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Folha Paroquial nº 80 *Ano II* 09.06.2019 — DOMINGO DE PENTECOSTES

«Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra.»

A folha pode ser descarregada aqui (Pentecostes)

 

EVANGELHO (Jo 20, 19-23)

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

 

MEDITAÇÃO

Uma comunidade missionária na força do Espírito

Uma das tradições da criação do homem relatada no livro dos Génesis diz que «Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo.» Na Páscoa-  Pentecostes, acontece a nova criação, Jesus soprou de novo sobre a humanidade marcada pelo pecado e diz-lhes: «Recebei o Espírito Santo». O verbo utilizado é o mesmo no Génesis e em S. João, quando diz: “Jesus soprou sobre eles e disse: « Recebei o Espírito Santo» Dar a vida é obra do Espírito. Sobretudo dar-nos a vida de Deus, fazer-nos participar da sua intimidade, da comunhão com Ele. Mas esta intimidade de amor, a que Ele nos conduz, não se confunde com «intimismo», isto é, com ficarmos fechados em nós mesmos, voltados para a doce experiência que estamos a viver, indiferentes ao mundo. Uma verdadeira e autêntica experiência do Espírito volta-nos para os outros, para a missão para o serviço fraterno como tenho vindo a dizer nas últimas homilias. Ontem, como hoje, precisamos constantemente deste Espírito para não ficarmos fechados nas nossas belas igrejas ou sacristias. O Espírito impele-nos a «fazer-nos ao largo», a sairmos ao encontro do mundo, a irmos onde estão as pessoas, a proclamarmos, de todas as formas possíveis, que Jesus está vivo, que, quando lhe abrimos o coração, uma nova vida acontece. Deus ama os homens e quer o seu bem e a sua salvação. O Espírito leva-nos a não nos fecharmos nos nossos interesses pessoais, mas a acreditarmos que vale a pena sermos generosos e a entregarmo-nos ao serviço dos outros. Quando o decidimos fazer, O Espírito vem em nosso auxílio e desenvolve em nós capacidades espirituais e humanas que desconhecíamos a que chamamos dons ou carismas, como fala a segunda leitura. Esses dons são para o crescimento do Corpo que é a Igreja. E quanto precisamos do aparecimento desses dons na nossa comunidade!!! Dons para o canto e para a música, dons para a evangelização, dons de coordenação e liderança, dons para trabalhar com os adolescentes e os jovens, dons do Conselho e da Sabedoria, e nunca mais acabava. Mas é certo que os dons só se descobrem quando já estamos com as «mãos na massa». Cada membro da comunidade tem dons, o importante é que cada um esteja disponível para os pôr a render.

O que poderia ser uma comunidade cheia do Espírito? Seria uma comunidade missionária semelhante à que nos é apresentada nos Atos dos Apóstolos:

1.Seria uma comunidade de louvor voltada para Deus mostrando de onde vem a sua vida; «Louvavam a Deus e tinham a simpatia do povo.» (At 2,47) Por isso a celebração jubilosa da fé seria o seu ponto alto.

2. Mas ela seria também uma comunidade onde as relações de amor fraterno saltariam à vista, acolher-se-iam uns aos outros com alegria e respeitar-se-iam mutuamente inserindo aquele que é diferente. «Eram assíduos à comunhão fraterna, entre eles não havia necessitados pois iam em auxílio uns dos outros, partilhavam o pão nas suas casas com alegria e simplicidade de coração». (At 2,42)

3. Seria uma comunidade fortemente enraizada na fé e por isso sempre pronta a ser formada na Palavra de Deus e a assumir a cruz e as dificuldades da vida. «Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos…» (At 2,42)

4.Seria uma comunidade pronta para servir com alegria: “Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos”. (At 2,45 )

5.Seria uma comunidade evangelizadora porque, na força do Espírito, não poderiam calar o que viam e ouviam. E como consequência desta forma de viver, Seria uma comunidade em crescimento constante (At 2,47), pois o crescimento acontece sempre que um corpo está são e feliz, e a Igreja é um corpo vivo que quando está são, só pode crescer. «O Senhor aumentava todos os dias o número dos que entravam no caminho da salvação»

Poder-me-ão objetar: Mas isso seria uma igreja ideal e não a Igreja real que é feita por homens pecadores. Sim, haverá sempre problemas na vida da igreja por causa das nossas fraquezas e pecados. No entanto se não tivermos diante de nós o ideal do que deve ser a Igreja, como Cristo a sonhou, nunca daremos passos para lá chegarmos. Quando trabalhamos para isso poderemos nunca realizar totalmente o ideal perfeito, mas podemos chegar lá perto, e isso é possível. Muitas comunidades o conseguiram no passado e continuam a consegui-lo no presente. Que o Espírito Santo, vendo a nossa sede d’Ele, venha e nos inunde do seu Fogo Divino.

