Folha Paroquial nº 78 *Ano II* 26.05.2019 — DOMINGO VI DA PÁSCOA

Folha Paroquial nº 78 *Ano II* 26.05.2019 — DOMINGO VI DA PÁSCOA

« Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.»

A folha pode ser descarregada aqui.

 

EVANGELHO ( 14, 23-29)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».

MEDITAÇÃO

O dom do Espírito e o serviço fraterno
Estamos nas últimas horas da vida de Jesus, mesmo antes da Paixão: a hora era dramática… Podemos imaginar a angústia dos últimos momentos, apercebemo-nos dela através de algumas linhas, uma vez que, repetidamente, Jesus dá aos seus discípulos palavras de tranquilidade: «Não se perturbe nem se intimide o vosso coração». Mas Jesus permanece muito sereno: aqui, como ao longo de toda a paixão, é Ele quem tranquiliza os discípulos! Ele inclusive
anuncia o que vai acontecer: «Digo-vos estas coisas agora antes que elas aconteçam, para que, quando acontecerem possais acreditar». A chave deste texto é o termo «Palavra»: ele aparece várias vezes e se olhamos para o que está antes não há dúvida possível. «A Palavra que vós escutastes não vem de Mim mas do Pai que Me enviou». Dito de outro modo, Ele é o enviado do Pai, Ele é a Palavra do Pai. Doravante é o Espírito Santo que fará compreender esta palavra e a guardará na memória dos discípulos. E que Palavra é esta que é preciso absolutamente guardar? É o “mandamento novo do amor”: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei», o que é o mesmo que dizer: «Colocai-vos ao serviço uns dos outros», e, para se fazer compreender bem, Ele mesmo deu um exemplo muito concreto lavando os pés dos seus discípulos. Ser fiel à sua Palavra, é, pois, simplesmente colocar-se ao serviço dos outros. E, finalmente, no texto de hoje, «Quem Me ama guardará a minha Palavra», pode assim traduzir-se: «Quem me ama coloca-se ao serviço dos outros…». Inversamente, «Aquele que não me ama não se colocará ao serviço dos outros…», o que não se coloca ao serviço dos outros não guarda a palavra de Cristo! E assim compreendemos melhor o papel do Espírito Santo: é Ele quem nos ensina a amar de verdade, pois Ele nos lembra o mandamento do amor. Ele, o Espírito, é o Defensor porque nos defende de nós mesmos, dado que a nossa maior infelicidade é esquecer que o essencial consiste em nos amarmos uns aos outros, colocando-nos ao serviço uns dos outros. Quando vemos o Espírito em ação, Ele está sempre a enviar-nos ao serviço. Maria, cheia do Espírito, depois da Anunciação, vai ao encontro de Isabel para a servir; nos Atos dos Apóstolos, a primitiva comunidade cristã colocava os seus bens ao serviço da comunidade; no texto de hoje, dos Atos dos Apóstolos (1ª leitura) vemos o Espírito em ação no chamado 1º Concílio de Jerusalém onde surgem dificuldades de relação entre cristãos vindos do paganismo com cristãos vindos do judaísmo. O Espírito de Amor inspirou aos discípulos de Cristo a vontade de manter a unidade e não imporem fardos pesados aos cristãos de origem pagã.
Sempre que alguém está cheio do Espírito Santo torna-se um servidor dos irmãos. Por isso, S. Paulo, quando fala dos carismas que o Espírito faz brotar nos cristãos para o serviço da comunidade, dá-lhes um critério de discernimento, «um caminho que ultra passa tudo»… e depois apresenta o hino da caridade: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, ainda que eu tenha carismas de profecia e de línguas e de martírio, se não tiver amor de nada
me vale, pois, ainda que esses carismas possam ter brotado do Espírito, nós abusámos deles colocando-os ao nosso serviço e assim eles não servem de nada para o nosso bem”. O carisma ou dom só nos enriquecem se forem exercidos por amor e para o amor. Estamos a aproximar-nos do Pentecostes: peçamos todos o dom do Espírito que nos leve a formar uma comunidade de servidores que vivem o mandamento novo do serviço por amor.

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