renovar todas as coisas.
É isso que faz com que o mandamento seja novo. O que é novo não é o amarmo-nos uns aos outros, pois isso já vinha do Antigo Testamento. O que é novo é amar como Ele, quer dizer, sendo completamente guiados pelo Seu Espírito, amar com o amor que vem d’Ele. E assim compreendemos melhor as suas palavas: «É por este sinal que todos reconhecerão que sois meus discípulos; se vos amardes uns aos outros». Mais do que um mandamento é uma constatação. Se somos seus discípulos é o seu próprio Espírito que dita os nossos comportamentos. Deus sabe quanto amar no concreto, no dia a dia, é dificil para nós. Pois bem, se o conseguirmos fazer nas nossas comunidades cristãs, o mundo será obrigado a admi”r que o Espírito de Cristo age em nós! Somos, pois, convidados a um ato de fé! Crer que o seu Espírito de amor nos habita, que os seus recursos de amor que doravante temos connosco são capacidades de amor insuspeitadas porque são as de Jesus em nós. E então torna-se possível amar «como Ele»
porque o seu Espírito vive em nós. E se o fazemos estamos a criar os novos céus e a nova terra, onde o amor tudo vence: As guerras, o ódio, a injustiça, o mal. Não podemos confundir amor com sensibilidade. Jesus disse que
nos amássemos uns aos outros e disse-o num contexto de serviço, de lava pés. Nós até podemos sentir alguma «alergia» sentimental para com alguns irmãos. Os sentimentos são o que são e não os mudamos quando
queremos, mas podemos decidir amar os irmãos mesmo se eles não nos
atraem nada sentimentalmente.
Podemos decidir fazer-lhes todo o bem que Jesus lhes faria, servindo-os com alegria e humildade no amor de Jesus. E assim estamos a construir os novos céus e a nova terra onde habitará a justiça e o amor, e onde Deus será tudo em todos. Que venha o teu Reino, que venha o teu Espírito, que venham os novos céus e a nova terra. 

Folha Paroquial nº 76 *Ano II* 05.05.2019 — DOMINGO III DE PÁSCOA

«Eu vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.»

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«EVANGELHO (Jo 21, 1-14)
Naquele tempo, Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto ao mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Disse-lhes Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?». Eles responderam: «Não». Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. O discípulo predilecto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes. Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.»

