Arquivo da categoria Unidade Pastoral

Catequese

Continuam a decorrer as inscrições e renovações de inscrição em ambas as paróquias, por e-mail e outros meios: em S. José, através do formulário cujo link está em https://linktr.ee/sjbaptista ; em S. João Baptista, na secretaria, nas tardes de terça a sexta feira, e ao fim de semana antes e depois das missas.

As equipas de acolhimento estão a distribuir panfletos de divulgação da catequese. Cada vez mais as famílias, no meio dos seus muitos afazeres, não se lembram que podem inscrever os seus filhos na catequese. Queremos desafiar-vos a levarem alguns panfletos e ou entregá-los em mão a amigos e familiares que sabem ter filhos em idade escolar ou a deixá-los na sua caixa do correio. É uma forma simples mas muito eficaz de evangelizar.

Adoração eucarística recomeça em SJosé

Depois de um longo período de pausa, durante o período estival, São José retomou esta semana a adoração eucarística e que doravante acontecerá às quartas e quintas das 9h00 até às 23h00.

Em SJBaptista, onde se conseguiu manter, mesmo durante o mês de agosto, a adoração eucarística nos moldes em que já acontecia após o último desconfinamento, mantêm-se por agora a terça e a quinta-feira, das 8h00 até às 23h00.

Se viver em Coimbra ou aí se deslocar com facilidade e sentir o apelo do Senhor a integrar as escalas que nas nossas paróquias asseguram que possamos adorar o Senhor nestes horários, poderá fazê-lo contactando a Margarida Cerdeira de SJosé 910 662 582 ou a Isabel Pires de SJBaptista 918 596 440

Folha Paroquial nº 186 *Ano IV* 19.09.2021 — DOMINGO XXV DO TEMPO COMUM

O Senhor sustenta a minha vida.

A folha pode ser descarregada aqui.

EVANGELHO ( Mc 9, 30-37 )
Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia. Jesus não queria que ninguém o soubesse, porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará». Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar. Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis no caminho?». Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

A liderança na igreja
Estamos a começar um novo ano pastoral e muitos cristãos, nas paróquias, estão a assumir, uns pela primeira vez, outros na continuidade do que já faziam, ministérios de corresponsabilidade na missão da Igreja. É uma missão de liderança cristã. São catequistas de crianças, animadores de adolescentes, de jovens, de pais da catequese familiar; São os membros das equipas de animação dos percursos Alpha, os líderes das várias células da Unidade Pastoral e são os animadores do percurso de casais. São ainda os membros do Conselho pastoral em formação, são os membros dos Conselhos para os assuntos económicos, são os responsáveis dos coros, animadores da ação social e ainda os membros da equipa de animação pastoral que bem podia ser chamada equipa de liderança. E não esgotei a lista.

Há quem não goste muito da palavra liderança associada à missão da Igreja, pois ligam-na mais ao mundo empresarial. No entanto, as palavras que usamos têm a sua evolução e algumas entram no vocabulário de todos os dias sendo difícil fugir a elas para nos entendermos melhor.

O que é um líder? Podemos dizer que líder é todo aquele ou aquela que tem capacidade de exercer alguma influência na vida de outros. Essa influência pode vir do cargo de responsabilidade que ocupa, mas pode vir também apenas do exemplo que dá, da aceitação que tem nos outros e que faz com que os outros o sigam e o escutem. Há pessoas que dizem genuinamente que não querem ser líderes e recusam assumir uma responsabilidade formal de estar à frente de um grupo de pessoas, mas, provavelmente, sem se darem conta, influenciam pessoas à sua volta e, nesse sentido, estão a liderar.