 

Oração

Espírito Santo, que és Senhor, e onde chegas tudo renovas e refrescas, vem sobre nós, sobre esta Diocese de Coimbra, sobre o seu Bispo e todo o seu povo e, de um modo especial, te pedimos um Pentecostes Novo sobre esta paróquia e seus fiéis. Lança-nos para o mar alto, para que não cedamos à tentação de ficar na segurança da praia. Dá ao pastor e aos fiéis ousadia e confiança. Inspira-nos e guia-nos, liberta-nos dos medos e do enclausuramento em nós mesmos. Pela tua inspiração, torna-nos criativos para sabermos encontrar soluções novas para problemas novos e a não nos deixarmos levar pela rotina daquilo que sempre fizemos, quando vemos que já não dá. Espírito Santo, dá-nos a humildade do Coração de Jesus e lembra-nos sempre a palavra da Escritura: «Não é pelo poder nem pela força, mas pelo Espírito de Deus». Dá-nos os carismas que precisamos para o serviço, sobretudo o da caridade uns pelos outros e dá-nos uma profunda alegria em servir o Senhor de todo o coração. Espírito Divino, faz com que a Tua Igreja Santa resplandeça o rosto bendito de Cristo ressuscitado e seja um Sinal de esperança para todos os homens. Que pela tua ação renovadora se possa dizer hoje, entre nós, como no princípio, que o Senhor aumenta todos os dias o número dos discípulos que entram no caminho da salvação. Vem, Espírito Santo, Vem. Vem. Amen.

 

 

 

Adolescentes do 5º ano de catequese celebram a esperança perante a comunidade paroquial

No passado dia 26 de maio, a igreja de S. José acolheu a habitual comunidade paroquial, na Eucaristia das 11h, e, de modo especial, as 46 crianças do 5º ano de catequese que, cumprindo o itinerário catequético, celebraram a Festa da Esperança. A igreja tornou-se pequena para todas as pessoas que quiseram testemunhar mais este passo na vida cristã destes adolescentes.

A celebração iniciou-se com a explicação do significado da palavra “Esperança”. Frente ao altar, nove crianças seguraram as letras da palavra, revelando o sentido de se fazer uma Eucaristia especial, tendo como foco o percurso da obra criadora de Deus para com o Seu Povo.

Inserida na Eucaristia dominical, esta celebração, conduzida pelo Padre Filipe Dinis, cumpriu todos os rituais habituais, contando com a participação dos adolescentes em quase todas as tarefas que integram o ritual atribuído aos leigos.

Coube ao Padre Filipe Dinis a presidência da celebração, que na homilia se focou no significado da palavra “Esperança”. Fez menção à génese da palavra, remetendo para a necessidade de viver em paz e no amor. “A palavra “Esperança” remete-nos para o verbo “esperar” e para esperar por algo ou por alguém é preciso ter paciência, que vem da palavra paz”, referiu o Pe. Filipe Dinis em resultado do diálogo estabelecido com as crianças.

Para além da necessidade de viver em paz, chamou a atenção para a importância do amor como alimento da esperança, conduzindo o olhar da assembleia para a imagem que ilustrou a homília deste domingo, da autoria de Fano. “Nesta imagem vemos duas pessoas que se estão a abraçar, que estão a ser bons companheiros”, afirmou o Pe. Filipe, lembrando que “se eu partilho, se eu abraço, se estou ao lado do outro, eu espero que também estejam ao meu lado”. Assim é a relação com Deus, desde a criação até à vida eterna.

Na reta final da homilia, o Pe. Filipe Dinis questionou os adolescentes: “vocês acreditam que Deus está na vossa vida?” Em uníssono a comunidade ouviu um sim convicto e, incentivados, foram dizendo onde O encontram: nas pessoas, na Missa, na escola, na catequese, na oração… Para concluir, o celebrante fez também menção aos pais “que nos dão o pão, o alimento”, mas também aos catequistas e aos professores, onde Deus também se revela.

