O caminho do discipulado

O caminho do discipulado

Andamos a aprofundar os 5 pontos essenciais para o crescimento e formação dos discípulos e começámos a falar no da evangelização. No último Domingo, falámos do mandato do Senhor de evangelizar, dos obstáculos que temos à evangelização e terminámos a reflexão a dizer: “Por isso, por amor das pessoas, e por obediência ao mandato do Senhor, devemos vencer as nossas resistências interiores e trabalharmos na Missão de fazer discípulos e ensiná-los a cumprir o que o Senhor nos mandou.” Para o evangelista Mateus, evangelizar é tocar os corações pelo anúncio da Boa Nova para que as pessoas se tornem discípulos de Jesus e vivam de acordo com os seus ensinamentos.

1. O Evangelho de hoje situa-nos naquele momento charneira da passagem de alguém que já é crente mas ainda não é discípulo, ao momento salvador do encontro pessoal com Jesus Cristo que o torna discípulo. Ora este momento é fundamental para a nossa vida e para a vida da comunidade cristã.

2. O que é um discípulo? “Discípulo, é Aquele que encontrou Jesus pessoalmente, no seio da Igreja, que lhe entregou a sua vida, que tomou a decisão de viver segundo o Seu ensino, em todos os aspetos da vida. Um discípulo está, intencional e ativamente, comprometido com um processo contínuo de aprendizagem de Jesus e, inflamado com este encontro, partilha o Seu Caminho, Verdade e Vida com os outros.

Bartimeu já tinha alguma fé, e foi essa fé que o levou a gritar por Jesus. Mas ainda não é discípulo. Mas depois do encontro com Jesus que o curou, que o ergueu da tristeza, da cegueira e solidão, diz-nos o texto que «seguiu Jesus pelo caminho», quer dizer, tornou-se discípulo integrado numa comunidade.

3. A decisão de ser discípulo comporta a entrega da sua vida a Jesus, o desejo de tudo fazer para viver a partir dos seus ensinamentos. Para isso, começa a participar em ações de formação cristã, a pôr em prática hábitos de oração, começa a sentir necessidade do alimento da Eucaristia e da graça do perdão sacramental, pois continua a ser pecador e a ter muitas falhas e quedas. Sente necessidade do encontro com outros cristãos, pois agora encontrou uma nova família para além daquela dos laços do sangue.

4. Quando muitos crentes se tornam discípulos, o rosto da paróquia muda completamente. O acolhimento, o nível de energia, o entusiasmo da fé, a vida de oração e de louvor da comunidade, o que os paroquianos pedem aos seus padres e outros responsáveis. Os discípulos, porque têm fome de aprender mais sobre a sua fé, enchem todas as formações na paróquia e aproveitam as da Diocese. Discípulos evangelizam porque têm boas notícias para partilhar. Discípulos partilham a sua fé com os seus filhos e fazem da família uma igreja doméstica. Discípulos cuidam dos pobres e preocupam-se com os assuntos da justiça. Discípulos assumem os riscos do Reino de Deus.

5. É esta a nossa visão: formar discípulos missionários que nascem do encontro pessoal com Cristo…”
Disse na semana passada que há no mundo dois tipos de paróquias: paróquias de manutenção e paróquias missionárias. Aquelas vão definhando e desaparecendo, enquanto que as que põem em prática o mandato de Jesus de fazer discípulos, crescem.

6. Como fazer isto? Através de várias etapas que apresentarei para a semana.

Perguntemo-nos em que situação cada um se sente? Crentes em Deus ou, mais ainda, já discípulos? Isto é, já tomámos a decisão firme de entregar a nossa vida ao Senhor vivendo segundo os seus ensinamentos em todos os aspetos da vida? Lembramo-nos de algum momento charneira onde houve uma viragem? Uma decisão por Cristo, por colocá-lo no centro da nossa vida e começámos a levar a oração a sério, a ir a encontros de formação da fé, a participar alegremente na Eucaristia e a esforçar-me para viver de acordo com o evangelho?
Deixemos que o Senhor nos olhe fixamente como olhou Bartimeu e nos diga todo o amor que tem por nós. Se Ele nos chama para Ele e a segui-lo é porque quer fazer-nos seus amigos, como disse aos primeiros discípulos: «Já não vos chamo servos mas amigos”.

Pe Jorge Santos

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