Folha Paroquial nº 79 *Ano II* 2.06.2019 — ASCENSÃO DO SENHOR

Folha Paroquial nº 79 *Ano II* 2.06.2019 — ASCENSÃO DO SENHOR

«Ergue-Se Deus, o Senhor, em júbilo e ao som da trombeta.»

A folha pode ser descarregada aqui.

 

EVANGELHO (Lc 24, 46-53)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas disso. Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto». Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu. Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus.

 

MEDITAÇÃO

Sereis minhas testemunhas

A Ascensão de Jesus ao céu, completa uma etapa do plano divino da salvação. O Filho eterno fez-se carne e habitou entre nós realizando toda a obra para a qual o pai O tinha enviado. Jesus exprimiu-o assim: “Pai, Eu manifestei a tua glória na Terra, levando a cabo a obra que me deste a realizar. E agora Tu, ó Pai, manifesta a minha glória junto de ti, aquela glória que Eu tinha junto de ti, antes de o mundo existir.” Regressado ao Pai, foi coroado de glória e de honra e “sentou-se à direita do Pai”, como Cordeiro imolado a quem é devido a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos. (Ap). Ele abriu-nos as portas do céu. Foi à nossa frente preparando-nos o lugar para que “onde Ele estiver nós possamos estar também”. Como cabeça do corpo que é a Igreja, para aí nos chama como membros do seu corpo. Por isso, a Ascensão do Senhor é a nossa esperança imortal.

  1. Lucas, no seu relato do mandato missionário na Ascensão, tanto no Evangelho como no livro dos Atos, de que é também autor humano, apresenta-o de maneira diferente dos outros evangelistas. Enquanto em S. Mateus, S. Marcos e S. João, Jesus utiliza os verbos no imperativo, «Ide, e fazei discípulos, ide e proclamai, em S. Lucas os verbos estão no presente e no futuro. Ele não o apresenta sob a forma de mandato imperativo, mas sob a forma de promessa profética. Vejamos na 1ª leitura de hoje, dos Atos: “recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra”. E no Evangelho diz: «Vós sois testemunhas disso». Em ambos os casos, promete o Espírito Santo para que transforme os discípulos em testemunhas vivas da Sua ressurreição e da Sua salvação. O discípulo é convidado a deixar-se conquistar, habitar e transformar por este poder divino que o Pai nos envia no nome de Jesus.

Ser testemunha tem a ver com a coerência de vida entre o que se experimentou de Deus e a vida que se leva que tem de  estar de acordo com aquilo que dizemos crer . Escrevia Paulo VI na Evangelii Nuntiandi: …” Esta Boa Nova há- de ser proclamada, antes de mais, pelo testemunho. Suponhamos um cristão ou punhado de cristãos que, no seio da comunidade humana em que vivem, manifestam a sua capacidade de compreensão e de acolhimento, a sua comunhão de vida e de destino com os demais, a sua solidariedade nos esforços de todos para tudo aquilo que é nobre e bom. Assim, eles irradiam, de um modo absolutamente simples e espontâneo, a sua fé em valores que estão para além dos valores correntes, e a sua esperança em  qualquer coisa que se não vê e que não se seria capaz sequer de imaginar. Por força deste testemunho sem palavras, estes cristãos fazem aflorar no coração daqueles que os vêem viver, perguntas indeclináveis: Por que é que eles são assim? Por que é que eles vivem daquela maneira?

O que é, ou quem é, que os inspira? Por que é que eles estão connosco? Pois bem: um semelhante testemunho constitui já proclamação silenciosa, mas muito valiosa e eficaz da Boa Nova. Nisso há já um gesto inicial de evangelização.” Mas depois acrescenta: “Entretanto isto permanecerá sempre insuficiente, pois ainda o mais belo testemunho virá a demonstrar-se impotente com o andar do tempo, se ele não vier a ser esclarecido, justificado, aquilo que São Pedro chamava dar “a razão da própria esperança”, (52) explicitado por um anúncio claro e inelutável do Senhor Jesus. Por conseguinte, a Boa Nova proclamada pelo testemunho da vida deverá, mais tarde ou mais cedo, ser proclamada pela palavra da vida. Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados. “

Quando se fala no anúncio do Evangelho é frequente ouvir-se dizer: O que conta é o testemunho da vida, as palavras não são o mais importante. Embora a frase tenha um lado de verdade, é preciso, porém, não esquecer que também pode servir para uma boa desculpa para a nossa dificuldade em partilhar a nossa fé com outros. Como achamos que nunca somos testemunhas perfeitas o melhor é estarmos calados, e assim não evangelizamos. Se estivermos à espera do dia em que sejamos perfeitos para evangelizar nunca o faremos. Mas na medida em que formos falando de Deus, iremos sentindo o dever de sermos mais autênticos na nossa vida cristã. Porém, uma vida em total contradição com o Evangelho, descredibiliza a fé e torna-se escandalosa.

No entanto, o testemunho da vida não é algo que se faça num dia, é o fruto de ações diárias que vão criando hábitos na nossa vida e vão forjando o nosso carácter. Na vida vamos fazendo escolhas que são fruto da nossa forma de pensar; essas escolhas repetidas criam em nós hábitos, e estes repetidos, formam o nosso carácter, isto é, a nossa maneira de ser e agir. Quando não temos fé fazemos escolhas que não são conduzidas pela Palavra de Deus, mas quando nos convertemos a Deus começamos a sentir necessidade de mudar as nossas ações e pô-las de acordo com o Evangelho. Essa mudança de atitudes são reveladoras da obra de Deus em nós e são um testemunho sem palavras de que o Espírito de Deus vive em nós.

Quem dera que todos os cristãos que conhecem o Senhor, embora não sejam perfeitos, sentissem o dever de testemunhar uma vida marcada pelo Evangelho do Senhor.

Neste dia da Ascensão peçamos a graça de sermos testemunhas d’Ele pela palavra e pelas atitudes de vida. Ele estará sempre connosco até ao fim dos tempos.

 

 

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