Como formar discípulos hoje? – conclusão

Como formar discípulos hoje? – conclusão

“O discípulo não é superior ao mestre, mas todo o discípulo perfeito deverá ser como o seu mestre.” Jesus convida-nos a ser como Ele e aceitar entrar num processo de transformação interior e passar de árvore má a árvore boa que dê bons frutos. Jesus começou por fazer esse convite aos primeiros discípulos que Ele chamou. Através das escrituras, vemos que Jesus teve como opção prioritária e central a formação dos seus primeiros seguidores para crescerem no discipulado e entrarem como colaboradores da sua missão.

Se Jesus teve este cuidado na formação dos seus primeiros discípulos, a Igreja deve ter o mesmo cuidado na formação dos discípulos de hoje. Aliás, foi o mandato que Ele nos deu: «Ide, fazei discípulos (…) e ensinai-os a cumprir tudo quanto vos mandei.»

A nossa consciente decisão de colocar o grande Mandato Missionário de Jesus no centro da identidade e da ação da nossa Unidade Pastoral, significa discernir e decidir novos modos de providenciar formação cristã para permitir às nossas comunidades e paroquianos crescer em Cristo como discípulos-missionários. Essa é a nossa visão pastoral: formar discípulos-missionários através dos 5 essenciais.

Ser discípulo é ser aprendiz que se senta aos pés de Jesus, cresce na fé e na compreensão das palavras de Jesus e é enviado como testemunha a comunicar aos outros a verdade do amor de Deus em Cristo: «Estai sempre prontos para responder a quem vos pergunte sobre a razão da vossa esperança” (1 Pd 3,15).

O querigma ou a “Grande História de Jesus”, é o coração da formação cristã, como vemos nos Atos dos Apóstolos (At 10,34-43). Este é a proclamação da vida, morte e ressurreição de Jesus como a revelação do amor e da misericórdia salvadoras de Deus. Diz o Papa Francisco, «Não se deve pensar que, na catequese, o querigma é deixado de lado em favor duma formação supostamente mais «sólida». Nada há de mais sólido, mais profundo, mais seguro, mais consistente e mais sábio que esse anúncio. Toda a formação cristã é, primariamente, o aprofundamento do querigma que se vai, cada vez mais e melhor, fazendo carne, que nunca deixa de iluminar a tarefa catequética, e permite compreender adequadamente o sentido de qualquer tema que se desenvolve na catequese.” ( EG,165).

Há quatro tipos de formação cristã, que brotam do querigma e o aprofundam: formação humana, espiritual, doutrinal e pastoral. Não temos espaço para os desenvolver. Quem quiser aprofundar basta descarregar o plano pastoral da UP no site da respetiva paróquia e lá encontrará isto desenvolvido quando se fala do essencial da formação.

Hoje gostaria apenas de acrescentar que a experiência nos tem mostrado a importância de quatro contextos diferentes na formação do discípulo-missionário: o Contexto pessoal do um a um, o contexto do pequeno grupo, o contexto da equipa de serviço e o contexto da paróquia.

O contexto um a um
É o contexto que temos desenvolvido menos, mas é muito importante. Ele acontece de uma forma espontânea ou em encontros regulares com o sacerdote que vai fazendo o acompanhamento a pessoas que o pedem, ou em encontros com os líderes dos diferentes grupos que ajudam a pessoa a avançar na vida espiritual. Pretende-se no futuro que os líderes da equipa Alpha façam, no fim do percurso, um encontro pessoal com cada participante para ajudar cada a um a identificar o seu próximo passo mais pertinente a fazer. Damo-nos conta de que alguns, mesmo fazendo uma experiência espiritual forte, passado algum tempo vemos que não rezam e não frequentam a Eucaristia se ainda o não faziam. São passos que não são evidentes sem ajuda.

