Folha Paroquial nº 189 *Ano IV* 10.10.2021 — DOMINGO XXVIII DO TEMPO COMUM

Folha Paroquial nº 189 *Ano IV* 10.10.2021 — DOMINGO XXVIII DO TEMPO COMUM

Enchei-nos da vossa misericórdia: será ela a nossa alegria.

A folha pode ser descarregada aqui.

EVANGELHO ( Mc 10, 17-30 )
Naquele tempo, ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante d’Ele e perguntou-Lhe: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?». Jesus respondeu: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. Tu sabes os mandamentos: Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe’». O homem disse a Jesus: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude». Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me». Ouvindo estas palavras, anuviou-se-lhe o semblante e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. Então Jesus, olhando à sua volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!». Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?». Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível». Pedro começou a dizer-Lhe: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras, por minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna».

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

A verdadeira Sabedoria que vem de Deus é aquela que nos ajuda a discernir e a escolher o caminho que nos leva a viver bem a vida dando atenção ao que é realmente importante e não nos deixarmos enganar pelo que, às vezes, pode ser mais sedutor e mais fácil, mas que se torna enganoso e pouco ou nada frutuoso. O homem que se aproxima de Jesus e lhe pede ajuda para saber como alcançar a vida eterna já não tem o coração livre para escolher o melhor bem. Já estava aprisionado pela riqueza como o seu bem maior. Mas foi-se embora triste porque o dinheiro ou as riquezas enchem os bolsos, mas não enchem o coração de ninguém.

A verdadeira felicidade está em amar, em dar e em dar-se. É aí que se encontra a verdadeira sabedoria, bem mais preciosa que todos os bens deste mundo.

A missão da Igreja consiste em apresentar ao mundo o Evangelho de Jesus que nos ajuda a ver os enganos a que somos levados e a escolher o verdadeiro bem.

No sábado, várias pessoas da Unidade pastoral estiveram reunidas no aprofundamento da visão das paróquias e no estudo do plano pastoral que apresenta os objetivos pastorais para os próximos três anos.

A definição de uma visão para as paróquias foi um trabalho longo da Equipa de Animação Pastoral.

O que é uma visão?

Podemos defini-la como uma imagem do futuro dada por Deus que produz esperança e paixão nas pessoas. Formar uma visão é uma experiência espiritual e humana.

Uma visão é-nos dada sempre diante da insatisfação dos discípulos-missionários que amam a Igreja e que sentem que «isto podia ser melhor». Quando ouvimos o Papa Francisco, sentimos que ele tem uma imagem do futuro cheia de esperança para a Igreja e trabalha imenso para que ela se torne um dia realidade. S. Francisco de Assis ouviu um dia uma voz que lhe dizia: «Francisco, vai e reconstrói a minha igreja que, como vês, está em ruínas». Pensando que se tratava da igreja de S. Damião, em ruínas, ele põe-se a construí-la, mas a voz de Deus no seu coração continuava a ressoar com o mesmo apelo. Francisco percebe então que a Igreja que está em ruínas não é a de S. Damião- essa seria fácil de reconstruir – mas é a igreja de Cristo. Francisco recebe então de Deus a imagem de uma igreja restaurada pela pureza do evangelho e pelo desprendimento e pela vivência da alegria e da fraternidade. E é a construção dessa imagem do futuro que dará à sua vida uma paixão enorme que outros quiseram seguir. E quanto a Igreja foi restaurada e vivificada pela visão revolucionária de Francisco de Assis!

Na visão das paróquias da Unidade pastoral está a imagem atrativa e que produz entusiasmo em nós ao imaginarmos comunidades fraternas e acolhedoras, que tendo feito a experiência do encontro pessoal com Cristo, na força do Espírito Santo, se dispõem a servir a comunidade colocando ao serviço da mesma os seus dons, talentos e bens, e todos a sentirem-se enviados ao mundo para lhe levar o fermento do evangelho. “O ide e fazei discípulos”, é uma frase central desta imagem.