MEDITAÇÃO
A ressurreição de Jesus inaugurou um tempo novo e um mundo novo. Os textos da vigília pascal começam pela criação para depois, na oração que se segue, o presidente dizer que «O sacrifício de Cristo, nosso cordeiro pascal, é obra ainda mais excelente que o ato da criação no princípio do mundo.» E no canto do precónio diz-se: «De nada valeria termos nascido se não tivéssemos sido resgatados». Pela ressurreição de Jesus, Deus entrou na história e agiu, conduzindo a criação para um tempo novo que será consumado no fim dos tempos. A morte foi vencida, O Espírito Santo foi derramado sobre cada homem e agora habita o mundo para o levar à sua plenitude. Diz o Concílio Vaticano II, na Gaudium et Spes: «Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação e uma nova terra na qual reina a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens. Então, vencida a morte, os filhos de Deus ressuscitarão em Cristo e aquilo que foi semeado na fraqueza e na corrupção, revestir-se-á de incorruptibilidade, permanecendo a caridade e as suas obras, todas as criaturas que Deus criou para o homem serão libertadas da escravidão da vaidade» (GS, 39). E, no número anterior, lembra-nos que este mundo novo é fruto da ressurreição e do envio do Espírito aos corações dos homens e que, este Espírito não só suscita o desejo da vida futura, mas anima, purifica e fortalece também os homens a trabalhar para tornar a vida mais humana, mais segundo o desígnio divino. No entanto, nesta construção do reino de Deus, já a acontecer, temos de contar com um duro combate que se trava na história e nos nossos corações. Na primeira leitura de hoje, vemos esse combate. O Sumo Sacerdote diz aos apóstolos: «Já vos proibimos formalmente de ensinar em nome de Jesus; e vós encheis Jerusalém com a vossa doutrina e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem». Hoje, também, em muitos lugares do mundo, existe a mesma interdição de falar do nome de Jesus, e onde ela não existe, formalmente, como é o caso da Europa ocidental, existe sub-repticiamente, tentando que a comunidade dos discípulos de Jesus, a Igreja, não tenha espaço de cidadania. A muitos não lhe importa que a Igreja exista desde que o seu trabalho seja feito dentro das quatro paredes do templo, sem tentar influenciar a sociedade. Ora Jesus convida-nos e envia-nos para o mundo a anunciar a sua palavra para o mundo ser transformado. Jesus disse: «Vós sois o sal da terra , vós sois a luz do mundo”. Não se trata de impor nada a ninguém pois a fé não pode ser imposta, já que tem a ver com uma decisão pessoal da consciência. Mas pode e deve ser proposta a todos os que a quiserem ouvir. Se vejo alguém a morrer de sede não o posso obrigar a beber a água que o salvaria, mas posso e devo dizer-lhe onde está a água que lhe mataria a sede e o restabeleceria. O maligno, que se apresenta de diversas formas, tenta calar a palavra de Deus para que ela não transforme o mundo, e ele age fora da igreja mas também dentro da igreja, o que é ainda pior, pois a desacredita. Mas os discípulos de Jesus não devem deixar-se vencer pois Jesus disse: «No mundo tereis muitas tribulações mas não tenhais medo: Eu venci o mundo.» E aqui mundo quer dizer tudo aquilo que se opõe a Deus e ao seu projeto de salvação. Os discípulos de Jesus, de ontem e de hoje, receberam a missão de, iluminados e fortificados pelo Espírito, colaborarem com Deus para que o mundo novo que já começou, pela sua encarnação, morte, ressurreição e Pentecostes seja levado à plenitude. Mas para isto temos de estar preparados para sofrer pelo nome de Jesus. Encanta-me a forma como os apóstolos encararam os sofrimentos que lhes foram infligidos por causa de pregarem a Palavra: «Os Apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido serem ultrajados por causa do nome de Jesus.» Para seguir Jesus e ser testemunha dele é preciso estar disposto a sofrer por ele, até ao martírio, se necessário for. Onde a Igreja é mais forte é onde sofre por causa de Jesus. Onde ela vive em liberdade corre sempre o risco de entrar numa frouxidão, numa mornice e tibieza de que nos fala o Apocalipse: «Tenho contra ti que não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente mas és morno e aos mornos vomito-os da minha boca.» É por causa de uma vivência cristã frouxa, débil, que recusa a cruz, que hoje a Igreja sofre humilhações em toda a terra, pois deixámos o mundanismo entrar nela como se vê com os escândalos que vão aparecendo também dentro da igreja e nos clérigos: é a corrupção, a vergonha, o pecado. E aqueles que eram destinados a serem “sal da terra” para preservar o mundo da corrupção tornam-se, eles mesmos, os corruptores. «Mas Deus não desiste da sua Igreja e sobretudo do seu projeto de salvação. Ele procura almas que desejem servi-Lo e amá-Lo para que o mundo seja salvo. Ele está vivo e a força da sua ressurreição é imparável. Felizes os que acreditam e que aceitam colaborar com Ele na construção de uma nova civilização de amor e justiça.

 

«Mãe de Deus, Nossa Senhora, intercede
por todas as mães nas suas mais diversas necessidades.
Que o amor e a generosidade de todas elas sejam exemplo sempre presente no coração de todos os filhos.
Mãe querida, ajuda todas as mães que geraram os seus filhos para a vida, a gerarem-nos também para a graça.
Virgem Maria, faz com que todas as mulheres saibam ser no mundo um sinal da presença materna de Deus.
Ámen.»