Jesus foi o maior e o melhor líder de todos os tempos. Ele disse que era o bom pastor, que conhece as ovelhas e a quem elas seguem com amor. No evangelho de hoje, como tantas outras vezes, vemo-lo a formar os discípulos para que eles venham a exercer uma boa missão de liderança à escala global. No final da sua formação ele dir-lhes-á: «Ide por todo o mundo, fazei discípulos em todas as nações, batizai-os e ensinai-os a cumprir tudo quanto vos mandei.» Mas estes futuros líderes têm ainda muito que aprender com o Mestre. Eles têm na mente desejos de poder e não de serviço, eles vivem ainda daquele desejo que habita no coração do homem marcado pelo pecado e que Camões, nos Lusíadas, coloca na boca do velho do Restelo: «Ó glória de mandar! ó vã cobiça desta vaidade, a quem chamamos Fama»(canto IV, estrofe 95). Os discípulos de Jesus também tinham essa cobiça lá no fundo do seu coração pois ela nasce connosco.

Iam a discutir entre eles sobre qual era o maior. A atitude de Jesus para com eles, mostra a solenidade do momento. Diz o texto:” Jesus sentou-se, chamou os Doze e disse-lhes.” Quando Jesus se senta para falar, é como o Mestre que ensina da sua cátedra aquilo que não pode ser esquecido pela sua importância. «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». E Jesus não lhes diz nada que não lhes tenha mostrado já pelo seu exemplo e vai continuar a mostrar até ao fim.

O bom líder cristão é o que imita Jesus na sua liderança.

Há várias características do líder cristão que encontramos todas bem presentes em Jesus. Não posso aqui falar de todas e, por isso, aponto apenas duas que ressaltam do evangelho de hoje.

Liderança pelo exemplo:
“Vistes o que eu fiz? Chamais-me mestre e Senhor e dizeis bem, pois o sou. Se eu vos lavei os pés, deveis vós fazer o mesmo.” As pessoas diziam acerca de Jesus: «Ele diz e faz». Liderar através do exemplo, é saber viver de acordo com a verdade do evangelho. Imaginemos um líder a falar da importância da oração, mas que não reza, um catequista a falar às crianças e pais sobre a importância da Eucaristia, mas que depois falta a ela com regularidade, a falar aos outros sobre a unidade do casamento mas depois vive uma vida dupla, ou a trocar constantemente de parceiro, a apontar aos outros o caminho da caridade e do serviço aos pobres e aos desprotegidos mas depois recusa-se a tratar dos pais que estão dependentes e a precisar de cuidados básicos abandonando-os e fugindo covardemente às suas responsabilidades. No tempo de Jesus, os fariseus eram líderes, mas pela sua falta de exemplo, impediam as pessoas de se aproximarem de Deus e é por isso que Jesus desmascara a sua hipocrisia porque «eles dizem mas não fazem.»
O bom exemplo de Jesus ficou tão gravado nos apóstolos que eles imitaram-no e tornaram-se também eles exemplares para outros que os conheceram. O exemplo gera exemplo e atitudes verdadeiras geram vidas autênticas.

Liderar pelo serviço:
O líder é o primeiro servo de todos. Ele tem responsabilidade e poder de influência e de ação que lhe foi dado para exercer um serviço aos outros e não para controlar a vida dos outros ou exercer um autoritarismo desligado do serviço. O perigo para alguns líderes que assumem responsabilidades pode ser deixar que «o poder» lhes suba à cabeça. É uma verdadeira tentação que Jesus também sentiu, mas que rejeitou. Mas torna-se pecado quando nos deixamos levar pela tentação. O mais belo ícon de um líder é Jesus a lavar os pés aos discípulos. Jesus tinha o poder que lhe vinha de ser o Filho de Deus, mas transformou esse poder na capacidade de servir com amor.

Ser servo é aprender a ouvir os outros, a não decidir só por si, a ser capaz de se rodear de pessoas diversas e diferentes que deve escutar com atenção para não se deixar guiar só por aquilo que pensa. Servir exige coragem e determinação, mas exercida na humildade e na escuta. Líderes que não sabem ouvir correm o risco de afastar as pessoas que estão à sua volta e que querem ajudá-lo. No fim ele tem de decidir, mas a decisão pode e deve ser uma decisão partilhada, fruto do trabalho em conjunto e não decisões contra tudo e contra todos, a não ser nalgum caso de consciência que pode acontecer muito raramente.

Nenhum de nós é um líder perfeito como Jesus. Todos temos falhas, mas é bom sabermos o caminho e tentarmos ser cada dia melhores líderes por causa da missão que Deus nos confia.