“Temos esperança em Deus” afirmaram as crianças de forma convicta e audível no final da homilia.

Para além das dádivas da comunidade, recolhidas no ofertório, estiveram presentes três símbolos: as tábuas da lei, “onde estão as leis/mandamentos que orientam para o caminho do bem”, as alianças, “que representam o

compromisso com Deus”, e o catecismo, “onde se conhece e percebe qual o caminho a seguir”, explicaram. Neles, os adolescentes pretenderam dar sinal da intenção de “reforçar a esperança em Deus”, tal como afirmaram perante a comunidade.

A concluir a celebração, o Pe. Filipe Dinis dirigiu um “agradecimento aos pais pela presença e pelo testemunho” e convidou todas as crianças da catequese de infância da Igreja de S. José a integrar o coro infantil, assim como, a inscreverem-se nas aulas de religião e moral nas escolas, a serem acólitos, para que o compromisso assumido com Deus seja visível e efetivo.

Ana Carvalho

Comunidade de S. José celebra sacramento do batismo e 1ª comunhão com igreja repleta

A comunidade da Igreja de S. José (Coimbra) testemunhou, no passado dia 19 de maio, a celebração do segundo turno dos sacramentos do Batismo e da 1ª Comunhão, presidida pelo Padre Jorge Santos, pároco da Igreja de S. José, e concelebrada pelo Padre João Trindade, familiar de uma das crianças que integrou a referida cerimónia.

No dia 12 de maio, cerca de 40 crianças experienciaram o acolhimento de Jesus nos respetivos corações, através da celebração do sacramento da comunhão, e, no dia 19 de maio, 30 crianças disseram “Ámen” ao Corpo de Cristo entregue a cada um. Quer numa quer noutra data, algumas crianças também receberam o batismo, ficando, a partir desse momento, “unidos a Jesus”, tal como referiu o pároco de S. José, Padre Jorge Santos.

Carregada de simbolismo para as crianças e familiares, esta celebração ficou marcada por alguns apontamentos solenes, nomeadamente a procissão de entrada. A cruz processional encabeçou o cortejo, seguindo-se-lhe as velas que representavam a luz de Cristo e um vaso de trigo que, segundo referiu um jovem, representava cada grupo do 3º ano de catequese e, de modo particular a Parábola da Semente de Trigo, através da qual fundamentaram o sentido da comunhão feita pelos cristãos.

Entregues os símbolos, seguiram-se os ritos eucarísticos habituais, nomeadamente o ato penitencial e a liturgia da palavra, nas quais pais e filhos deram o seu contributo.

Feita a leitura do evangelho, pelo Padre João Trindade, o pároco de S. José fez menção, na homília, à razão de celebrar o sacramento da comunhão: “celebramos aquilo que Jesus nos deixou de mais importante – a Missa”. O Pe. Jorge Santos lembrou o que aconteceu na Última Ceia, antes de Jesus entregar a vida na cruz: “o Senhor Jesus partiu o pão e deu-o aos seus discípulos dizendo – “Fazei-o em memória de mim”. Este ato, para o pároco, representa “uma prova de amor” da qual a Eucaristia se tornou “um memorial”.

O pároco disse ainda que, em cada Eucaristia, Jesus “põe duas mesas: a mesa da Palavra e a da Comunhão”. Na da palavra, “Jesus alimenta-nos com a sua Palavra, através da Bíblia” e na da Comunhão “recebemos o Corpo de Cristo” que, tal como a Palavra, “alimenta o nosso coração”.

Seguidamente o Pe. Jorge Santos derramou os santos óleos sobre oito crianças que receberam o batismo também nesta celebração. “Vão receber a vida de Jesus e vão poder chamar a Deus de pai”, começou por dizer o pároco da Igreja de S. José, “depois da Comunhão, toda a assembleia será divinizada por Jesus”, concluiu.

“Sede luz de Cristo”, desafiou o Pe. Jorge Santos, depois de as oito crianças batizadas exibirem as velas batismais devidamente acesas pelos respetivos padrinhos e madrinhas.

Posteriormente foi a vez de cada criança do 3º ano, pertencente à catequese de infância da Igreja de S. José e ao Externato João XXIII, receber, pela primeira vez, Cristo no coração. Revestidos de Cristo, envergando uma veste branca, as crianças disseram “Ámen” ao corpo de Cristo que se lhes apresentou pela primeira vez.