Festa do Pai Nosso traz à Igreja de S. José cerca de 80 crianças

A Festa do Pai Nosso faz parte do itinerário catequético do 2º ano. Na Igreja a referida celebração juntou crianças e respetivas famílias que, reunidas como irmãos, fizeram a oração ensinada por Jesus aos discípulos. Foram cerca de 80 crianças que no passado dia 28 de abril, confirmaram a aprendizagem da oração feita em todas as Eucaristias, e concretamente do significado de cada palavra que a compõe.

Presidida pelo Frei Pedro, a celebração teve início com uma procissão de entrada, na qual, para além da imagem de Jesus Crucificado e das velas que representavam a luz de Cristo Ressuscitado, seguiram as flores construídas em cada grupo e que simbolizavam cada criança que fez a Festa do Pai Nosso.

As leituras e o salmo, foram proclamados pelos pais das crianças. O Frei Pedro, que presidiu a celebração, desafiou as crianças a partilhar os ensinamentos recebidos na catequese e, particularmente, a falar da oração do Pai Nosso com aqueles com quem convivem diariamente, dizendo: “assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós”.

Terminada a homília, mais uma vez, os pais foram envolvidos nas preces que integraram a Oração dos Fiéis, levando a assembleia a orar pela humanidade e em especial pelas crianças, para que não percam o ânimo de rezar ao Pai do Céu.

Mais tarde, junto do ambão, as crianças, explicaram em 20 frases o que aprenderam sobre cada prece da oração do Pai Nosso. Feita a explicação, a comunidade deu as mãos para, como irmãos, rezar a oração que Jesus nos ensinou, dando especial ênfase a este momento da Eucaristia.

De hoje em diante, as crianças do 2º ano conhecem a melhor forma de falar com o Pai do Céu e é-lhes confiada a missão de não deixar de lhe falar, através da oração.

Para confirmar a aceitação do desafio que Jesus lhes deixou, cada um recebeu das mãos do Frei Pedro o respetivo diploma, que comprova que cada um é conhecedor das palavras que o Filho de Deus nos ensinou. Além do diploma, cada criança recebeu também um marcador de livros, com a imagem de uma flor, que representa, de forma genérica, os grupos de catequese que semanalmente se reúnem para falar do Pai do Céu. Neste marcador está também inscrita a oração do Pai Nosso, com o intuito de estimular a oração em família, porque, em cada família se revê a filiação de Deus.

 

Ana Carvalho

Folha Paroquial nº 75 *Ano II* 28.04.2019 — II DOMINGO DE PÁSCOA

«Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia.»

 

A folha pode ser descarregada aqui (II Domingo da PASCOA)

 

EVANGELHO (Jo 20, 19-31)

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

 

MEDITAÇÃO

Para os apóstolos e a comunidade cristã primitiva, a Ressurreição de Cristo é «o Acontecimento» que mudou tudo. Cristo ressuscitou e o seu Espírito, o seu poder de amar, habita-os doravante. O poder da graça estava sobre eles: a graça é a presença de Deus em nós, é o amor de Deus em nós. Apóstolos e todos os batizados são habitados pelo amor, um amor de tal forma poderoso que os transforma completamente, a ponto de os fazer ver de um modo totalmente novo as realidades materiais. Há acontecimentos na nossa vida, felizes ou infelizes, que mudam completamente as nossas prioridades. Coisas que nos apareciam até aí insignificantes tomam, de repente, um grande valor; outras às quais dávamos muita importância, aparecem de repente secundárias. Um filho que nasce a um jovem casal muda-lhe as prioridades… de bom grado, eles agora sacrificam a sua liberdade por causa daquele filho que lhes trouxe tanto deslumbramento. E ouvimos muitas vezes os que foram salvos num grande acidente, ou de uma grande doença, dizer que nada mais será como dantes. Para os primeiros cristãos, diz-nos Lucas, a posse dos bens materiais deixou de ser uma prioridade. «A multidão dos que tinham abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma, ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum.» A primeira insistência neste sumário de Lucas é a unidade e depois vem então a partilha. Esta é consequência daquela. A frase central é: «Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e gozavam todos de grande simpatia.» No fundo, a unidade e a partilha era uma das formas de dar testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Uma igreja que quer dar testemunho não pode ser desunida e desinteressada da sorte uns dos outros.