A segunda leitura, tirada da carta de S. Tiago, previne-nos contra as paixões que lutam nos nossos membros; Diz ele que essas paixões são a causa de muitos dos nossas males, desordens, invejas, divisões e guerras. Ele afirma mesmo que pedimos a Deus coisas que não obtemos porque pedimos mal levados apenas pelos nossos interesses egoístas e pelas nossas paixões.

O homem novo é chamado a crucificar as paixões do homem velho e uma delas bem forte é o desejo de poder e de domínio. Por isso o bom líder está sempre atento para exercer o serviço de liderança com humildade.

Que ninguém se afaste de Deus por causa do abuso da minha liderança. Mas atenção: Pode ser também uma tentação pensar: É melhor não aceitar servir como líder pois sei que nunca serei um líder perfeito Se todos pensassem assim, não havia ninguém para servir a missão que Jesus confiou aos seus discípulos. Jesus procura corações bem-intencionados e retos; depois, Ele mesmo vem em nosso auxílio e nos ajuda no caminho da liderança

«Eu estarei convosco todos os dias até ao fim dos tempos».

Que Deus suscite cada vez mais no seio da comunidade uma multidão de pessoas que desejam servir os outros pondo os seus talentos a render com humildade. Esse bom exemplo influenciará outros e transformará a comunidade.

Inscrição Catequese

Catequese
Estão já a decorrer em bom ritmo as inscrições e renovações de inscrição em ambas as paróquias, por e-mail e outros meios: em S. José, a coordenação da catequese recebe os pais que queiram inscrever os filhos na próxima sexta-feira das 18 às 20h00, no sábado, das 17 às 20h00 e no Domingo das 10h00 às 13h00; em S. João Baptista, as inscrições estão a ser feitas na secretaria, nas tardes de terça a sexta-feira, e também podem ser feitas no fim de semana antes e depois das missas. Partilhamos convosco o número de telemóvel de duas responsáveis da catequese que estão disponíveis para esclarecer qualquer dúvida: Madalena (SJBaptista) – 914 129 723 ; Sofia Pereira (SJosé) – 964 624 417

Crisma
Estão abertas as inscrições para o crisma dos jovens que completaram o último ano do ASJ e os que frequentam o 10º ano SayYes em SJBaptista. Outras idades mais adultas que queiram também inscrever-se para este sacramento farão parte de um segundo grupo – brevemente daremos indicações.

A 8 de outubro, arrancam 2 percursos Alpha

E ao que parece, terão mesmo de ser online.

Ainda pairava no ar alguma esperança de que neste outono já pudessem ser presenciais mas, pesados os prós e os contras, tudo indica que teremos que cingir-nos à vertente online da coisa e que as paróquias terão mesmo que renovar as suas licenças do Zoom.

Por um lado, há alguma unanimidade no facto de que não é a mesma coisa: a Igreja é entre muitas outras coisas Palavra de Deus, comunhão do mesmo Pão eucarístico, mas também é assembleia reunida de fiéis num mesmo corpo cuja cabeça é Cristo. E se essa assembleia se puder reunir semanalmente e fisicamente à volta da mesma mesa, tanto melhor.

Pois parte da ementa do Alpha é isso mesmo: comunhão fraterna à volta de uma mesa com entre 8 e 12 convivas que falam um pouco de tudo, partilham ansiedades e consolos, questões e respostas. Mas por enquanto ainda terá que ficar para a próxima.

Assim, dia 8 de outubro, online, terão início dois percursos Alpha na nossa unidade pastoral: um animado pela equipa de SJBaptista e outro pela de SJosé.

Inscreva-se para ser contactado(a) por um membro da equipa em https://forms.gle/5wiSTD5iuM2HmK1P6

Um Conselho Pastoral para a Unidade Pastoral

Está em curso um processo de nomeação e eleição daqueles que haverão de integrar o Conselho Pastoral do próximo triénio e que sucederá àqueles que até agora eram próprios de cada uma das paróquias.