Na reta final desta cerimónia, as crianças deixaram ainda uma oferta à mãe de Jesus – um ramo de rosas brancas – rezando-lhe uma Avé Maria.

A terminar a cerimónia, o Pe. Jorge Santos confirma entusiasticamente a todas as crianças presentes nesta celebração que “a partir de agora podeis participar plenamente na Eucaristia”. Para recordação, as respetivas catequistas entregaram um diploma e uma dezena a cada criança que, doravante, poderá, em cada Eucaristia, receber Jesus Cristo no seu coração.

Ana Carvalho

 

Folha Paroquial nº 78 *Ano II* 26.05.2019 — DOMINGO VI DA PÁSCOA

« Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.»

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EVANGELHO ( 14, 23-29)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».

MEDITAÇÃO

O dom do Espírito e o serviço fraterno
Estamos nas últimas horas da vida de Jesus, mesmo antes da Paixão: a hora era dramática… Podemos imaginar a angústia dos últimos momentos, apercebemo-nos dela através de algumas linhas, uma vez que, repetidamente, Jesus dá aos seus discípulos palavras de tranquilidade: «Não se perturbe nem se intimide o vosso coração». Mas Jesus permanece muito sereno: aqui, como ao longo de toda a paixão, é Ele quem tranquiliza os discípulos! Ele inclusive
anuncia o que vai acontecer: «Digo-vos estas coisas agora antes que elas aconteçam, para que, quando acontecerem possais acreditar». A chave deste texto é o termo «Palavra»: ele aparece várias vezes e se olhamos para o que está antes não há dúvida possível. «A Palavra que vós escutastes não vem de Mim mas do Pai que Me enviou». Dito de outro modo, Ele é o enviado do Pai, Ele é a Palavra do Pai. Doravante é o Espírito Santo que fará compreender esta palavra e a guardará na memória dos discípulos. E que Palavra é esta que é preciso absolutamente guardar? É o “mandamento novo do amor”: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei», o que é o mesmo que dizer: «Colocai-vos ao serviço uns dos outros», e, para se fazer compreender bem, Ele mesmo deu um exemplo muito concreto lavando os pés dos seus discípulos. Ser fiel à sua Palavra, é, pois, simplesmente colocar-se ao serviço dos outros. E, finalmente, no texto de hoje, «Quem Me ama guardará a minha Palavra», pode assim traduzir-se: «Quem me ama coloca-se ao serviço dos outros…». Inversamente, «Aquele que não me ama não se colocará ao serviço dos outros…», o que não se coloca ao serviço dos outros não guarda a palavra de Cristo! E assim compreendemos melhor o papel do Espírito Santo: é Ele quem nos ensina a amar de verdade, pois Ele nos lembra o mandamento do amor. Ele, o Espírito, é o Defensor porque nos defende de nós mesmos, dado que a nossa maior infelicidade é esquecer que o essencial consiste em nos amarmos uns aos outros, colocando-nos ao serviço uns dos outros. Quando vemos o Espírito em ação, Ele está sempre a enviar-nos ao serviço. Maria, cheia do Espírito, depois da Anunciação, vai ao encontro de Isabel para a servir; nos Atos dos Apóstolos, a primitiva comunidade cristã colocava os seus bens ao serviço da comunidade; no texto de hoje, dos Atos dos Apóstolos (1ª leitura) vemos o Espírito em ação no chamado 1º Concílio de Jerusalém onde surgem dificuldades de relação entre cristãos vindos do paganismo com cristãos vindos do judaísmo. O Espírito de Amor inspirou aos discípulos de Cristo a vontade de manter a unidade e não imporem fardos pesados aos cristãos de origem pagã.
Sempre que alguém está cheio do Espírito Santo torna-se um servidor dos irmãos. Por isso, S. Paulo, quando fala dos carismas que o Espírito faz brotar nos cristãos para o serviço da comunidade, dá-lhes um critério de discernimento, «um caminho que ultra passa tudo»… e depois apresenta o hino da caridade: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, ainda que eu tenha carismas de profecia e de línguas e de martírio, se não tiver amor de nada
me vale, pois, ainda que esses carismas possam ter brotado do Espírito, nós abusámos deles colocando-os ao nosso serviço e assim eles não servem de nada para o nosso bem”. O carisma ou dom só nos enriquecem se forem exercidos por amor e para o amor. Estamos a aproximar-nos do Pentecostes: peçamos todos o dom do Espírito que nos leve a formar uma comunidade de servidores que vivem o mandamento novo do serviço por amor.