A Igreja é a comunidade daqueles que experimentaram a graça da presença do ressuscitado nas suas vidas e isso foi um acontecimento tão maravilhoso que mudou as prioridades da vida. Agora somos chamados a dar testemunho de que Ele está vivo através da unidade que vivemos, da alegria da união fraterna, na alegria da partilha, na alegria de celebrarmos juntos a Eucaristia e de trabalharmos juntos pela missão.

É esta missão que Jesus nos confiou quando aparecendo aos discípulos no primeiro dia da semana lhes diz: “«Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo»”. Somos enviados em missão para o mundo onde vivemos, mas não sozinhos: «Recebei o Espírito Santo». No princípio dos Atos dos Apóstolos, Ele tinha dito: «Ireis receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas.»

Mas só pode ser testemunha quem viveu a alegria dos Apóstolos por terem encontrado ou reencontrado o senhor. «Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor». Depois dizem a Tomé quando ele chega: «Vimos o senhor». Mas… isso a nós não nos aconteceu. «Não vimos o Senhor». É verdade que não tivemos as aparições como os apóstolos, mas recebemos as bem-aventuranças que Jesus anuncia: «Felizes aqueles que acreditam sem terem visto». Sem terem visto, sim, mas não acreditamos sem nada a ajudar-nos a acreditar. Não acreditamos no vazio, sem nada. O que pode substituir em nós aquilo que os apóstolos viveram? É a própria Palavra viva de Deus que é anunciada pela Igreja. Logo no dia da ressurreição, os apóstolos vêm para a rua, em Jerusalém, e Pedro faz a sua primeira pregação da Palavra. Os ouvintes ficam «de coração trespassado pela emoção» e perguntam: «Que havemos de fazer, irmãos?» Nesse dia, converteram-se ao Senhor mais de 5000 pessoas que pediram o batismo em nome de Jesus. Eles já não tiveram as aparições, mas isso não os impediu de fazer uma experiência semelhante à dos apóstolos, de se sentirem renascer pela fé no Filho de Deus, como se tivessem «visto» o ressuscitado. Por isso, S. João termina o Evangelho de hoje dizendo: «Estas coisas foram escritas para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.» A palavra de Deus acolhida desperta em nós a fé e a presença do ressuscitado. Tem sido assim ao longo de mais de 2000 anos, homens e mulheres têm mudado as suas vidas e prioridades porque, através do anúncio da palavra que chegou até Eles, descobriram Cristo vivo e ressuscitado, e entregaram-se a Ele e assim a Igreja foi crescendo e irradiando. Também nós o acolhemos assim e somos chamados a anunciá-lo para que outros creiam.

 

Folha Paroquial nº 74 *Ano II* 21.04.2019 — DOMINGO DE PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

«Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.»

A folha pode ser descarregada aqui (Domingo de Páscoa).

 

EVANGELHO (Jo 20, 1-9)

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo que Jesus amava e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro¬. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro:¬ viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos. 

MEDITAÇÃO

Em Cristo a história humana chega à plenitude. Cria um antes e um depois. Já o facto de Jesus ter incarnado no seio da Virgem Maria, pela ação do Espírito Santo, cria um ponto de mudança na história. Deus interveio no seu curso, fazendo-se homem. Agora, a sua ressurreição, é um outro dado do mistério do desígnio divino da nossa salvação. Ninguém podia imaginar isto senão Deus! Para os discípulos de Jesus a ressurreição foi tão inesperada que levaram tempo a digerir os acontecimentos de que são testemunhas. Este mistério da ressurreição não se capta de repente. É um processo. E este processo passa-se com todos nós até chegarmos à fé.

