Folha Paroquial nº 75 *Ano II* 28.04.2019 — II DOMINGO DE PÁSCOA

Folha Paroquial nº 75 *Ano II* 28.04.2019 — II DOMINGO DE PÁSCOA

«Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia.»

 

A folha pode ser descarregada aqui (II Domingo da PASCOA)

 

EVANGELHO (Jo 20, 19-31)

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

 

MEDITAÇÃO

Para os apóstolos e a comunidade cristã primitiva, a Ressurreição de Cristo é «o Acontecimento» que mudou tudo. Cristo ressuscitou e o seu Espírito, o seu poder de amar, habita-os doravante. O poder da graça estava sobre eles: a graça é a presença de Deus em nós, é o amor de Deus em nós. Apóstolos e todos os batizados são habitados pelo amor, um amor de tal forma poderoso que os transforma completamente, a ponto de os fazer ver de um modo totalmente novo as realidades materiais. Há acontecimentos na nossa vida, felizes ou infelizes, que mudam completamente as nossas prioridades. Coisas que nos apareciam até aí insignificantes tomam, de repente, um grande valor; outras às quais dávamos muita importância, aparecem de repente secundárias. Um filho que nasce a um jovem casal muda-lhe as prioridades… de bom grado, eles agora sacrificam a sua liberdade por causa daquele filho que lhes trouxe tanto deslumbramento. E ouvimos muitas vezes os que foram salvos num grande acidente, ou de uma grande doença, dizer que nada mais será como dantes. Para os primeiros cristãos, diz-nos Lucas, a posse dos bens materiais deixou de ser uma prioridade. «A multidão dos que tinham abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma, ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum.» A primeira insistência neste sumário de Lucas é a unidade e depois vem então a partilha. Esta é consequência daquela. A frase central é: «Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e gozavam todos de grande simpatia.» No fundo, a unidade e a partilha era uma das formas de dar testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Uma igreja que quer dar testemunho não pode ser desunida e desinteressada da sorte uns dos outros.

A Igreja é a comunidade daqueles que experimentaram a graça da presença do ressuscitado nas suas vidas e isso foi um acontecimento tão maravilhoso que mudou as prioridades da vida. Agora somos chamados a dar testemunho de que Ele está vivo através da unidade que vivemos, da alegria da união fraterna, na alegria da partilha, na alegria de celebrarmos juntos a Eucaristia e de trabalharmos juntos pela missão.

É esta missão que Jesus nos confiou quando aparecendo aos discípulos no primeiro dia da semana lhes diz: “«Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo»”. Somos enviados em missão para o mundo onde vivemos, mas não sozinhos: «Recebei o Espírito Santo». No princípio dos Atos dos Apóstolos, Ele tinha dito: «Ireis receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas.»

Mas só pode ser testemunha quem viveu a alegria dos Apóstolos por terem encontrado ou reencontrado o senhor. «Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor». Depois dizem a Tomé quando ele chega: «Vimos o senhor». Mas… isso a nós não nos aconteceu. «Não vimos o Senhor». É verdade que não tivemos as aparições como os apóstolos, mas recebemos as bem-aventuranças que Jesus anuncia: «Felizes aqueles que acreditam sem terem visto». Sem terem visto, sim, mas não acreditamos sem nada a ajudar-nos a acreditar. Não acreditamos no vazio, sem nada. O que pode substituir em nós aquilo que os apóstolos viveram? É a própria Palavra viva de Deus que é anunciada pela Igreja. Logo no dia da ressurreição, os apóstolos vêm para a rua, em Jerusalém, e Pedro faz a sua primeira pregação da Palavra. Os ouvintes ficam «de coração trespassado pela emoção» e perguntam: «Que havemos de fazer, irmãos?» Nesse dia, converteram-se ao Senhor mais de 5000 pessoas que pediram o batismo em nome de Jesus. Eles já não tiveram as aparições, mas isso não os impediu de fazer uma experiência semelhante à dos apóstolos, de se sentirem renascer pela fé no Filho de Deus, como se tivessem «visto» o ressuscitado. Por isso, S. João termina o Evangelho de hoje dizendo: «Estas coisas foram escritas para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.» A palavra de Deus acolhida desperta em nós a fé e a presença do ressuscitado. Tem sido assim ao longo de mais de 2000 anos, homens e mulheres têm mudado as suas vidas e prioridades porque, através do anúncio da palavra que chegou até Eles, descobriram Cristo vivo e ressuscitado, e entregaram-se a Ele e assim a Igreja foi crescendo e irradiando. Também nós o acolhemos assim e somos chamados a anunciá-lo para que outros creiam.

 

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