Folha Paroquial 22.05.2022 — DOMINGO VI DA PÁSCOA

Folha Paroquial 22.05.2022 — DOMINGO VI DA PÁSCOA

Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.

A folha pode ser descarregada aqui.

EVANGELHO ( Jo 13, 31-33a.34-35 )
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Grande é o Senhor na Cidade do nosso Deus
Jerusalém é, na Bíblia, um símbolo da Igreja. Na Antiga Aliança Deus habitava no Monte Sião, no Templo de Jerusalém. Hoje, Deus habita na Sua Igreja. A segunda leitura, do livro do Apocalipse vê a realização futura desta Igreja já sem templos, sem sol e sem lua, porque a presença de Deus nela é total e ela resplandece-O por todos os poros. Esta visão de uma Igreja totalmente resplandecente de Deus é uma bela imagem do futuro para onde caminhamos.

Alguém dizia que «a Igreja é a maior história de amor que já existiu no mundo», e se a olharmos com olhos de fé, compreendemos a afirmação. A Igreja é uma ideia da Santíssima Trindade, planeada pelo Pai, jorrou do coração de Cristo ferido por amor na cruz e semeou-se no mundo com o sopro do Pentecostes. Ela nasceu do amor eterno de Deus e continuamente testemunha e vive, esse amor através da vida daqueles que «guardaram a Palavra de Jesus» e a puseram em prática: Os mártires, e toda inumerável multidão de santos de todas as épocas e de todas as proveniências. Mas também aqueles que se doam, dia a dia, em favor dos seus irmãos tentando construir um mundo mais fraterno e mais humano. Mesmo nos países onde a Igreja é muito minoritária como no caso da Índia, a sua dedicação aos pobres torna-a imensamente relevante na sociedade e, é por isso, que está a ser perseguida pelos fanáticos do Induísmo. Se a Igreja brilha e resplandece com aqueles que vivem “a medida alta da vida cristã”, a santidade, o seu brilho é também continuamente ofuscado pelo pecado e infidelidade de muitos dos seus membros. Hoje, a Igreja está a sofrer a consequência de tantos pecados que andavam escondidos aos olhos do mundo, mas não de Deus, como é o caso dos abusos sexuais de muitos dos seus membros, sobretudo clérigos, que são os que chamam mais a atenção. Estas infidelidades geram uma tal desconfiança que criam uma nuvem escura nas consciências que não deixa ver essa história de amor que ela sempre protagonizou e continua a protagonizar.

Quanto mais amamos a Igreja mais dor sentimos, cada vez que ela aparece manchada com pecados que minam, com razão, a confiança nela por parte das pessoas. Apesar disso, confesso o meu amor pela Igreja. Eu sei que ela é, e será sempre frágil e pecadora nos seus membros, e eu sou um desses membros pecadores, mas sei também que ela é santa, amada por Deus com um amor eterno, que continuamente a renova e a restaura no seu amor. «Cristo amou a sua Igreja e entregou-se por ela para a santificar, purificando-a, no banho da água, pela palavra. Ele quis apresentá-la esplêndida, como Igreja sem mancha nem ruga, nem coisa alguma semelhante, mas santa e imaculada.” (Ef 5, 25-26)

O amor a Cristo concretiza-se no amor à Sua Igreja. As palavras da primeira carta de S. João sobre o amor fraterno podem ser lidas desta forma: Se alguém diz: «Eu amo a Deus», mas desprezar a sua Igreja, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama a sua Igreja a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. *E nós recebemos dele este mandamento: quem ama a Deus, ame também a sua Igreja.

Eu creio que Deus já está a restaurar a sua Igreja a partir dos cacos da sua destruição, porque Ele nunca desiste dela pois não desiste da humanidade. O Papa Francisco é um arauto desta mudança e dá ao mundo um olhar de esperança sobre a Igreja.

A Igreja precisa de fazer mudanças. A nível universal, a nível local e a nível ainda mais pequeno como são as paróquias, células vivas da Igreja. É por isso que o papa propôs a toda a Igreja um caminho sinodal.

Há muita coisa que continuamos a fazer que já não tem sentido, mas que levados pelo «é costume ou é tradição» continuamos a fazer como sempre fizemos. Temos medo de inovar porque não temos a certeza se será melhor. Mas pior, é difícil ficar. Exemplo disso é a nossa catequese , são os sacramentos que as pessoas continuam a pedir, mas sem a fé que supõem esvaziando os sacramentos e a mudança interior que eles provocam quando recebidos com fé.

Vamos ter de mudar muita coisa entre nós naquilo que está ao nosso nível, pois não podemos fazer coisas que não dependem só de nós, mas da Diocese e da Igreja universal.

São todos estes e outros assuntos que vão merecer a reflexão dos catequistas da UP e depois o Conselho Pastoral pois não podemos continuar a fazer como sempre fizemos esperando que o resultado seja diferente.

No entanto, as mudanças são sempre difíceis e haverá sempre reações contrárias, mas não devemos fugir ao embate sob pena de sermos infiéis à missão que Deus nos confiou.

A primeira leitura apresenta-nos a Igreja ainda nos inícios confrontada com novos problemas que lhe surgem e que pedem mudanças na visão tradicional.

Hoje parece-nos um pequeno problema, mas era, de facto, uma gigantesca decisão de consequências enormes para o futuro. Aqueles pagãos que se convertiam a Cristo deviam ser circuncidados e seguir os costumes judeus, ou deveriam ser aceites na nova comunidade sem ser necessário o cumprimento desses costumes judaicos como a circuncisão? No fundo a questão era: Devia a Igreja abrir-se ao mundo pagão, isto é, a todos os povos que não eram judeus, ou devia permanecer fechada na visão judaica. Foi para isso que se reuniu o primeiro Concílio em Jerusalém. E a conclusão foi: O Espírito Santo e nós, decidimos não vos impor mais nenhuma obrigação, além destas que são indispensáveis.

A Igreja está consciente de que a assistiu na reflexão o Espírito Santo que lhe ensina “ todas as coisas” e a conduz a encontrar nas contínuas mudanças da história caminhos novos e linguagem nova para o anúncio do Evangelho mantendo sempre a referência a Jesus e à Sua Palavra e ensino.

Jesus preparou a Igreja para as tribulações dizendo aos discípulos: “. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!» E no evangelho de hoje, Jesus diz-nos: « Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não se perturbe nem intimide o vosso coração.»

É a certeza da sua presença viva e da ação do Seu Espírito que nos dá confiança de que sejam quais forem os vendavais e as tempestades da história, esta barca continuará a remar sobre as ondas gigantescas, a deixar entrar muita água, mas nunca se afoga. «Ele já venceu o mundo.»”

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