Será com alguma certeza um período de conversão: são duas paróquias com identidades muito fortes que se propõem de agora em diante fazer um caminho comum que irá muito para além da partilha da equipa presbiteral.

Mas contaremos, sem dúvida, por um lado com o apelo da Palavra de Deus ao acatamento da sua vontade e, por outro, com a certeza da sua graça que sempre nos acompanha quando nos dispomos a fazer a sua vontade.

É o caminho do futuro: isso no-lo têm dito o nosso Bispo e o nosso pároco, quer frontalmente quer através de cartas pastorais. É aliás um caminho que a grande maioria – se não totalidade – das paróquias da nossa diocese já encetaram antes de nós.

O novo conselho pastoral deverá reunir durante a manhã do próximo dia 9 de outubro, um sábado.

Grupo de Oração e Oração de Cura e Misericórdia apostam no presencial

O ano de 2021/21 foi, de facto, atípico: o primeiro trimestre foi sobretudo presencial, apesar do COVID; no 2º trimestre do ano, fomos forçados ao online e, depois da Páscoa, vigorou um regime misto em que uns estavam e participavam presencialmente e outros apenas online (uns porque eram de longe, por vezes de fora do país; outros porque ainda não tinham sido vacinados ou pertenciam a um grupo de risco; e outros pelas mais diversas razões…).

Neste ano de 2021/22, tanto a equipa da Oração de Cura e Misericórdia (orientada pela Comunidade Emanuel e que acontece em SJBaptista na primeira quinta-feira de cada mês) como a equipa do Grupo de Oração (que acontece na segunda e quarta quarta-feira de cada mês) estão decididas a que seja apenas presencialmente.

Para já, no momento em que este texto foi redigido, apenas ocorreu a Oração de Cura e Misericórdia e a quebra na participação é brutal, apesar de terem vindo bastantes pessoas pela primeira vez. Vamos ver: confiemos tudo isto à vontade e à providência de Deus.

Folha Paroquial nº 185 *Ano IV* 12.09.2021 — DOMINGO XXIV DO TEMPO COMUM

Caminharei na terra dos vivos na presença do Senhor.

A folha pode ser descarregada aqui.

EVANGELHO ( Mc 8, 27-35 )
Naquele tempo, Jesus partiu com os seus discípulos para as povoações de Cesareia de Filipe. No caminho, fez-lhes esta pergunta: «Quem dizem os homens que Eu sou?». Eles responderam: «Uns dizem João Baptista; outros, Elias; e outros, um dos profetas». Jesus então perguntou-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «Tu és o Messias». Ordenou-lhes então severamente que não falassem d’Ele a ninguém. Depois, começou a ensinar-lhes que o Filho do homem tinha de sofrer muito, de ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas; de ser morto e ressuscitar três dias depois. E Jesus dizia-lhes claramente estas coisas. Então, Pedro tomou-O à parte e começou a contestá-l’O. Mas Jesus, voltando-Se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens». E, chamando a multidão com os seus discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á».

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

O servo de Deus que oferece a sua vida, sinal de Jesus
A 1ª leitura apresenta o retrato de uma figura enigmática e espantosa chamada «servo de Deus». É uma verdadeira testemunha de Deus, leva uma vida exemplar, mas é perseguido; Depois da sua morte, é que reconhecem nele o porta-voz de Deus e misteriosamente é através dele que a humanidade inteira é salva. Depois de 2000 anos de cristianismo, é natural que pensemos imediatamente que se trata de Jesus Cristo!

Mas o profeta Isaías, com toda a certeza, não pensava em Jesus quando por volta do século VI antes de Cristo, escreveu este texto durante o exílio na Babilónia. Ele dirigia-se aos exilados e dava um sentido ao seu sofrimento lembrando a esta comunidade a sua missão de serva, pois o povo Judeu sabia que tinha a missão de dar a conhecer o projeto de salvação de Deus no mundo. Para isso era preciso permanecer forte no meio de muitas tribulações.

Tudo isto Jesus viveu. E no evangelho de hoje, convida-nos a segui-Lo aconteça o que acontecer: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á».