As leituras de hoje apresentam-nos o acontecimento inaudito da ressurreição do Senhor tal como os primeiros discípulos o viveram (evangelho), apresenta-nos esse anúncio feito aos pagãos, neste caso, Cornélio, o centurião romano, e o fruto do acolhimento da fé em Jesus: ( 1ª leitura) «quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados e uma vida nova.» Na segunda leitura, Paulo explica as implicações que tem para os que aceitaram, pela fé, o Senhor ressuscitado e foram batizados n’Ele. Hoje quero deter-me mais neste ponto.

Se não estivermos familiarizados com o vocabulário Paulino, encontramos expressões estranhas. Exemplos: «Irmãos vós ressuscitastes com Cristo…morrestes com Cristo.» O que quer isto dizer? Nós não morremos, estamos vivos. E porque não morremos também não ressuscitámos ainda. Isto quer dizer que as palavras não têm o mesmo sentido para Paulo que têm para nós, pois, para ele, depois desta inaudita manhã de Páscoa, nada é como antes. Tudo é novo. Outro problema de vocabulário: «afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra».

Não se trata, de facto, de coisas (sejam elas do alto ou de baixo), trata-se de condutas, de maneiras de viver… o que Paulo chama de realidades do alto», ele di-lo nos versículos seguintes que não vêm no texto de hoje, é a misericórdia, a humildade, a bondade, a mansidão, a paciência e o perdão mútuo… o que ele chama de coisas da terra são a impureza, as paixões, os maus desejos, a ganância, a ira, a raiva, a maldade, as injúrias, as palavras grosseiras… A nossa vida inteira vive-se nesta tensão: a nossa transformação, a nossa ressurreição, foi já realizada em Cristo, mas falta-nos assumir esta realidade profunda ao longo da nossa vida. Se continuássemos a leitura encontraríamos esta bela expressão: «Vós revestistes-vos do homem novo» e, um pouco mais além, «acima de tudo, revesti-vos do amor que é o laço da perfeição.» Assim, Paulo usa o verbo revestir no passado contínuo, revestistes-vos… continuais revestidos. É aquilo que já está feito por Cristo em vós, e, depois, no imperativo, Revesti-vos do amor, aquilo que é ainda a fazer por nós com a ajuda d’Ele. Não se trata, pois, de viver outra vida diferente da nossa vida normal, mas de viver de outra forma a vida quotidiana, sabendo que este «de outra forma» é agora possível pois o Espírito do ressuscitado nos torna capazes. O mesmo Paulo dirá um pouco mais longe: Tudo o que podeis dizer ou faze, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando graças por Ele a Deus Pai. Trata-se de semear neste mundo a semente do reino novo que Jesus veio plantar para que o mundo velho seja transformado. Mas o mundo novo só se faz com homens novos. Por isso Paulo diz: que o mundo velho seja transformado. Mas o mundo novo só se faz com homens novos. Por isso Paulo diz: «Não mintais uns aos outros, já que despistes o homem velho, com as suas ações e vos revestistes do homem novo…» Sem homens novos não pode haver mundo novo. Se o reino de Deus não é acolhido no coração de cada homem como pode ele ser instaurado no mundo?

Encontramos esta tensão entre aquilo que Jesus já fez e o que falta fazer por nós em toda a pregação de Paulo em particular nesta mesma carta ao Colossenses: Vós que outrora andáveis afastados com sentimentos expressos em ações perversas, agora Cristo reconciliou-vos no seu corpo de carne, mas é preciso que vos mantenhais sólidos e firmes na fé, sem vos deixardes afastar da esperança do Evangelho. Continuai a caminhar n’Ele, enraizados e edificados nele, firmes na fé, tal como fostes instruídos, transbordando de ação de graças. Olhai que não haja ninguém a enredar-vos com a filosofia, o que é vazio e enganador, fundado na tradição humana ou nos elementos do mundo, e não em Cristo. Porque é n’Ele que habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Vós fostes sepultados com Ele e com Ele ressuscitastes.

