Folha Paroquial nº 178 *Ano IV* 27.06.2021 — DOMINGO XIII DO TEMPO COMUM

Folha Paroquial nº 178 *Ano IV* 27.06.2021 — DOMINGO XIII DO TEMPO COMUM

Louvar-vos-ei, Senhor, porque me salvastes.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mc 5, 21-43)

Naquele tempo, depois de Jesus ter atravessado de barco para a outra margem do lago, reuniu-se uma grande multidão à sua volta, e Ele deteve-se à beira-mar. Chegou então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, caiu a seus pés e suplicou-Lhe com insistência: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva». Jesus foi com ele, seguido por grande multidão, que O apertava de todos os lados. Ora, certa mulher que tinha um fluxo de sangue havia doze anos, que sofrera muito nas mãos de vários médicos e gastara todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado, antes piorava cada vez mais, tendo ouvido falar de Jesus, veio por entre a multidão e tocou-Lhe por detrás no manto, dizendo consigo: «Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada». No mesmo instante estancou o fluxo de sangue e sentiu no seu corpo que estava curada da doença. Jesus notou logo que saíra uma força de Si mesmo. Voltou-Se para a multidão e perguntou: «Quem tocou nas minhas vestes?». Os discípulos responderam-Lhe: «Vês a multidão que Te aperta e perguntas: ‘Quem Me tocou?’». Mas Jesus olhou em volta, para ver quem O tinha tocado. A mulher, assustada e a tremer, por saber o que lhe tinha acontecido, veio prostrar-se diante de Jesus e disse-Lhe a verdade. Jesus respondeu-lhe: «Minha filha, a tua fé te salvou». Ainda Ele falava, quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?». Mas Jesus, ouvindo estas palavras, disse ao chefe da sinagoga: «Não temas; basta que tenhas fé». E não deixou que ninguém O acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. Quando chegaram a casa do chefe da sinagoga, Jesus encontrou grande alvoroço, com gente que chorava e gritava. Ao entrar, perguntou-lhes: «Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A menina não morreu; está a dormir». Riram-se d’Ele. Jesus, depois de os ter mandado sair a todos, levando consigo apenas o pai da menina e os que vinham com Ele, entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: «Talita Kum», que significa: «Menina, Eu te ordeno: Levanta-te». Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos. Ficaram todos muito maravilhados. Jesus recomendou-lhes insistentemente que ninguém soubesse do caso e mandou dar de comer à menina.”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

MAS RIRAM-SE DELE

Parece ser um pormenor no texto do evangelho de hoje, a afirmação «Mas riram-se dele», feita pelos que ouviram as palavras de Jesus, dizendo: «A menina não morreu, está a dormir». No entanto, é muito importante darmo-nos conta de que, à medida que a sociedade se afasta da fé cristã, as reações desta, ao testemunho dos cristãos, é «rirem-se deles». A tentação de muitos crentes, para que não se riam deles, pode ser a deriva de apresentar um cristianismo sem mistério, sem o poder da fé, limitando-o às possibilidades da inteligência humana e ao pensamento e à aceitação dos homens de hoje. S. Paulo, para evangelizar os Atenienses, também preparou um discurso cheio de sabedoria humana no Areópago de Atenas, mas os resultados foram quase nulos. Por isso, quando escreve aos Coríntios, diz-lhes: “Eu mesmo, quando fui ter convosco, irmãos, não me apresentei com o prestígio da linguagem ou da sabedoria, para vos anunciar o mistério de Deus. Julguei não dever saber outra coisa entre vós a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. Estive no meio de vós cheio de fraqueza, de receio e de grande temor. A minha palavra e a minha pregação nada tinham dos argumentos persuasivos da sabedoria humana, mas eram uma demonstração do poder do Espírito, para que a vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.”