O contexto do pequeno grupo
A experiência de conversão, quando é vivida no seio de um percurso, gera entre as pessoas laços fraternos muito profundos que permitem sentir-se pertença de um corpo. Este pequeno grupo permite um clima de confiança que permite a abertura do coração e uma disposição para se deixar transformar. É isso que acontece nos pequenos grupos do Alpha, depois das células e noutros pequenos grupos de outros percursos, como o de catequese de adultos, etc. A formação dada no quadro de um pequeno grupo permite adaptar o conteúdo às necessidades das pessoas.

O contexto da equipa de serviço
O compromisso num serviço regular, por mais pequeno que seja, contribui muito para a formação espiritual. Com efeito, este compromisso permite crescer no dom de si, de pôr em prática o amor nas pequenas coisas, de tornar mais forte a confiança em si mesmo e nos outros, de descobrir, através dos outros, os dons e carismas que o Senhor lhe dá e de saborear a ação da Providência.
A experiência tem-nos mostrado que quem tem um serviço na paróquia sente-se integrado nela e que isso as faz crescer na fé: por isso é que apelamos insistentemente a cada um para que se comprometa num serviço, mesmo que simples e ainda que não ocupe demasiado tempo, até que a pessoa esteja preparada para uma maior responsabilidade.

O contexto da paróquia
Os momentos da vida paroquial, onde todos estão reunidos, representa o quarto contexto de formação, o contexto do grande grupo:
– A missa de Domingo, através da homilia e a oração comunitária. As homilias podem ser verdadeiros lugares de formação e daí a importância de fazer módulos de homilias sobre um tema que podem estender-se sobre três a cinco Domingos.
– As palestras ou conferências bíblicas, teológicas ou sobre temas sociais que se podem ir fazendo periodicamente.
Assim, estes 4 contextos de formação são complementares e necessários à transformação dos discípulos. Se falta um deles, o crescimento espiritual dos discípulos será afetado.

A paróquia torna-se então uma comunidade de aprendizagem que gera discípulos-missionários

Como utilizar os contextos de formação
Cada um pode interrogar-se sobre o modo como vive os diferentes contextos de formação:

No contexto pessoal
• Conversei com alguém recentemente sobre o meu próximo passo?
• Que hábitos espirituais estou chamado(a) a reforçar neste momento?
• Que percurso de formação me ajudaria (grupo de oração, grupo bíblico, percurso Timóteo, percurso de casais, uma célula….)?
• Se desejo ir mais longe no meu caminho, tenho um acompanhante espiritual?

No contexto do pequeno grupo
• Estou ligado a algum pequeno grupo de partilha onde se vivem os cinco essenciais? Onde se reza, se cresce na fraternidade, onde se recebe formação, onde se serve e se evangeliza?
• Como é que a participação neste grupo me faz crescer na fé e na oração pessoal?
• Como é que este grupo me ajuda a viver da palavra de Deus?
• Como é que este pequeno grupo me ajuda a atravessar os momentos de provação?
• Como é que este grupo me fortalece na fidelidade no meu serviço e no meu compromisso espiritual?

No contexto do serviço e da missão
• Estou comprometido num serviço e / ou numa missão?
• Como é que este compromisso me estimula a orar mais?
• Como é que me faz crescer na vida fraterna?
• Como é que a minha implicação neste serviço ou missão me ajuda a pôr mais em prática a Palavra de Deus?
• Como é que o meu serviço ou a minha missão me ajudam a evangelizar?

No contexto da paróquia?
• Tenho consciência de ser parte do corpo da paróquia?
• Como é que a paróquia me ajuda a orar pessoalmente e comunitariamente?
• Rezo pela minha paróquia? Ela fortalece a minha pertença à Igreja universal?
• Como é que a paróquia me faz crescer na fé?
• Como é que os responsáveis da paróquia me ajudam a discernir um apelo segundo os meus dons e carismas?
• Como é que o dinamismo evangelizador da paróquia me sustenta no meu apelo a ser discípulo-missionário?

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