Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão

Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão

Mensagem do nosso bispo na abertura do sínodo:

“O caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milénio” (Papa Francisco). Cada época tem os seus desafios próprios, e o da sinodalidade é o do nosso tempo, indicando os caminhos que os membros do Povo de Deus percorrem juntos.

Ao convocar o sínodo sobre a Igreja Sinodal, o Papa, iluminado pelo Espírito Santo, sente-se impelido a lançar um novo estilo de Igreja como condição para a relançar com novo ânimo na realização da sua missão no mundo. Entre 2021 e 2023, temos a possibilidade de fazer uma longa meditação sobre a Igreja e sobre os desafios que sobre ela recaem, na fidelidade à Escritura e à Tradição, tendo em conta as circunstâncias em que caminha.

As três palavras-chave, comunhão, participação e missão, são já uma orientação clara para o Povo de Deus, pois nascem de outras tantas acentuações do ensino da Igreja nas últimas décadas, do Concílio Vaticano II e da realização dos sínodos dos bispos, que se lhe seguiram.

A palavra comunhão remete-nos para Deus, Santíssima Trindade, mistério de amor revelado por Jesus Cristo, ao qual somos chamados e que havemos de testemunhar na relação com os homens e mulheres nossos irmãos. A comunidade cristã é o lugar em que se exprime essa comunhão entre nós e com Deus, é o sinal que se espera para que o mundo creia.

A palavra participação sublinha a igual dignidade de todos os membros do Povo de Deus, chamados a ser pedras vivas da edificação do Templo do Senhor. Na diversidade de dons, carismas e ministérios, os leigos, os consagrados e os ministros ordenados, enraizados em Cristo pelo batismo e animados pelo Espírito Santo podem e devem “rezar, escutar, analisar, dialogar, discernir e aconselhar na hora de tomar as decisões pastorais mais de acordo com a vontade de Deus” (Comissão Teológica Internacional, A sinodalidade na vida e na missão da Igreja, 67-68).

A palavra missão recorda-nos que a Igreja existe para evangelizar, ou seja, para proporcionar a experiência de encontro com Jesus Cristo a toda a humanidade. O Evangelho que é sempre o mesmo, tem de exprimir-se de forma adequada à humanidade de hoje, o que exige ao Povo de Deus a criatividade, o ardor, a linguagem e os meios oferecidos pelo Espírito Santo.

A nossa Diocese de Coimbra entra confiante neste processo sinodal e manifesta a sua disponibilidade para percorrer os passos propostos pelo Papa Francisco. Vamos entrar num clima de oração mais intenso, numa escuta da Palavra de Deus mais profunda e numa reflexão mais empenhada, a fim de darmos o nosso contributo à Igreja Universal e fazermos já da sinodalidade o nosso estilo e maneira de ser Igreja Local.

Depois da abertura do Sínodo pelo Papa Francisco, em Roma, no passado domingo, dia 10, fazemos hoje, 17 de outubro, a abertura em todas as comunidades da nossa Diocese e a celebração com os representantes dos organismos diocesanos, na Sé Velha, às 16:00.

Estaremos atentos para podermos ser participantes e correspondermos às indicações que o Vigário Episcopal para a Pastoral e o Secretariado Diocesano da Coordenação Pastoral irão dar em meu nome e da nossa Diocese de Coimbra. Convoco de modo especial os conselhos pastorais para uma colaboração mais próxima para que o Sínodo seja verdadeiramente universal.

Invoco para todos a bênção de Deus e a proteção da Virgem Maria.

 Virgílio Antunes, bispo de Coimbra

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