Folha Paroquial nº 78 *Ano II* 19.05.2019 — DOMINGO V DE PÁSCOA

«Louvarei para sempre o vosso nome, Senhor, meu Deus e meu Rei. »

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EVANGELHO (Jo 13, 31-33a.34-35)
Quando Judas saiu do Cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora. Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros». 

MEDITAÇÃO

1. Com Cristo ressuscitado e o envio do Espírito começaram os
novos céus e a nova terra.
O livro do Apocalipse que lemos como segunda leitura, fala-nos da visão de um novo céu e uma nova terra onde já não há lágrimas, não há morte, nem luto, nem dor. O que era antigo passou. Primeiro céu, primeira terra, reenvia-nos para o Génesis, o primeiro livro da Bíblia. Assim, para entendermos o último livro da Bíblia, temos de ir ao primeiro, já que o último é a consumação em plenitude do primeiro. No Génesis lemos: “Deus criou o céu e a
terra” e deu-se conta de que a Sua criação era boa, e no caso do homem e da mulher, era muito boa. E no entanto fazemos a experiência quotidiana de lágrimas, de luto, de tristezas, injustiça e dor. É também o Génesis que nos dá a explicação de que este mundo belo e bom, foi atingido gravemente na sua beleza, harmonia e felicidade pelo pecado dos nossos primeiros pais do qual todos fomos herdeiros e retransmissores. Ele diz-nos que a raiz de todos os sofrimentos está na falha que se cavou entre Deus e a humanidade. É esta desconfiança original que arruina a Aliança e que empurra a humanidade a tomar caminhos que só lhe reservam fracassos. Mas Deus, que sempre amou os homens, não desiste do Seu sonho de uma humanidade nova e vai-o fazendo saber ao longo da revelação bíblica. O profeta Isaías refere-se a esta nova humanidade com palavras muito parecidas com as do Apocalipse escutadas hoje: «Eis que eu vou criar um novo céu e uma a nova terra…já não mais se lembrarão do passado. Exultai de alegria, rejubilai pelo que vou criar (…) jamais se ouvirão gritos de dor e lágrimas de sofrimento» ( Is 65, 17-20).
Parece-nos ouvir ressoar nestes textos aquilo que Paulo diz: «Os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há-de manifestar em nós. A criação espera com impaciência a revelação dos filhos de Deus…ela aguarda na esperança a libertação da escravidão da corrupção, para participar na liberdade dos filhos e Deus. De facto, a criação inteira geme e sofre ainda as dores de parto» (Rom 8, 19-22).
Jesus utilizou mais a expressão «Reino de Deus» para falar dessa novidade que Ele veio trazer e se há-de consumar em plenitude. E esse Reino que esperamos e para o qual trabalhamos é, ao mesmo tempo, continuidade e rutura com esta terra que habitamos. O nosso trabalho de cristãos e de todos os homens de boa vontade contribui grandemente para a renovação da Criação, pois a intervenção de Deus transfigurará os nossos esforços.
Qual a nossa colaboração para que venham os novos céus e a novaterra?

2. Pela evangelização o mundo é transfigurado
Em primeiro lugar é necessário que Deus venha ao coração dos homens e da história. Sem a ação de Deus no coração dos homens não há Reino de Deus, não há novos céus e nova terra. Por isso, é necessária a evangelização, como fizeram os apóstolos depois da ressurreição e do envio do Espírito, como nos conta a primeira leitura de hoje. Todo aquele trabalho dos apóstolos em anunciarem o Reino de Deus é porque eles sabiam e acreditavam, que pela força do Evangelho, o mundo pode ser transformado em Reino de Deus e, ontem como hoje, nós vemos isso a acontecer. Aí onde o Evangelho entra, um pequeno pedaço do mundo novo começa a ver-se. O Evangelho muda o coração das pessoas e leva-as a agirem como Cristo, conduzidas pelo seu amor que as habita. Ah, se todos os cristãos percebessem quanto é necessária a evangelização e que esta não se trata tanto só de algo religioso, de um trabalho de transfiguração do mundo pois quando Deus deixa de habitar o nosso coração o mundo transforma-se em imundo, o cosmos transforma-se em caos.