A primeira negação de Pedro
Pedro acaba de dizer a declaração mais extraordinária que se podia dizer, nesta altura, sobre Jesus: «Tu és o Messias.» E ficamos surpreendidos pela reação de Jesus. Não recusa o título, mas pede um rigoroso silêncio sobre o assunto. É que o título era ambíguo e podia ser mal-entendido, como aliás vemos logo a seguir na reação de Pedro. Jesus é realmente o Messias esperado pelo povo Judeu, mas não é o Messias como eles esperam. E Jesus explica-o logo a seguir: “Começou a ensinar-lhes que o Filho do homem tinha de sofrer muito, de ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas; de ser morto e ressuscitar três dias depois”. Vemos a profunda ligação com o servo sofredor de Isaías?

Ora para os ouvidos de um Judeu isto era paradoxal e dificilmente aceitável. Eles tinham na memória o que dizia o profeta Daniel acerca do “filho do homem”, uma expressão equivalente a Messias. Vale a pena citar esses versículos: «Vi aproximar-se, sobre as nuvens do céu, um ser semelhante a um filho do homem. Avançou até ao ancião, diante do qual o conduziram. Foram-lhe dadas soberanias, glória e realeza. Todos os povos, nações e línguas o serviam: O seu império é um império eterno que não passará jamais, e o seu reino nunca será destruído.” Era um Messias assim, cheio de poder, de glória e de triunfo que eles esperavam. Por isso entendemos a reação de Pedro. Podemos mesmo afirmar que esta é a primeira negação de Pedro, a primeira recusa em seguir um Messias no sofrimento.

Jesus enfrenta esta recusa espontânea de Pedro como uma verdadeira tentação para ele mesmo e di-lo com veemência: Os teus pensamentos não são os de Deus, mas apenas os dos homens.

Os pensamentos de Deus não são os dos homens
Que a nossa maneira de ver as coisas seja humana é o mais natural! Mas precisamos, como discípulos de Jesus, deixar o Espírito transformar a nossa visão e às vezes convertê-la completamente, se queremos ser fiéis ao plano de Deus. Ao contrário de Mateus e Lucas, Marcos não nos narra as tentações de Jesus no deserto, mas não há dúvida que ele nos conta uma dessas tentações neste episódio, e uma particularmente grave e que suscita uma reação muito viva de Jesus, sinal de que deve ter travado aqui um verdadeiro combate: “olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo: «Passa para trás de mim, Satanás», é esta a verdadeira tradução literal. Com o significado de: «Faz-te meu discípulo e deixa-te conduzir por mim, em vez de quereres ser tu a apontar-me o caminho.»

Como o servo sofredor de Isaías, Jesus está decidido a escutar o Seu Pai, a deixar-se instruir por Ele, e a cumprir até ao fim a sua missão, ainda que tenha de sofrer todos os ultrajes e humilhações que vierem. O plano de salvação de Deus não se coaduna com um Messias triunfante: Para que as pessoas cheguem ao conhecimento da verdade, é preciso que descubram o Deus de ternura e de perdão, de misericórdia e compaixão; Isso não se descobrirá em atos de poder, mas no dom supremo da vida do Filho. «Não há maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos (Jo 15,3) E convida a fazerem o mesmo que Ele todos os que O escutam, multidão e discípulos: «Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á». Mesmo alguém que não seja ainda um discípulo de Jesus pode compreender, por experiência, que a vida ganha todo o sentido quando é oferecida. E que se perde no vazio quando se fecha no egoísmo. No fundo este evangelho é um ensinamento sobre o sentido da vida.

Como nos fala este texto à nossa vida concreta? Quantas vezes sofremos a mesma tentação de viver só para nós, de só pensarmos em nós? Quanta dificuldade encontramos quando somos convidados a servir gratuitamente na comunidade, a oferecer-nos para o voluntariado ou a renunciar a algo a que temos direito por causa dos outros?