D. Pigi, o fundador das Células Paroquiais de Evangelização, em Itália, testemunhou que, antes da sua conversão, se refugiava em homilias intelectuais, muito bem preparadas, mas que não convertiam ninguém. Não eram um anúncio do poder de Deus, mas uma rendição ao mundo para ter aceitação deste. Não nos admiremos, pois, que se riam de nós, quando falamos do mistério de Deus, mas anunciemo-lo com ousadia.

A 1ª leitura de hoje, diz-nos que não foi Deus quem fez a morte e que tudo quanto Ele criou destina-se ao bem. O desígnio de Deus para com o mundo e a humanidade é de amor e de vida, e não de mal. No relato da criação, vai sendo dito repetidamente: «E Deus viu que era bom….».

Como diz a revelação cristã, foi o pecado que espalhou o caos sobre a terra e introduziu a inveja e o mal com todas as suas consequências. Como diz o Papa Francisco, na encíclica Laudato si, sobre a ecologia, “o pecado, rompendo a relação do homem com Deus, rompe também a relação dos homens entre si e a relação destes com a terra em que habitam. Mas Deus não abandona o homem e em Jesus Cristo vem salvá-lo, reconciliando-o novamente com Deus pela sua morte na cruz. Aqueles que aceitam Cristo, pela fé, experimentam esta harmonia com Deus, com os outros e com a natureza.” Na Evangelii Gaudium ele tinha escrito: “Aqueles que se deixam encontrar por Cristo são salvos do pecado, da tristeza e do vazio interior.” Cristo cura salvando e salva curando.

As curas físicas realizadas por Deus, ontem e hoje, são sinal de uma cura maior que Deus veio realizar no homem, restaurando-o no seu ser de filho de Deus. Por isso, Jesus diz à mulher que perdia sangue: «A tua fé te salvou. Vai em paz e fica curada do teu mal». Ela foi muito mais do que curada. A cura podia atingir só o seu corpo, mas, ao abrir o coração pela fé a Jesus, recebeu muito mais que uma cura física, tendo sido curada no seu coração. Encontrou o sentido da sua vida. Nasceu de novo.

A cena que nos apresenta S. Marcos é comovente. A única coisa que nos é dito desta mulher é que tem uma doença secreta, tipicamente feminina, que a impede de viver de maneira sã a sua vida de mulher, esposa e mãe. Sofre muito, física e moralmente. Quantas mulheres (e homens) não sofrem física e moralmente situações que estão no segredo da sua consciência e não são capazes de contar a ninguém?! Esta já tinha ido aos médicos, mas não tinham conseguido curá-la. Mas esta mulher não desiste de procurar. Ninguém a ajuda a acercar-se de Jesus, mas ela saberá encontrar-se com Ele. Jesus responderá ao seu desejo de uma vida sã e salva. Naquele toque delicado no manto de Jesus, ela manifesta toda a confiança e esperança que tem nele. No fundo, S. Marcos apresenta esta mulher desconhecida como modelo de fé para as comunidades cristãs. Dela poderão aprender como encontrar nele a força para iniciar uma vida nova cheia de paz e saúde.

Hoje, em S. João Baptista, estão presentes na missa das 11h00 algumas dezenas de pessoas que participaram no Fórum das Células Paroquiais de Evangelização. As células têm como objetivo levar às pessoas Jesus Cristo, para que cada homem e mulher seja curado e salvo pelo encontro com Ele. E, sempre que isto acontece, temos um homem e uma mulher novos. Como ouvíamos Paulo, no Domingo passado: “Quem está em Cristo é uma nova criatura. O que era velho passou. Tudo foi renovado.”

Precisamos de apontar às mulheres e homens do nosso tempo, pois todos temos feridas, o único que salva, Jesus Cristo. Indicar o caminho para Ele. É que há tantas que, enganosamente, procuram a salvação em reikis, em espiritismo, em esoterismos de toda a espécie! Por esses caminhos nunca experimentarão a voz suave a dizer-lhes: «Minha filha, a tua fé te salvou.». Compete-nos a nós dá-Lo a conhecer, pois muitos já o não sabem.

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