Oração de Cura e Misericórdia – As provações de S. José

Oração de Cura e Misericórdia – As provações de S. José

Como tem vindo a acontecer desde há uns meses a esta parte, no serão de cura e misericórdia, depois de um tempo inicial de louvor ao Senhor sacramentalmente exposto, é feito um pequeno ensinamento/palestra de não mais de 10 minutos – o tempo de uma homilia. Na semana passada foi a partir de Mt 1, 18-25.

S. José teve muita sorte em ser o esposo de Maria e o pai humano de Jesus. Mas a sua vida não foi sempre muito fácil e repousante! Pelo contrário, a extraordinária responsabilidade que lhe foi entregue conduziu-o à santidade através de circunstâncias dramáticas. Vamos agora dar aqui alguns exemplos e veremos como este homem pode ser para nós modelo nas provações que ele teve de superar e que, por vezes, são semelhantes às nossas.

Primeiro que tudo, S. José sentiu-se certamente perplexo e ultrapassado pelo anúncio do nascimento sobrenatural de Jesus. Ele viu-se diante do incompreensível. Não podendo duvidar de Maria, ele com certeza duvidou de si próprio, sentindo-se indigno da missão grandiosa que lhe estava a ser proposta e que transtornava por completo os projetos de vida que ele legitimante tinha pensado com Maria. Qual é então a sua reação? É a de uma obediência a Deus imediata, total. Ele não discute, não entra em rodeios, não hesita. Ele é um homem justo, quer dizer “ajustado” à vontade de Deus em todas as coisas, mesmo quando não compreende tudo. A sua vida de homem justo, orante e crente, já o tinha preparado para desempenhar este papel extraordinário e a avançar.

Chegado a Belém, com a sua mulher quase a dar à luz, não é recebido na hospedaria: “E quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz, e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria”. (Lc 2,6-7). Como S. José deve ter ficado dececionado, inquieto, tomado por um sentimento de impotência, ele que queria fazer o melhor possível pela sua mulher e pelo seu filho, estar à altura dos acontecimentos… Foi preciso aceitar a humilhação de não poder fazer nada, apesar do seu desejo, do seu amor. A única solução que conseguiu encontrar foi abrigarem-se num estábulo miserável. Ele só pode oferecer a sua pobreza, a sua boa vontade, a sua incapacidade. No entanto, é quando ele se deixa guiar na pobreza que ele percebe qual era o verdadeiro plano de Deus: o nascimento do Salvador do mundo na humildade mais profunda, na indiferença e rejeição dos homens.

Mais tarde, ele não pode deixar de se angustiar face às incertezas do seu futuro e da sua família. O rei Herodes quer matar o seu filho; é urgente fugir para o Egito, emigrar para um país estrangeiro, onde perde todas as suas referências, sem saber quanto tempo iria durar esse exílio.

“O anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o menino para o matar. E ele levantou-se de noite, tomou o menino e a sua mãe e partiu para o Egito, permanecendo ali até à morte de Herodes.” (Mt 2, 13-15)

Quando Jesus tinha doze anos, S. José perde-o em Jerusalém, ele que era o responsável pelo menino diante de Deus. Qual deve ter sido de novo a sua angústia, como se deve ter recriminado a si mesmo!

A própria Maria declara ao seu filho quando o reencontram no Templo ao fim de três dias de aflição: “Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!” (Lc 2, 48).

Em todos estes acontecimentos, S. José escolheu um só caminho: obedecer a Deus, escutar a sua palavra, transmitida pelo anjo e pelo seu filho. Ele, tal como Abraão seu ancestral, confiou sempre no Senhor, sem desfalecer. Ele guardou uma fé total, mesmo tendo tido, com certeza, muitas lutas interiores.

Porque ele foi, sem dúvida, provado na sua fé. Ele acompanhou Jesus durante uma grande parte da sua vida oculta, sem nunca ter visto nenhuma das promessas de Deus acontecerem. Ele esperou o cumprimento da palavra de Deus. Parecia ser em vão. Jesus vivia em Nazaré, sem sair muito dali, sem fazer nada de extraordinário: será mesmo ele o Messias? Como ter a certeza? “Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos Homens”. (Lc 2, 40). No entanto, José permaneceu confiante, rezando na esperança, sem exigir explicações da parte de Deus. Numa espera serena face ao mistério silencioso de Jesus, esta criança e depois este jovem tão perfeito, tão dotado, este excelente carpinteiro que não revelava nada do seu destino como Messias.

José perplexo, rejeitado, angustiado, posto à prova como tantos pais, como a maior parte de nós aqui, num momento ou outro da nossa vida. As suas respostas deveriam ser as nossas respostas, porque ele é um guia seguro para cada um de nós.

Como ele, nós deveríamos procurar ser “justos”, preparando-nos pela oração, pela escuta da palavra de Deus, pela escolha de uma vida digna, para nos “ajustarmos” à vontade de Deus. Como S. José, podemos decidir obedecer ao Senhor em todas as coisas, entregando-lhe cada instante da nossa existência. Como S. José, no que quer que nos aconteça, podemos assim permanecer na confiança em Deus, contra tudo e todos, e permanecer firmes na fé, na esperança e na paz.

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