3. A vivência do Mandamento Novo é sinal da presença do Espírito Santo no coração dos homens a renovar todas as coisas.
É isso que faz com que o mandamento seja novo. O que é novo não é o amarmo-nos uns aos outros, pois isso já vinha do Antigo Testamento. O que é novo é amar como Ele, quer dizer, sendo completamente guiados pelo Seu Espírito, amar com o amor que vem d’Ele. E assim compreendemos melhor as suas palavas: «É por este sinal que todos reconhecerão que sois meus discípulos; se vos amardes uns aos outros». Mais do que um mandamento é uma constatação. Se somos seus discípulos é o seu próprio Espírito que dita os nossos comportamentos. Deus sabe quanto amar no concreto, no dia a dia, é dificil para nós. Pois bem, se o conseguirmos fazer nas nossas comunidades cristãs, o mundo será obrigado a admi”r que o Espírito de Cristo age em nós! Somos, pois, convidados a um ato de fé! Crer que o seu Espírito de amor nos habita, que os seus recursos de amor que doravante temos connosco são capacidades de amor insuspeitadas porque são as de Jesus em nós. E então torna-se possível amar «como Ele»
porque o seu Espírito vive em nós. E se o fazemos estamos a criar os novos céus e a nova terra, onde o amor tudo vence: As guerras, o ódio, a injustiça, o mal. Não podemos confundir amor com sensibilidade. Jesus disse que
nos amássemos uns aos outros e disse-o num contexto de serviço, de lava pés. Nós até podemos sentir alguma «alergia» sentimental para com alguns irmãos. Os sentimentos são o que são e não os mudamos quando
queremos, mas podemos decidir amar os irmãos mesmo se eles não nos
atraem nada sentimentalmente.
Podemos decidir fazer-lhes todo o bem que Jesus lhes faria, servindo-os com alegria e humildade no amor de Jesus. E assim estamos a construir os novos céus e a nova terra onde habitará a justiça e o amor, e onde Deus será tudo em todos. Que venha o teu Reino, que venha o teu Espírito, que venham os novos céus e a nova terra. 

Folha Paroquial nº 77 *Ano II* 12.05.2019 — DOMINGO IV DE PÁSCOA

Domingo do Bom Pastor

«Nós somos o povo de Deus, somos as ovelhas do seu rebanho.»

 

A folha pode ser descarregada aqui.

EVANGELHO (Jo 10, 27-30)

Naquele tempo, disse Jesus: «As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as  minhas ovelhas  e  elas  seguem-Me. Eu  dou-lhes  a  vida eterna e nunca hão de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só».

 

MEDITAÇÃO

Nós somos o Povo do Senhor

Hoje, Domingo do Bom pastor, dia que se conclui a semana das vocações de consagração, gostava sobretudo de convidar-vos a fixar o vosso olhar no Bom pastor que ressuscitou e dá a vida pelas suas ovelhas. O Evangelho de hoje, bem conciso, é porém explosivo pela força que contém, e os judeus reagiram com firmeza às palavras de Jesus. Para compreendermos melhor o contexto, lembremo-nos que, antes disto, Ele estava no Pórtico de Salomão e os judeu estavam decididos a pô-lo entre a espada e a parede, perguntando-lhe: «Até quando vais tu manter-nos em suspenso? Se és o Cristo, (O Messias), di-lo abertamente»; É uma espécie de ultimato do género «sim ou não? Decide-te uma vez por todas». Em vez de responder «sim, sou o Messias», Jesus vai mais longe. Fala-lhes das suas ovelhas, o que vai dar ao mesmo! Porque o povo de Israel comparava-se a um rebanho: «nós somos o povo de Deus, o rebanho que Ele conduz» É uma fórmula que aparece frequentemente nos salmos e particularmente na deste Domingo. «Ele nos fez, a Ele pertencemos». Rebanho muitas vezes desobediente, mal conduzido pelos reis que se sucederam no trono de David mas sabia-se que o Messias, esse sim, seria um pastor atento e consagrado ao seu povo. Naturalmente, Jesus para afirmar que era o Messias, usa uma linguagem habitual sobre o pastor e as ovelhas. E os interlocutores compreenderam-no bem. Mas Jesus leva-os mais longe; falando das suas ovelhas, ousa afirmar: «Eu dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, ninguém as arrebatará da minha mão»… Fórmula audaciosa: quem pode dar a vida eterna? Quanto à expressão «estar na mão de Deus», era muito habitual no Antigo Testamento; por exemplo em Jeremias: «Vós estais na minha mão, povo de Israel, diz o Senhor, como a argila, na mão do oleiro» (Jer 18,16) e muitas outras passagens. Jesus faz referência a estas passagens bíblicas, pois acrescenta de imediato: «Ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai». Coloca assim, claramente, no mesmo pé as duas fórmulas «a minha mão» e «a mão do pai». Mas não fica por aqui. Persiste ainda em dizer: «Eu e o Pai somos um só». E assim ele responde muito para além da pergunta que lhe é dirigida: mais do que dizer; «sim, eu sou o Messias», afirma-se igual a Deus na condição de Filho da mesma natureza que o Pai. Claro que os judeus não podiam aceitar isso, habituados como estavam a rezar todos os dias: «Escuta Israel o Senhor nosso Deus é único». Jesus foi incompreendido, perseguido, eliminado, mas alguns acreditaram n’Ele. João diz no prólogo do seu evangelho: «Veio para o que era Seu e os seus não o receberam…mas aos que o receberam, aos que creram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo1,11-12) Deste pequeno resto nasceu o povo cristão: «as minhas ovelhas escutam a minha voz, eu conheço-as e elas seguem-me. Eu dou-lhes a vida eterna.» Apesar da oposição que Jesus encontra, da saída trágica já previsível, há aqui incontestavelmente uma linguagem de vitória: «Ninguém pode arrebatar nada da mão de meu Pai.» É como um eco da frase de Jesus: «Coragem, eu venci o mundo». Os discípulos de Jesus, ao longo da história, têm muita necessidade de se apoiar nesta certeza: «Ninguém pode arrebatar nada das mãos do Pai.»