Hoje, como no tempo de Paulo, há muita gente pouco formada na fé que  dizendo-se cristão vive ainda cheio de  prisões escravi-zantes:  Dizem que creem em Cristo mas  acreditam também nou-tras coisas, como a reencarnação, o espiritismo, praticam  reiki  e vivem dependentes das energias, da consulta das cartas, do tarot, dos astros e sei lá mais o quê.  Fazem uma salada do religioso. Quem conheceu Cristo não precisa nada dessas coisas. Foi para a liberdade que Ele nos libertou. O encontro com Cristo ressuscitado traz uma alegria maravilhosa à vida do que o encontra mas não está tudo feito.. Agora ele espera que, unidos a Ele, que vive em nós, aceitemos ser cooperadores da sua graça para instaurar o seu reino de luz no mundo. E essa parte é difícil, pois o mundo recusa a luz do Senhor e a novidade que Ele traz. O papa Bento XVI diz que no princípio, a igreja quando quis formar na fé os convertidos ao cristianismo, teve que criar um habitat onde eles pudessem aprender a viver de outra maneira, e instituiu o catecumenado. Hoje, num mundo de novo tão adverso, os cristãos só vivendo num habitat cristão podem aprender a viver valores diferentes. Por isso os diversos grupos da paróquia como o Alpha, as células, o grupo de oração, os grupos de jovens, e, pouco a pouco a comunidade inteira deve ser esse habitat onde os cristãos respiram as primícias do mundo novo que deve testemunhar com esperança. Se alguém no meu local de trabalho me perguntasse: Onde haverá um local onde aprenderemos a conhecer Jesus e um grupo que viva o que ele ensinou? Devíamos poder dizer: «Vem e vê»

Que Cristo ressuscitado se sinta no meio de nós. Aleluia.

A equipa sacerdotal deseja a todos os paroquianos de S. José e S. João Baptista uma Santa Páscoa.  Que o Senhor ressuscitado a todos inunde da sua alegria e da sua paz.

Aleluia, Aleluia

 

 

Fim-de-semana Alpha

 
Nos dias 6 e 7 de Abril o curso Alpha de S. José e São João Baptista viveu o seu Fim-de-Semana voltado para o Espírito Santo. Dois dias muito especiais para todos aqueles que, desde o final de Janeiro, participam neste percurso. Cerca de 140 adultos e 40 crianças rumaram até ao Seminário de Leira, para este fim-de-semana tão intenso e emanado de paz, de amor e de partilha entre irmãos.
O Espírito Santo, o Espírito do Pai e do Filho é o mistério Trinitário, que nos faz conhecer e amar melhor Um e Outro. No Espírito Santo procuramos viver por Jesus e em Jesus para sermos, num estado de pertença e de identificação mais total com Ele, filhos adoptivo do Pai.
Tornou-se mais claro o viver cristão neste fim-de-semana, não assente em “crendices” ou “coisas já estabelecidas”, mas numa vivência e procura de encontrar cada vez mais a Deus em comunhão de Igreja.
Nem falo, obviamente, dos testemunhos que se abriam aos nossos olhos quando no fim-de-semana rezámos individualmente pelos convidados que assim o desejaram.
Deus realmente faz muito, faz tudo, com o tão pouco que nós somos!
Basta que nos abramos à sua presença, e deixar que Ele faça em nós e se sirva de nós, e tudo o mais vem por acréscimo.
Acredito que o Percurso Alpha, pela graça de Deus, pode chamar e mudar aqueles que andam afastados ou mais descrentes, que andam sem rumo, sem sentido na vida, sobretudo pela falta de um encontro pessoal com Jesus Cristo.
E, ao realizar essa mudança nos homens, torna cada vez maior e mais real a comunhão em Igreja, caminho de salvação por Cristo, com Cristo e em Cristo.
Margarida Gomes