E-novar20 – “Unir para Construir”

E-novar20 – “Unir para Construir”

O Enovar decorreu, como fomos aqui noticiando, nos passados dias 7 e 8 de Fevereiro no Estoril e contou com intervenções de personalidades bastante conhecidas, como o nosso Cardeal Patriarca D. Manuel Clemente, o selecionador nacional Fernando Santos, o internacionalmente conhecido Pe James Mallon, a nossa paroquiana Sílvia Monteiro, entre muitos outros.

Pedimos a alguns dos nossos paroquianos que lá estiveram que nos contassem como foi, isto é, em que é que o que lá foi dito e que lá experimentaram os tocou.

Reunir para construir, mas sempre a partir do Pai

Logo no primeiro dia, numa das primeiras intervenções, James Mallon, Padre Canadiano, em jeito de quem faz a radiografia da Igreja dos nossos dias, salienta a necessidade de renovação das paróquias, depois de ter afirmado que “somos consumidores de religião” e que fazemos com a fé uma espécie de transacção. Como quem coloca o dedo na ferida, diz que nos questionamos sobre “o que é que eu preciso de fazer para ir para o céu? Qual a parte da missa a que eu posso faltar?” Conclui, enfim, que vivemos uma relação minimalista com a Igreja.

A radiografia é dura de se ouvir, porque talvez aquela “carapuça” me sirva. Por isso, e depois de o Padre James Mallon ter disparado o alarme, foi chegado o momento de eu me perguntar, efectivamente, qual é a análise que eu faço da minha vida como cristã e o que é que eu quero da Igreja. Esta reflexão merece mesmo ser feita e não pode, nem deve, ser feita “em cima do joelho”.

No segundo dia, rendi me uma vez mais às palavras do nosso seleccionador de futebol, Fernando Santos. Com o seu jeito calmo, a sua fala fácil, conversou e deixou nos de alma cheia. Ressalto três ou quatro ideias, não só porque elas me tocaram, como também porque poderão ser o mote para a reflexão que me auto propus logo depois de ter ouvido o Padre James Mallon: “que o eu desapareça e possa dar lugar a um nós”; “Eu acredito em Cristo e sigo O”; “A proposta de Jesus é simples: eu não vim alterar a lei. Eu vim dar amor à lei”. Com estas ideias colocadas em destaque, parece fácil renovarmo-nos e trabalharmos para alterar a nossa mentalidade e assim contribuir para a renovação da nossa Igreja. Fernando Santos fecha com chave de ouro: “Não podemos ficar com isto só para nós. Os Apóstolos conheciam se pela alegria que transmitiam aos outros”.

Não era bom que nos deixássemos tocar por todas estas ideia? Claro que sim, penso eu, pensamento que se reforça quando o nosso Patriarca, lúcido e sóbrio como só ele, começa por nos dizer “Igreja quer dizer convocação. Reunião. A Assembleia que acontece há dois mil anos”, mas tenhamos presente, ainda de acordo com D. Manuel Clemente, que “é preciso reunir para construir (…), mas sempre a partir do Pai”.

Alexandra Vilela
Paróquia de São José

Em vez de remar contra a maré, devemos estar atentos à onda

“Unir para construir” foi o título do Enovar 2020 que juntou pessoas de todo o país na reflexão sobre propostas para tornar ainda mais vivas as comunidades em quem estamos inseridos.

“Em vez de remar contra a maré, devemos estar atentos à onda”. Esta ideia do Pe. Jorge Santos, associada à imagem de um surfista, sintetiza muito do que se disse durante o Enovar. O desafio a dar mais espaço aos sinais que nos chamam à abertura e a sair do conforto das nossas seguranças, do que às certezas das ideias pré-concebidas que podem travar a nossa generosidade.

“Têm que deixar de estar à espera que os jovens sejam perfeitos”. O desafio foi lançado por Pascaline St. George, uma jovem francesa que tem estado envolvida no trabalho que se seguiu ao Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens. O convite a apostar nos jovens, confiando-lhes um papel ativo na vida das comunidades, mesmo com o risco de que nem tudo possa acontecer como gostaríamos, foi um dos momentos altamente interpeladores do Enovar.

“Um cristão não praticante é como um ciclista não pedalante. Não percebo isso”. A frase é de Fernando Santos, o selecionador nacional de futebol, que falou da forma como o ser cristão informa toda a sua vida. Um testemunho que fez soar bem forte o chamamento a colocar Deus no centro de qualquer âmbito da nossa vida.

Nelson Mateus

Deixar uma resposta