Conselho Pastoral reuniu online

Conselho Pastoral reuniu online

No passado dia 11 de janeiro, esteve reunido o Conselho Pastoral da Unidade Pastoral com três pontos na ordem de trabalhos: (i) Integrar os conselheiros na dinâmica do Sínodo, mormente na fase diocesana; (ii) Responder a duas questões fundamentais; (iii) Analisar a melhor forma de recolher a opinião de grupos alargados e representativos da UP sobre 10 áreas temáticas, tendo como base uma proposta do Conselho Permanente da UP.

Depois de uma oração inicial conduzida pelo pároco, o Pe Jorge Santos, procurámos inteirar-nos da dinâmica do sínodo desejada pelo Papa Francisco e discutimos as duas questões fundamentais a partir de uma súmula proposta pelos membros do Conselho Permanente a partir da colaboração e das propostas previamente enviadas pelos conselheiros a partir de uns documentos partilhados no Google Drive.

Quanto à resposta às dez questões temáticas, foram constituídos grupos de trabalho e disponibilizado um ficheiro na Drive onde, até 26 de fevereiro, deverão ser submetidas as respostas dos vários grupos de trabalho constituídos.

Partilhamos aqui o resultado do nosso trabalho relativo às duas questões fundamentais.

A 1.ª questão fundamental: Como se realiza hoje, a diferentes níveis (do local ao universal), aquele “caminhar juntos” que permite à Igreja anunciar o Evangelho, em conformidade com a missão que lhe foi confiada?

– O caminhar juntos realiza-se na diversidade dos carismas e ministérios e das formas de estar que o Espírito Santo inspira e pelo consequente empenho dos consagrados e dos leigos nas múltiplas missões que desenvolvem.

– “O caminhar juntos” desenvolve-se no dia-a-dia, no seio familiar, no grupo de amigos, no trabalho, nas relações que estabelecemos com as outras pessoas e nos exemplos que damos de vida.

– A Igreja tem que ser um espaço que permita às pessoas realizar-se enquanto pessoas e enquanto cristãos nessas duas dimensões: caminhar juntos numa comunidade de proximidade com todos, que não exclui ninguém (os vizinhos, as pessoas da rua, do bairro, da paróquia, do trabalho), e aí serem evangelizadores; mas também acompanhar, descobrir e aproveitar este extraordinário mundo novo que nos é trazido por todos os meios tecnológicos.

– O “caminhar juntos” concretiza-se na formação e na comunhão fraterna. A formação é fundamental para a evangelização; precisamos de reservar tempo para momentos de formação individual e em grupo, em ambiente de troca de experiências. A comunhão fraterna, igualmente fundamental, realiza-se na caminhada conjunta com os irmãos.

– Aqueles que fizeram a experiência de um encontro pessoal com Jesus ressuscitado (por exemplo, no Percurso Alpha ou nos Cursilhos de Cristandade, mas também nas celebrações, nos movimentos, em peregrinações, etc.), esses “caminham em conjunto”, procurando ajudar-se mutuamente a aplicar nas suas vidas o Evangelho. Esses integram-se e prestam serviços na sua comunidade, crescem em pequenos grupos (como por exemplo as Células Paroquiais de Evangelização), os grupos de Oração, ou nas Equipas de casais, etc., e estão disponíveis para caminhar numa escuta conjunta, para que o Espírito sugira caminhos novos.

– Um aspeto importante desta caminhada em conjunto é o cuidado da “Casa Comum”, ou seja, da Terra e do Ambiente. Sendo um desígnio de toda a Humanidade, deve unir os esforços de crentes e não crentes, pelo que pode constituir um trilho importante em que possamos caminhar juntamente com muitos outros irmãos que estão “fora do redil”.

– O caminhar juntos implica a valorização do papel dos leigos, levando-os a assumir a sua “admirável vocação”, sobretudo quando valorizam o seu batismo, imbuídos do “sacerdócio comum”, que os leva a sentirem-se membros de pleno direito dentro da Igreja. Nesta perspetiva, não deve continuar a haver comunidades onde “quem manda” é o pároco, e os (poucos) leigos comprometidos “obedecem”.

