Os meus olhos viram a vossa salvação

Os meus olhos viram a vossa salvação

No evangelho deste domingo em que celebramos a apresentação do Senhor (Lc 2, 22-40), Lucas reescreve esta antiga tradição de Jerusalém e dos judeus pondo o acento na apresentação do Messias no Templo. Para a elaboração deste texto ter-lhe-ão servido de guia o primeiro capítulo de Samuel e o terceiro do Êxodo.

Segundo a visão judaica tradicional, o Templo era o lugar privilegiado da presença de Deus e, portanto, também do encontro com Ele. Lucas tem assim um interesse especial em pôr Jesus em relação com o Templo, logo no início do seu evangelho.

Lucas apresenta a cidade santa como o destino exigido pela Lei. Para o evangelista, o cumprimento da Lei é onde se há de situar a sua última profecia. Assim como o censo romano exigia a viagem a Belém, a observância da Lei exige deslocar-se a Jerusalém. A apresentação do Menino e o sacrifício das rolas em favor da mãe são descritos de maneira inseparável.

A história da salvação não surge do nada, mas da fidelidade à Lei. Não é dada pela obediência humana, porque a salvação só pode ser impelida pelo Espírito de Deus. A ação iniciada por Deus acaba com a reação dos pais, como é habitual nos relatos de milagres. O ambiente descrito por Lucas é de alegria exultante, embora não falte a recordação das dificuldades que o plano salvador de Deus comportará. Simeão prediz a recusa que Jesus sofrerá e associa-a à sua mãe.

Lucas introduz ainda outro personagem e fá-lo com mais detalhe que com Simeão: trata-se de Ana, a profetisa filha de Fanuel. O evangelista explica a sua piedade e a sua presença habitual no Templo. Como Simeão, comunica-se com frequência com o Senhor mas, curiosamente, Lucas não nos informa sobre as orações nem sobre as palavras que disse a José e Maria. Por isso, parece que Lucas põe o peso teológico em Simeão e no encontro com o Messias, que ainda é um menino, e que a profetisa Ana apenas tenha uma função coral no final da passagem.

Deixar uma resposta