É bom para nós termos esta certeza. Somos o Povo que o Senhor escolheu para sua herança, o povo que está nas suas mãos e que Ele nunca abandona». Podemos passar por muitas dificuldades, perseguições, incompreensões. Temos os nossos pecados e sofremos também pelos pecados dos outros, mas nada disso nos fará ser arrebatados das mãos do Pai. Ao longo da história, Jesus chamou e configurou consigo, pelo sacramento da Ordem, homens que tornassem visível este pastoreio de Jesus. Se houve muitos que o fizeram com grande santidade de vida e souberam transparecer com grande beleza o bom pastor, outros foram mais opacos a essa luz de Jesus. É uma honra, nunca merecida, poder servir o Senhor no ministério presbiteral. Sei bem que É Ele que cuida do seu povo e é para Ele que me volto continuamente e lhe digo: Senhor, apesar de mim, não deixes de visitar o teu povo e derramar sobre Ele os teus benefícios. Que ao menos eu não atrapalhe a passagem da tua graça e da tua misericórdia. Que Eles vejam o teu rosto, tu que lhes dás a vida terna, que os alimentas, que os guardas com ternura na palma das tuas mãos. Usa-nos para anunciar a Tua Palavra e administrar os dons da tua graça, mas nunca permitas que nos esqueçamos que és tu o único pastor do teu povo, aquele que o guarda e lhe dá a vida. E a minha alegria é ver a Tua obra. Contemplar, em ação de graças, a alegria dos que Te encontram e se voltam para ti. E quantas graças temos de dar-Te por te ver a agir e a tomar conta do povo que amas. Apesar de estarmos em tempos difíceis para a tua Igreja, estou cheio de esperança no futuro e nos sinais que se anunciam já no presente. Pastoreia-nos, Jesus, conduz-nos, enche o coração dos que Te servem nas paróquias do fogo da esperança e dá a todos uma imensa alegria por servirem o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Derrama o fogo do teu amor sobre os jovens de hoje e chama alguns para o sacerdócio pois a tua Igreja precisa deles. Visita as nossas paróquias com o dom do chamamento pois quando experimentamos o teu amor é difícil resistir-Te. A Ti, bom pastor, que dás a vida pelas tuas ovelhas e as guardas na tua mão, o nosso reconhecimento, adoração e louvor pelos séculos dos séculos. Ámen.