– A Igreja deve apostar em continuar a renovação operada com o Concílio Vaticano ll, dando espaço aos cristãos mais empenhados – não só presbíteros e diáconos, mas também leigos – para serem criativos na procura de novos métodos de evangelizar, sempre com a humildade de reconhecerem que só na medida em que deixarem o Espírito Santo operar, a evangelização poderá dar frutos.

A 2.ª questão fundamental: Que passos o Espírito nos convida a dar para crescer como Igreja sinodal?

– Retomar o modelo da Igreja primitiva, cujo segredo de fecundidade era estar alicerçado em Jesus Cristo: na oração, na comunhão fraterna, nos sacramentos, no serviço, na partilha, na formação e no anúncio da Boa Nova.

– Aprender a ler a vida, a história e os sinais dos tempos à luz do Espírito Santo (urge criar o gosto e oportunidades para ouvir a voz do Espírito…).

– Sensibilizar todos os cristãos para a imprescindibilidade da oração e da participação na Eucaristia.

– A Igreja deve ser um local de união e fraternidade (em vez de discórdia e conflito) e de escuta (ouvir todos independentemente da idade, do estilo, do “estatuto”). Devem, pois, ser criadas oportunidades de partilha e reflexão.

– A Igreja deve dar prioridade absoluta à evangelização, implementando no terreno uma estratégia universal, devidamente divulgada, adaptada e articulada entre as dioceses e entre as paróquias/UP.

– Caminhar para uma Igreja aberta, que acolhe e convida todos (sem esquecer ninguém, especialmente os pobres e as “ovelhas perdidas”, mas também os que vivem em situações “irregulares”).

– Caminhar para uma Igreja que comunica a sua mensagem com desassombro, não só para dentro mas também para outros públicos, com uma linguagem comum, que todos entendam, utilizando todos os instrumentos que a sociedade e a tecnologia colocam à sua disposição.

– Caminhar para uma Igreja que seduza, que irradie luz, que crie empatia, que crie segurança e vontade de entrar e fazer parte.

– Caminhar para uma Igreja que “escute” o mundo e aja sem medo.

– Uma Igreja de portas abertas em comunhão com outras comunidades cristãs e em colaboração com outras religiões.

– Cuidar da comunicação pelos meios digitais, sob uma coordenação a nível nacional e diocesano.

– Renovar a estrutura eclesial, tornando-a mais permeável e comunicativa, onde os leigos tenham oportunidade de assumir uma corresponsabilidade efetiva, incluindo critérios de representatividade nas estruturas canónicas a todos os níveis, reconhecendo, efetivamente, que todos – leigos, bispos, presbíteros, religiosos, diáconos – têm a mesma dignidade e caminham lado a lado, com espírito acolhedor e humilde (porque somos fracos e precisamos muitos uns dos outros).

– Criar nos leigos um sentido de pertença à Igreja, levando-os a comprometer-se, esclarecendo as funções de cada membro para que o “Corpo” funcione eficazmente.

– Formar os ministros ordenados, os consagrados e os leigos para a visão sinodal da Igreja, retomando as suas origens.

– Situar a “comunidade” (e não o pároco) no centro da dinâmica pastoral (que deve ser movida pelo Espírito).

– A comunidade tem de se sentir comprometida pelo bem-estar uns dos outros: o Espírito pede-nos para estarmos prontos para servir o outro, escutá-lo e amá-lo (o primado da Pessoa).

– Formar líderes animadores de comunidades e animadores de serviços pastorais.

– Estabelecer canais de comunicação claros e transparentes entre os grupos existentes na comunidade, para que todos – também os jovens – se sintam envolvidos nas decisões, e para que a transmissão de informação ocorra sem problemas.

– Que os presbíteros (e os restantes líderes paroquiais) sejam humildes e acolhedores.

– Os líderes religiosos, assumindo um papel de liderança diferente do tradicional, devem envolver cada vez mais os fiéis na condução da Igreja, atribuindo-lhes responsabilidades concretas na liderança de iniciativas que demonstrem ser válidas, monitorizáveis e articuladas entre si sinergicamente. Por outro lado, deverão estar preparados para delegar responsabilidades, confiando, sem deixar de estar atentos.

– Sermos ousados e criativos, e “profissionais”, para chegarmos muito mais longe e com mais eficácia (não basta a boa vontade).

– Partilhar as experiências de sucesso entre as múltiplas comunidades espalhadas pelo mundo, para que todos beneficiem dos (bons) resultados.

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