Folha Paroquial nº 184 *Ano IV* 05.09.2021 — DOMINGO XXIII DO TEMPO COMUM

Ó minha alma, louva o Senhor.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO ( Mc 7, 31-37 )
Naquele tempo, Jesus deixou de novo a região de Tiro e, passando por Sidónia, veio para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, afastando-Se com ele da multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua. Depois, erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe: «Efatá», que quer dizer «Abre-te». Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão da língua e começou a falar correctamente. Jesus recomendou que não contassem nada a ninguém. Mas, quanto mais lho recomendava, tanto mais intensamente eles o apregoavam. Cheios de assombro, diziam: «Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem».”

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

No início da fé cristã está um encontro com Jesus. Por isso só há fé cristã se houver encontro pessoal do crente com Jesus de Nazaré morto e ressuscitado. Hoje esse encontro acontece pela ação do Espírito que nos revela o «rosto» de Jesus e nos leva a abrir-nos à sua graça.

A narrativa de hoje, segue-se depois da discussão com os judeus acerca das regras da pureza como escutámos no evangelho de Domingo passado. Jesus partiu para território pagão, na Decápole, uma confederação de dez cidades de cultura grega e não judaica. É aqui que se dá o encontro com o surdo. Hoje já não se diz surdo-mudo, pois a mudez é uma consequência natural da surdez. De qualquer forma, trata-se de uma enfermidade dupla. Não ouve e, por consequência, também não fala. Levam-lhe o surdo e pedem-lhe para impor as mãos sobre ele. Jesus faz então alguns gestos que nunca tinha feito até agora. Conduz o enfermo à parte, longe da multidão e faz gestos sobre ele que os curandeiros faziam habitualmente; «meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua.» Não muda os gestos habituais dos curandeiros, mas dá-lhes um sentido novo: «Erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe: «Efatá», que quer dizer «Abre-te». O gesto de erguer os olhos ao céu não deixa nenhuma ambiguidade: Jesus só cura graças ao poder que lhe vem do Pai. O suspiro, que é mais um gemido, indica a impaciência pela libertação do sofrimento em que aquele surdo tem vivido por não poder ouvir nem falar. E eis o surdo curado: “Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão da língua e começou a falar corretamente”. A resposta do povo, (não esqueçamos que se trata de pagãos) é uma proclamação das maravilhas de Deus: “Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem”. E com esta frase nos reenvia à 1ª leitura, do profeta Isaías, que anuncia a era da felicidade para os dias da vinda do Messias: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria.” As promessas messiânicas são então para todos, judeus e pagãos. E curiosamente, são os pagãos quem melhor decifram os sinais. Eles «proclamam», diz-nos Marcos e não é por acaso que ele escolhe este verbo, pois é ele que aparece sempre para dizer o anúncio de algo novo que Deus fez: “Será a ordem de Jesus aos seus apóstolos depois da sua ressurreição. «Ide pelo mundo inteiro e proclamai a Boa Nova»

Neste texto não chegamos a saber como reage o surdo e o que lhe aconteceu. Só nos é dito o que este encontro produziu na vida das testemunhas que diziam: “Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem».

Jesus quando faz os gestos humanos do toque no surdo, diz-lhe: Efatá, quer dizer: Abre-te. Na celebração do batismo dos adultos, o sacerdote lê sempre esta passagem do evangelho de Marcos, depois toca os ouvidos e os lábios do batizado dizendo: «Efatá», quer dizer: “Abre-te, para proclamares, pelo louvor e pela glória de Deus, a fé que Ele vos transmitiu”. Parece-nos ouvir aqui a oração do salmo: «Senhor abri os meus lábios e a minha boca anunciará o vosso louvor.

A cura do surdo-mudo, tem um alto valor simbólico no Novo Testamento. O discípulo é Aquele que ouve a palavra de Deus e transformado por ela, proclama o que Deus fez por Ele num louvor incessante. A sua boca abre-se para falar d’Ele porque o seu coração está cheio da alegria da sua presença. Como escreveu o Papa Francisco, “a alegria do evangelho enche o coração e a vida d’Aquele que se encontrou com Cristo.”