Na construção desta imagem há a ideia de processo, isto é, de etapas. A conversão pessoal e a mudança dos corações e das comunidades não acontece de repente; é um caminho às vezes lento que conduz de uma etapa à outra.

No enunciado da visão de S. José, esta ideia de processo é bem evidente: Nascemos do encontro pessoal com Cristo, crescemos na comunhão com Deus e com os irmãos, formamos discípulos que dão fruto pelo serviço e pela evangelização.

Mas tanto a visão de S. José como a de S. João Baptista, que no fundo são a mesma, estão construídas sobre os cinco essenciais da vida cristã que são, de uma forma resumida os seguintes:

A oração e os sacramentos que nos permitem viver em união com Deus crescendo na alegria e na esperança;

A vida fraterna, que nos leva a juntarmo-nos à família de Deus e a tecer com ela laços de comunhão e de amor fraterno;

A formação do discípulo, que nos transforma e nos torna adultos na fé;

O serviço, que permite exercer os nossos dons e os nossos talentos ao serviço dos outros;

A missão, que consiste no anúncio do amor de Deus àqueles com quem nos cruzamos no dia a dia.

Um discípulo, ou um grupo de discípulos, ou uma comunidade, para estar em processo de crescimento precisa de vive equilibradamente estes cinco aspetos essenciais da vida cristã e, se deixa para trás algum, o corpo já não funciona bem. Sabemos que no corpo humano basta que um dente nos doa para que já não nos sintamos bem.

Para realizar esta visão, construiu-se um plano, para três anos, estruturado sobre os 5 essenciais e que inclui os grandes objetivos e dinamismos do Plano Diocesano, voltado para os jovens, mas vai além dele e propõe objetivos para o crescimento de todos. É difícil aqui na folha colocar esses objetivos e ações enumeradas, mas o Plano vai estar à disposição de todos online. Neste processo, por etapas, somos convidados a olhar para a situação de cada pessoa no seu caminho de fé e ver como as podemos ajudar a dar um passo em frente, passando para a etapa seguinte, até chegarem a discípulos-missionários. Na próxima semana apresentaremos esse processo.

Estes processos e etapas e tudo o mais que constitui o esforço humano vem tudo em segundo lugar em relação ao primado da graça. Só Deus converte, só Ele pode fazer com que os nossos pobres esforços humanos na construção da Igreja produzam algum fruto, pois, como Ele disse: «Sem Mim nada podeis fazer». Por isso a adoração eucarística permanente nas nossas paróquias é tão importante, bem como todo o tipo de oração que fizermos para que o reino de Deus cresça e os corações se abram à graça de Deus. Oremos uns pelos outros e peçamos a Deus pelos bons frutos da catequese familiar para que Deus abra o coração de pais e filhos e as famílias se tornem verdadeiros lares de amor onde Deus seja amado e reconhecido. Rezemos para que se levante na nossa Unidade Pastoral e em toda a Diocese um grande entusiasmo no trabalho com os adolescentes e jovens, primeiro objetivo do nosso plano, oremos também por todos os que trabalham com o primeiro anúncio da fé, como é o caso do percurso Alpha adultos e Alpha jovens, para que a luz divina ilumine os corações dos que aceitaram fazer essa experiência de fé. Oremos pelos que fazem um caminho de crescimento e enraizamento na fé, nas células paroquiais de evangelização, ou no percurso de catequese de adultos chamado S. José, ou no percurso bíblico que irá começar no Advento.

Oremos pelos que trabalham na Liturgia, servindo a comunidade para que ela celebre bem a glória de Deus e possa «ver o invisível». Oremos pelos que servem no ministério do acolhimento fraterno, para que sejam o rosto de Deus e da comunidade que acolhe à porta da Igreja e dizem a todos a alegria de Deus e dos irmãos em acolhê-los na casa de todos, pois é a casa da família.

Quando nos voltamos para Deus com fé, podemos ver os milagres da graça divina.

Deixar uma resposta