 

Fim-de-semana Alpha

 
Nos dias 6 e 7 de Abril o curso Alpha de S. José e São João Baptista viveu o seu Fim-de-Semana voltado para o Espírito Santo. Dois dias muito especiais para todos aqueles que, desde o final de Janeiro, participam neste percurso. Cerca de 140 adultos e 40 crianças rumaram até ao Seminário de Leira, para este fim-de-semana tão intenso e emanado de paz, de amor e de partilha entre irmãos.
O Espírito Santo, o Espírito do Pai e do Filho é o mistério Trinitário, que nos faz conhecer e amar melhor Um e Outro. No Espírito Santo procuramos viver por Jesus e em Jesus para sermos, num estado de pertença e de identificação mais total com Ele, filhos adoptivo do Pai.
Tornou-se mais claro o viver cristão neste fim-de-semana, não assente em “crendices” ou “coisas já estabelecidas”, mas numa vivência e procura de encontrar cada vez mais a Deus em comunhão de Igreja.
Nem falo, obviamente, dos testemunhos que se abriam aos nossos olhos quando no fim-de-semana rezámos individualmente pelos convidados que assim o desejaram.
Deus realmente faz muito, faz tudo, com o tão pouco que nós somos!
Basta que nos abramos à sua presença, e deixar que Ele faça em nós e se sirva de nós, e tudo o mais vem por acréscimo.
Acredito que o Percurso Alpha, pela graça de Deus, pode chamar e mudar aqueles que andam afastados ou mais descrentes, que andam sem rumo, sem sentido na vida, sobretudo pela falta de um encontro pessoal com Jesus Cristo.
E, ao realizar essa mudança nos homens, torna cada vez maior e mais real a comunhão em Igreja, caminho de salvação por Cristo, com Cristo e em Cristo.
Margarida Gomes

Domingo da Generosidade – 7 abril

No próximo Domingo, 7 de abril.

O saldo da conta da construção vai atualmente em 58.325,91€. Estamos com alguma esperança de que da CCRC possa ser aprovado um pequeno subsídio de 50.000 euros. Mas mesmo assim ainda falta uns 70.000 para o que precisamos. E ainda não está nada certo de que vamos receber. Por isso vamos avançando para a meta. Este ano o salão tem de ser requalificado, se Deus quiser.

Conta da Construção (31 Dez 2018): 52.509,24€  (+1.419,00 que no mês anterior)
Conta da Construção (31 Jan 2019): 56.921,91€ (+4.412,67 que no mês anterior)
Conta da Construção (28 Fev 2019): 58.340,91€ (+7.412,67 que no mês anterior)

Como vai sendo do conhecimento de todos a paróquia destina o ofertório do Domingo da generosidade para a conta da requalificação do salão e das outras obras a fazer.  Em 28 Fevereiro, ia em 58.340,91€: O ofertório do dia da generosidade de Fevereiro contribuiu apenas com 1.419,00€ para esta conta, uma vez que começamos a amealhar para o aquecimento da igreja que já vai em 3.694,68€

Conta da Aquecimento (28 Fev 2019):3.694,68

Remodelação do Salão Paroquial

Faça o seu donativo:

NIB: PT50 0018 0000 01075022001 81 (Fábrica da Igreja Paroquial Freguesia S. José)

Conta da Construção (31 Dez 2018): 52.509,24€  (+1.419,00 que no mês anterior)
Conta da Construção (31 Jan 2019): 56.921,91€ (+4.412,67 que no mês anterior)
Conta da Construção (28 Fev 2019): 58.340,91€ (+7.412,67 que no mês anterior)

Como vai sendo do conhecimento de todos a paróquia destina o ofertório do Domingo da generosidade para a conta da requalificação do salão e das outras obras a fazer.  Em 28 Fevereiro, ia em 58.340,91€: O ofertório do dia da generosidade de Fevereiro contribuiu apenas com 1.419,00€ para esta conta, uma vez que começamos a amealhar para o aquecimento da igreja que já vai em 3.694,68€

Conta da Aquecimento (28 Fev 2019):3.694,68

 

Escola de Pais com os Jesuítas

Os jesuítas em Coimbra vão organizar a partir de sexta-feira, dia 1 de fevereiro, uma Escola de Pais, com encontros mensais que ajudem os pais a reflectir sobre temas que os preocupam na educação dos seus filhos. Entre os temas estão a utilização da internet e dos videojogos, a educação para a afetividade, a ansiedade ou a pedagogia inaciana.

1 de Fevereiro – Os pais são chatos! São mesmo? Com Laurinda Alves e Roque Cunha Ferreira
1 de Março: Redes sociais e internet: inimigos ou parceiros na educação?
5 de Abril: Educar para a afetividade.
10 de Maio: Ansiedade: um sinal dos tempos?
14 de Junho: Pedagogia inaciana: o que é?
Brevemente serão anunciados os convidados das restantes sessões.

Informações: gabcom@caic.pt