Muitas vezes, nas missas à semana, onde muitas pessoas vão para mandar rezar missas pelos defuntos, poucos abrem a boca para responder às orações e menos ainda para cantar. Não é fácil presidir a uma missa onde não há resposta da assembleia. No entanto, estes irmãos merecem-nos todo o respeito, pois se ainda não se abriu a sua boca para testemunhar com ousadia a sua fé, talvez por falta deste encontro pessoal com Jesus que salva, no entanto, “a torcida ainda fumega,” pois têm a religiosidade suficiente para irem à missa pelos seus ente-queridos como o povo da Decápole teve a religiosidade suficiente para levar até Jesus o surdo-mudo e, assim, puderam ver a glória de Deus e proclamá-la. Eles dizem-nos, sem palavras, que a missão é grande até que todos possam abrir-se ao encontro com Jesus e proclamar com a boca as suas maravilhas.
Que Jesus cure as nossas comunidades da surdez e da mudez para que sejam comunidades missionárias prontas para escutar a Deus e proclamar as suas maravilhas.

Folha Paroquial nº 183 *Ano IV* 01.08.2021 — DOMINGO XVIII DO TEMPO COMUM

O Senhor deu-lhes o pão do céu.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO ( Jo 6, 24-35 )
Naquele tempo, quando a multidão viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam à beira do lago, subiram todos para as barcas e foram para Cafarnaum, à procura de Jesus. Ao encontrá-l’O no outro lado do mar, disseram-Lhe: «Mestre, quando chegaste aqui?». Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados. Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará. A Ele é que o Pai, o próprio Deus, marcou com o seu selo». Disseram-Lhe então: «Que devemos nós fazer para praticar as obras de Deus?». Respondeu-lhes Jesus: «A obra de Deus consiste em acreditar n’Aquele que Ele enviou». Disseram-Lhe eles: «Que milagres fazes Tu, para que nós vejamos e acreditemos em Ti? Que obra realizas? No deserto os nossos pais comeram o maná, conforme está escrito: ‘Deu-lhes a comer um pão que veio do Céu’». Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do Céu. O pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo». Disseram-Lhe eles: «Senhor, dá-nos sempre desse pão». Jesus respondeu-lhes: «Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede».”

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Iniciámos o capítulo VI de S. João, com o milagre da multiplicação dos pães, como ouvimos no Domingo passado. Na continuação, a multidão contente, porque foi saciada, anda atrás de Jesus quase que em perseguição dos seus passos. Jesus aproveita para lhes dizer, de modo solene, algo muito importante com o qual inicia o seu discurso na Sinagoga de Cafarnaum, sobre o pão da vida. “Em verdade em verdade vos digo:” Sempre que Jesus começa com esta fórmula é porque vai dizer algo muito importante que deve ser ouvido muito atentamente. Tem o significado oficial da fórmula dos profetas no Antigo Testamento quando dizem: “Oráculo do Senhor» ou ainda: «assim fala o Senhor». E Jesus diz isso, porque vai fazer um discurso dos mais difíceis de entender. É um discurso revelador da sua Pessoa como Filho de Deus que vem para salvar e dar a vida. Nele ouvimos ressoar o início do evangelho de S. João: Ele é o Verbo, veio ao mundo, àqueles que creem no seu nome, dá-lhes a vida. Mas Jesus vai passo a passo.

Primeiro começa por dizer-lhes que as suas motivações para andarem atrás dele são ainda muito insuficientes. Estão focados no imediato, na comida que passa, nos seus interesses pessoais. Jesus sabe que isso é normal por agora, mas deseja que eles vão mais longe. Todos nós começamos com motivações insuficientes, mas depois, pela escuta da Palavra de Deus, podemos ir purificando o nosso coração bem como as motivações que nos orientam. Os próprios discípulos, no início, não seguiram Jesus com motivações muito puras. Eles queriam era um bom lugar ao pé daquele que julgavam que viria a ser o seu rei e messias temporal. Pouco a pouco, iluminados por Cristo, vão purificando as suas motivações para o seguirem. Deve ter ficado bem gravado no seu coração aquele dia em que Jesus, reunindo-os à sua volta lhes diz, solenemente, depois de os ouvir a conversar entre eles sobre qual seria o maior: “Escutai bem: Aquele que quiser ser o maior faça-se o servo de todos”. Palavras como estas e o exemplo de humildade e serviço de Jesus, foram transformando os discípulos para os amadurecer no seguimento. As motivações que os levam a segui-lo no início, não são nada as mesmas que eles têm no fim do caminho de discípulos com Jesus. Foram-se convertendo.

