Folha Paroquial nº 180 *Ano IV* 11.07.2021 — DOMINGO XV DO TEMPO COMUM

Folha Paroquial nº 180 *Ano IV* 11.07.2021 — DOMINGO XV DO TEMPO COMUM

Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor
e dai-nos a vossa salvação.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mc 6, 7-13)

Naquele tempo, Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro; que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas. Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles». Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos.”

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Instituição e carisma, dois opostos?

Igreja de Cristo tem uma parte visível e outra invisível. Uma parte humana e organizada hierarquicamente e, outra parte espiritual. Porém não são duas entidades, são a mesma Igreja de Cristo que no credo confessamos una, santa, católica e apostólica. Toda a Igreja nasceu e continua a gerar-se pelo Espírito que a renova constantemente, por isso também a parte institucional ou hierárquica da Igreja também é, na sua génese, carismática já que a estrutura base e duradoura da instituição funda-se no sacramento da Ordem que é um dom, uma efusão do Espírito Santo. Mas a tentação tem sido grande ao longo da história de deixar adormecer o dom e ficar demasiado institucional quer dizer, copiando as outras instituições humanas de poder em vez de serviço. Quando isso acontece precisam de vir os profetas carismáticos sacudir a Igreja para que ela volte de novo à graça, ao dom, à força criativa com que nasceu.

Hoje na primeira leitura, o carismático profeta Amós é expulso de Betel porque aquele é o santuário institucional do rei, nada de ousadias carismáticas que ponham em causa o status quo. É preciso deixar que o santuário real continue a viver a tradição anquilosada, sem vida, petrificada, até que morra por falta de sentido. Ao longo da história da Igreja houve sempre muitos Amós que tentaram trazer de novo a Igreja ao carisma do princípio. S. Francisco de Assis foi uma dessas personagens carismáticas que pela sua vida mostrou o evangelho na sua pureza.

O evangelho de hoje mostra-nos essa fonte inesgotável de vida que Jesus deu à sua Igreja para que ela o comunicasse ao mundo: Disse-lhes que partissem confiados no poder de Deus e não nos bens nem na sabedoria intelectual de cada um. Uma coisa devia ser certa para eles sendo a fonte da sua segurança. Saber que tinham consigo o poder de Jesus para curar, para expulsar os demónios arrancando do caos os que por fraqueza tinham caído nele. E eles partiram e experimentaram que isso era verdade. O poder de Jesus estava com eles.

S. Paulo vai fazer isto, mais tarde, quando implanta as novas igrejas: Diz ele : “Quando fui ter convosco, irmãos, não me apresentei com sublimidade de linguagem ou de sabedoria a anunciar-vos o mistério de Deus.(…) A minha palavra e a minha pregação não se basearam na linguagem convincente da sabedoria humana, mas na poderosa manifestação do Espírito Santo, para que a vossa fé não se fundasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus.( 1Cor2,1-5)

Como anunciar hoje a novidade do Evangelho a um mundo que acha que a Igreja é do passado, envelhecida e não traz novidade nenhuma? É que durante demasiado tempo refugiámo-nos na instituição, cristalizámos o evangelho, a liturgia e tudo o mais, em vez de nos mantermos sempre abertos à novidade do Espírito Santo. Fomos uma espécie de santuário real de Betel onde os que ousassem apelar á novidade de Deus eram expulsos.

Hoje uma comunidade cristã que quer ser significativa, deve encher-se do Espírito Santo. Deve pedi-lo continuamente em comunidade, orando uns pelos outros, e aceitar os dons que Ele lhes dá para a missão. E a comunidade recebe de Deus o dom de curar, de expulsar o mal, de tirar do caos aqueles que se sentem a viver nele recuperando a harmonia de uma vida renascida com Deus. O Espírito Santo faz-nos sair da caixa, ser ousados, criativos, tentar caminhos novos. Dá-nos sonhos e visões do futuro que nos enchem de esperança e nos entusiasmam. Dá-nos novas línguas para o louvor de Deus por manifestar o seu poder entre os crentes. Sonho com uma Comunidade significativa que louva a Deus e adora porque vê todos os dias a sua ação. Sonho com uma comunidade mais ousada a sair de si para e ir ao encontro dos outros para lhes levar a esperança e a paz. Precisamos de criar grupos que saiam ao encontro dos pobres, (já há alguns), ao encontro dos doentes para orar por eles transmitir-lhes confiança e esperança, e ao encontro dos que não conhecem a Deus para escutar as suas dúvidas, interrogações e frustrações e lhes anunciar que Deus os ama. Aquilo de bom que já se faz é um prenúncio do que poderia ser melhor se formos mais ousados. Que O Espírito Santo não se canse de nos desinstalar e de nos empurrar para a frente.

Na paróquia de S. João Baptista são várias dezenas de famílias que estão a receber uma refeição quente que lhes s é levada pela Caritas paroquial. E há um paroquiano que, sozinho, oferece uma refeição a todas as famílias por semana. Deus quando nos toca, leva-nos a ser generosos, dando-nos e colocando os nossos bens e as nossas pessoas ao serviço dos outros. Há tanta coisa bela e significativa que Deus tem feito no meio de nós! Quantas vidas transformadas pelo encontro com Ele! quanta esperança renascida nos corações daqueles que andavam de coração vazio! quantas relações restauradas na família! Bendito seja Deus pela sua fidelidade e pelo seu amor para connosco.

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