Todos nós, por vezes através de uma linguagem muito santa, dizemos coisas bonitas acerca das nossas motivações para o seguirmos e o servirmos nos diversos ministérios da Igreja, mas a verdade é que todas as boas motivações que temos não existem em estado puro, são como o trigo e o joio, caminham juntas com motivações de interesses pessoais e isso é humano e quase inevitável. O arranque do joio, ao contrário da parábola de Jesus, que só se arranca no fim, tem de ser um trabalho do próprio ao longo da vida. Precisamos todos de nos ir convertendo e despojando dos nossos egoísmos e interesses pessoais, e nos irmos abrindo a uma entrega e doação cada vez mais despojada do nosso eu para sermos capazes de chegar àquela situação a que chegou S. Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim». Quando não fazemos este trabalho chegamos ao fim da nossa vida egoísta, azedos, mal -dispostos e insuportáveis. Ao contrário, quando fazemos o nosso trabalho interior de despojamento, tornamo-nos simpáticos, serenos, reconciliados, felizes.

E Jesus continua: “Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará.”

Eu dei-vos um alimento terrestre, mas era sinal de outra coisa muito mais importante: Naquele sinal vós devíeis ter reconhecido o Pai agindo através de mim. Ele é que me enviou para vos oferecer o alimento que dura até à vida eterna. Esta distinção entre alimento terreste e alimento espiritual era um tema favorito da religião judaica: Todos conheciam de cor a passagem do livro do Deuteronómio em que está escrito: “Nem só de pão vive o homem mas de toda a palavra que vem da boca de Deus” ( Dt 8,3)

Vê-se que os auditores de Jesus perceberam esta distinção entre alimento terrestre e celeste pois logo a seguir perguntam: «Que devemos nós fazer para praticar as obras de Deus?». E a resposta foi muito simples. “A obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou.” E eles perguntam: Porque devem acreditar nele, quais as suas referências? Moisés, deu-lhes o maná que veio do céu e dizia-se que o messias seria aquele que lhes traria maná dos tempos futuros. Então eles insistem, então e tu? Que obras realizas, qual e o teu maná? E sabemos a resposta de Jesus: O verdadeiro maná não vem de Moisés, Meu pai é que vos dá o pão do céu e depois introduz e anuncia a Eucaristia: «Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede».

Quando vivemos à superfície de nós mesmos nem damos conta da fome que temos de algo mais que não sejam os bens materiais, mas basta pararmos um pouco e começarmos a meditar no que vivemos em profundidade e damos logo conta que há qualquer coisa que nos falta, que a vida tem de ser mais qualquer coisa do que isto. Tantas vezes ouvimos dizer em testemunhos: “Eu tinha tudo materialmente falando e, no entanto, sentia um vazio, faltava-me algo essencial e não sabia o que era.” Agora que encontrei Jesus, já sei o que me faltava. Jesus é esse pão da vida que nos sacia.

Há uns anos atrás uns missionários portugueses que tinham seminário na Guiné, trouxeram para a sua casa alguns seminaristas guineenses para estudarem cá. Ao fim de 3 ou 4 dias foram ao gabinete do superior para lhes dizer, envergonhadamente, que sentiam fome. O Superior abismado, perguntou-lhes: – Fome? Mas vocês comem connosco à mesa e tem sobrado sempre comida, porque não comem mais? E eles responderam: – Sabe, nós estamos habituados a comer arroz em todas as refeições. O nosso estômago está tão habituado que, quando não comemos arroz, não nos sentimos saciados, sentimos fome.

Quando ouvi esta história pensei que se Jesus fosse guineense teria dito: «Eu sou o arroz da vida, quem vem a Mim nunca mais terá fome. Quem acredita em Mim nunca mais terá sede.